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30 em 3

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30 em 3” é uma coletânea de comemoração de 30 anos do midsummer madness dividida em 3 partes: um vinil, um cd duplo e uma fita cassete. Setenta e nove músicas, 79 bandas, divididas em 3 diferentes suportes: a fita cassete, onde começamos, o CD para onde evoluímos e o vinil, que também lançamos. Todas estas músicas também serão lançadas no formato digital no site mmrecords.com.br, no nosso Bandcamp e no streaming. Além da coletânea, o projeto também inclui um fanzine de 36 páginas com estórias e a história do midsummer madness.

O “30 em 3″ só existe porque foi aprovado no edital da Natura Musical de 2019. Leia abaixo o texto que o jornalista Carlos Albuquerque escreveu sobre o projeto.

 


 

Em outros tempos, podia-se dizer que a história do midsummer madness– assim mesmo, com minúsculas – daria um filme. Um filme independente, claro, dirigido por Jim Jarmush e rodado em p&b porque, afinal, sonhos doces são feitos assim.

Mas atualizar os lugares comuns é preciso. Hoje, é mais fácil imaginar que a trajetória do selo criado por Rodrigo Lariú em 1989, inicialmente como um fanzine – celebrada agora em três partes, “30 em 3”, com o lançamento de um vinil, um CD duplo e uma fita cassete, com patrocínio de Natura Musical – daria uma bela e singela série, dessas que temos que lutar contra os algoritmos para encontrar.

Uma série sobre música, acima de tudo, mas também sobre amizades, sobre paixões, sobre desencontros, sobre autonomia, sobre negócios, sobre fazer você mesmo e sobre o doce e o amargo da passagem da adolescência para a chamada vida adulta. Quanto ao título, como Cameron Crowe, outro bom nome para a direção, já usou “Quase famosos”, teríamos que pensar em uma alternativa.

Ah, o roteiro não teria nenhum herói.

Porque mesmo os mais angustiados heróis – como, por exemplo, o existencialista Surfista Prateado – fazem feitos extraordinários e transitam em universos de superlativos. Tudo em torno deles é grandioso, é monumental. E apesar de a trajetória do midsummer madness ter lá suas pujanças – nas contas “por alto” do próprio Lariú, foram 340 “produtos” (entre álbuns, EPs, singles e coletâneas), 113 bandas e 2500 músicas lançadas -, tudo o que cerca o selo parece simples e espartano, coisa de gente despojada, que usa All-Star e tem timidez até de fazer air-guitar em frente ao espelho. E, na real, na real mesmo, a história dessa efeméride – meio torta, mas absolutamente memorável – não tem nada a ver com personagens impávidos e infalíveis.

Era para ter saído (tudo isso) em 2019 quando completamos 30 anos. Mas eu calculei mal o tempo para pedir autorização de todas as bandas”, admite Lariú, com cativante sinceridade, no zine de 36 páginas que acompanha o lançamento.“Quando finalmente consegui, veio a pandemia. Mas aqui estamos, com 32 ou 33 anos de existência, atrasados apenas nas comemorações de 30 anos”.

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A existência do midsummer madness começa, ironicamente, num dia chuvoso de inverno, em Niterói, quando Lariú, então com 16 anos, impossibilitado de sair para jogar bola, decide criar um fanzine. Naquele momento, a década dos yuppies, dos mullets e das ombreiras começava a chegar ao fim. Madonna dominava as paradas de sucesso com “Like a prayer”, seguida de perto por Phil Collins com “Another day in paradise” e Roxette com “The look”.

1989 foi também o ano do escandaloso sucesso da dupla Milli Vanilli com “Girl you know it´s true”. No Brasil do cruzado novo, Xuxa era a campeã de vendas. As grandes gravadoras nadavam em piscinas de dinheiro e o compact-disc era a maior aposta para manter aquele status. Tudo isso era notícia nos grandes jornais, que concentravam o fluxo da informação. E o midsummer madness começava a trilhar um caminho não indiferente, mas independente ao mundo ao seu redor.

Uma amiga, a Beatriz Lamego, tinha me emprestado uns zines e eu tinha pirado na possibilidade de poder fazer meu próprio jornalzinho – lembra ele, em um papo por email, direto de Londres, onde mora desde 2017. “Minha mãe era professora de História e esse assunto de imprensa alternativa, de expressar o que você deseja, era recorrente. Na época, eu também estava começando a ouvir uma música diferentona, culpa em parte da Beatriz, em parte da Fluminense FM. E as bandas que eu gostava, Smiths, Jesus & Mary Chain, Felt etc, quase não saiam na imprensa normal, nem na especializada. Daí juntou tudo e eu comecei a fazer. Era uma época de descobertas”.

Desde então, os (a)fazeres de Lariú não pararam de crescer. E as descobertas também não pararam de acontecer. A principal, sem dúvida, foi vislumbrar, três anos depois, que o fanzine poderia ser algo mais do que um “jornalzinho”. “Um dia, lendo aquela revista “Speak Up!”, de aprender inglês, que vinha com uma fita encartada, eu tive uma revelação. Pensei que seria muito melhor e mais fácil se as pessoas ouvissem as bandas em vez de ler o que eu estava falando delas” – conta ele. “E como eu já tinha feito alguns contatos com outros zineiros e bandas, comecei a correr atrás de fitas demos. Então, na edição 4 do zine, fiz a primeira coletânea, com Second Come, Pin Ups e Killing Chainsaw. Era mais uma mixtape do que qualquer coisa. A fita podia ser comprada junto com o zine”.

Elas, as fitas-cassete ou K-7, aquelas com dois buracos no meio, que tocavam em gravadores, foram a primeira mídia do midsummer madness. A partir delas, o selo foi girando no tempo, sempre abraçado a uma sonoridade (chame de shoegaze, indie rock ou o que preferir), vendo outras tecnologias surgindo, desaparecendo e ressurgindo – do vinil aos CD, do mp3 ao streaming -, nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar com elas.

A gente nunca adotou as tecnologias novas de primeira, sempre andamos um passo atrás. Começamos no K7 porque era o possível; não tínhamos grana pra prensar vinil, muito menos CD. O CD só aconteceu pra gente em 1997, quando a primeira versão do site entrou no ar. Quando o mp3 começou a bombar, no começo dos 2000, a gente não colocou no site de imediato porque eu achava que o formato ia morrer logo. Foi só em 2006, com o treco já estabelecido, que a gente adotou os lançamentos digitais” – afirma Lariú.

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O mais curioso de tudo é que a época em que a gente mais perdeu master foi essa. Arquivos que as bandas me mandavam em mp3, eu deixava arquivado em um computador que queimava e adeus master. As masters das épocas de fita e CD eu tenho todas até hoje. Então, essa coisa do digital, o que mais me incomoda é a imaterialidade, mais do que o valor em si. Quem é Spotify? Apple? Talvez estas plataformas um dia desapareçam também. Se não fosse o midsummer madness e selos parecidos, muitas bandas provavelmente sumiriam no dia que essas plataformas desligassem a tomada”.

Com mais de trinta temporadas no ar, o midsummer madness e outros selos parecidos – conduzidos por empreendedores antes que o termo fosse criado – precisam, de fato, continuar existindo para que o lado B seja ouvido, para que os pequenos feitos também sejam valorizados, para que a história não seja contada apenas pelo ponto de vista dos poderosos, para que não tenhamos que admirar apenas os heróis e suas superproezas.

Nosso catálogo está longe de representar toda a produção alternativa brasileira. Ele é, no máximo, um recorte muito singular de um universo que não tocou em rádio, não saiu em jornal, não ocupou os topos das playlists – resume Lariú, que nunca adicionou um CEO ao seu nome. “E o midsummer madness não seria nada sem as bandas que toparam participar das minhas loucuras. O fato de eu ter aprendido o caminho das pedras sozinho causou alguns vacilos. Essa sensação de que eu poderia ter me dedicado mais é uma constante. Ao mesmo tempo, ter revisto toda a história do selo, escutado de novo todos os discos, refeito contato com todas as pessoas, isso me deu um orgulho danado. O saldo geral de 30 anos é muito positivo“.

É mesmo. Parabéns. Mas vem cá: por que o nome com as letras em minúsculas?
Porque numa das primeiras edições do zine, para fazer a capa com letraset, lembra? aquelas letrinhas decalcáveis que você comprava em papelaria, só tinha letra minúscula. Eu gostei do resultado e ficou. Tem alguma coisa bruta, feia, que eu não gosto quando as pessoas escrevem Midsummer Madness“.

por Carlos Albuquerque

O projeto “30 em 3” foi selecionado pelo programa Natura Musical, através do Edital 2019, ao lado de nomes como Luisa e os Alquimistas, Mariana Aydar, Tassia Reis, Luiza Lian, entre outros artistas. Ao longo de 16 anos, Natura Musical já ofereceu recursos para mais de 140 projetos no âmbito nacional, como Lia de Itamaracá, Mariana Aydar, Jards Macalé e Elza Soares.

Nós acreditamos no impacto transformador que a música pode ter no mundo. E os artistas, bandas e projetos de fomento à cena selecionados pelo edital Natura Musical têm essa potência de mobilizar o público na construção de um mundo mais bonito, cada vez mais plural, inclusivo e sustentável”, afirma Fernanda Paiva, Head of Global Cultural Branding.

 


 

Infelizmente, nem todas as bandas entraram na coletânea. Nosso catálogo completo até a data de lançamento da coletânea está no zine.

Vinil_COR_web

Saiba de onde sairam as faixas da coletânea (nem todas as bandas tem página publicada aqui no site)
“30 em 3 midsummer madness Volume 1″ (vinil – mmlp67)
Lado A
Pelvs | Trippy – do mmcd02 Members to Sunna, 1997
Stellar | Titanium White – da mm11 Thrumming Soothingly, 1995
Loomer | Then You Go – do mmcd52 Deserter, 2017
Pin Ups | Mexican Tale – do mmlp65 Long Time No See, 2019
Lava Divers | Tearsfall – do mmcd53 Plush, 2017
Iorigun | Fight to Forget – do ep mm155 Skin, 2018

Lado B
Low Dream | These Little Things Touch Me Every Time – do mmcd16 Reaching for Balloons, 2004, originalmente lançado pela Uptight Records em 1994
Macintushie | Need Sometime – do ep mm159 Stillwitchu, 2019
Devilish Dear | These Sunny Days – do mm145 These Sunny Days, 2017
The Cigarettes | The Beauty of the Day – do mmcd01 Bingo, 1997
Sleepwalkers | (Scandal) Not My Cup of Tea – da mm19 Waiting for Santa Claus, 1996
The Gilbertos | Everywhere – do mmcd03 Os Eurosambas 1992 – 1998, 1999

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“30 em 3 midsummer madness Volume 2″ (cd duplo – mmcd67)
CD 1
aliendawg. & Moon Pics | Give In – do mms55 Give In / Paper Heart, 2019
Strawberry Licor| Straight to The Moon – do mmcd60 Johnny, 2019
Early Morning Sky | Sorry – do mm151 If I See You Again, 2018
Old Magic Pallas | Stargazer – da mm14 Pull My Daisy, 1995
Justine Never Knew the Rules | Coming Down – do mmcd44 Overseas, 2016
Second Come | Violent Kiss – da mm27 Old Shoes, 1997
Grenade | Vampire – da mm33 ShortwaveYounglove Kingdom, 2019, originalmente lançada em 1999 pela Ordinary Records
Feedback Club | Rocky Road – da mm36 Zoom In Zoom Out, 1998
Valv | Middle English – do mmcd12 The Sense of Movement, 2004
Grape Storms | Letters and Tears – da mm48 Grape Storms, 2000
Churrus | Oldfield Park – do mmcd35 Transcontinental, 1997
brincando de deus | Two Weeks From Here – do mm42 Berlinda, 1999
Superbug | 5-Way Flashing – do mm60 Hot Milk, 1999
Mr Spaceman | Starfish – do mmcd19 Mr Spaceman, 2007
Fish Magic | In a Heartbeat – do mm138 Songs From the Night Shift, 2015
Lautmusik | Little Halo – do mms60 Little Halo, 2019
Private Dancers | Onnagata Otosan – do mm73 Music for Special Occasions, 2007
Beally | A Song For The Feet – do mm90 Song for a Walk, 2008
Frabin | Pastime Illusion – do mmcd58 Tropical Blasé, 2018
Slowaves | Like Ghosts – do mms57 Like Ghosts, 2019

CD 2
Tom Gangue | Baladinha – do mm141 Grande Esperança, 2016
Luisa Mandou um Beijo | Amarelinha – do mmcd15 Luisa Mandou um Beijo, 2005
Sweet Fanny Adams | Hate Song #3 – do mm91 Fanny, You’re No Fun, 2008, originalmente lançado por Bazooka Records
Pedro P78 | Coco Gelado – do mm67 Pedro P78, 2004
Nervoso | Já Desmanchei Minha Relação – do mmcd14 Saudades das Minhas Lembranças, 2004
Motormama | Meus Amigos (Eu Não Tive Escolha) – do mmcd18 A Legítima Cia Fantasma, 2006
The Baudelaires | Lost in Place, Lost in Time do mmlp54 Looking For The Big Star, 2017
Dois em Um | Mais Uma Vez – do mmcd23 Dois em Um, 2009
Casino | Samba Dada – do mmcd07 EP, 2001
Supercordas | Índico de Estrelas – do mmcd32 A Mágica Deriva dos Elefantes, 2012
Vibrosensores | Escadas Rolantes – do mm40 Domingo Químico, 1998
Electric Lo Fi Seresta | Western World – do mmcd66 End of Decade, 2019
Cassim | Libertaria – do mm86 Ready EP, 2008
O Garfo | Alpa Tino – do mm106 Epizod, 2009
Superoutro | O Lago – do mm68 Autópsia de um Sonho, 2004
Driving Music | Orange Traffic Cones – do mm122 Comic Sans, 2011
The Dead Suns | Cracked Soil – do mmcd56 – New Day For a Better Man, 2018
Verano | Lune Orange – do mm87 Stonehill Sisyphus, 2008
Smack | Qu’est-ce Que Tu Pense? – do mmcd22 “3”, 2008
Ponto Chic | Alguém aí – do mms72 – Alguém aí, 2020

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“30 em 3 midsummer madness Volume 3″ (fita cassete – mmcs67)
Lado A
A Página do Relâmpago Elétrico | A Reforma da Casa – do mm143 Maus Meses, 2016
Submotile | Tramonto – do mmcd64 Ghosts Fade on Skylines, 2019
The Voltage | God’s Glue – do mm66 The Voltage, 2004
Sci Fi | Trailer Park Boys – do mm144 Sci Fi, 2016
Polystyrene | Gravity – do mm41 Underwater, 1999
DJ6 | My Bed – do mm83 DJ6, 2007
Os Gambitos | Summer Glory – do mm95 Salami, 2009
The Alberto | The Sun – do mm70 Music for the Sun, 2006
Velouria | Arrested in Your Words – do relançamento mm125 No More Dancing Days, 2014, originalmente um CD do selo Lovesongs de 1995. Essa mesma faixa, em outra versão, está na mm10 Mario is Happy Now, 1995
Enzzo | Come Together (Beatles) – da mm35 Lorenzzo, 1998
The Book is on The Table | La La Life – do mmcd13 I, Land, lançado em parceria com a Monstro Discos, 2004
Dead Poets | I Wanna Stay in the Rain – do relançamento mm125 No More Dancing Days, 2014. Essa mesma faixa, em outra versão, está na mm17 Dead Poets, 1995
Terrible Head Cream | Anything – da mm06 Pink Smoke, Orange Vodka, 1994
Number 4 | Blond Hair da mm08 Blue, 1994

Lado B
Kinetkit Ravecamp | Ambiental Sensorship – da mm26 Kinetkit Ravecamp, 1997
Ampslina | De Que Canto Partiu? – do mm77 Curva e Linha, 2007
A Última Peça | O Passo da Luisa – do mm135 Ato I, 2014
Fanfarra Paradiso | Café Margoso – do mmcd21 Fanfarra Paradiso, 2008
DON | Empty Heart of Tao – do mm150 Gene, 2018
Digital Ameríndio | Lombroso (ou a Verdadeira Rapa do Juá) do mmcd59 Intensos Animais Imperceptíveis, 2018, originalmente lançado pelo selo Cloud Chapel em 2013
Fellini | Longe – do mmcd08 Amanhã É Tarde, 2001
Vulkano | Punk Aborígene – do mm81 Vulkano, 2007
Spllash! | Toda Puta – do mm104 Spllash me!, 2009
Killing Chainsaw | Prudence – do mm51 Early Demo(n)s, 2008
Santa Pipe | Free Hands – do mms38 Santa Pipe, 2018
Jess Saes | Hector Comeu um Sol – do mm53 Jess Saes, 2001
Régis Martins & Cia Fantasma | Tá Gostoso Coração – do mm139 Ondas Curtas, 2015
O projeto gráfico de todas as capas dos discos e do zine é de Beatriz Lamego, a masterização foi feita por Eduardo Ramos e basicamente é uma equalização de volumes, sem interferência nas músicas. A seleção foi feita em 2019 e por isso algumas músicas lançadas na 2ª metade daquele ano em diante não entraram na coletânea. Todas as bandas autorizaram o uso de suas músicas.

O vinil tem tiragem limitada a 500 cópias assim como o CD-duplo. A fita-cassete tem tiragem limitada a 100 cópias. Compre na loja.

 


 

Sobre Natura Musical
Natura Musical é a plataforma de cultura da marca Natura. Desde seu lançamento, em 2005, o programa investiu cerca de R$ 159 milhões no patrocínio de mais de 500 projetos – entre trabalhos de grandes nomes da música brasileira, lançamento e consolidação de novos artistas e projetos de fomento às cenas e impacto social positivo. Os trabalhos artísticos renovam o repertório musical do País e são reconhecidos em listas e premiações nacionais e internacionais.

Em 2020, o edital do Natura Musical selecionou 43 projetos em todo o Brasil e promoveu mais de 300 produtos e experiências musicais, entre lançamentos de álbuns, clipes, festivais digitais, oficinas e conferências. Em São Paulo, a Casa Natura Musical se tornou uma vitrine permanente da música brasileira, com uma programação contínua de lives, performances, bate-papos e conteúdos exclusivos, agora digitalmente.

 

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