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\ZINE - março de 2022\

Muito obrigado Bia (1973 – 2022)

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Bia com as Drivellers no Juntatribo 1993

Quando vocês pensarem no midsummer madness, pensem na Bia. Não existiria fanzine, selo, nada disso se não fosse a Beatriz Lamego. Infelizmente a Bia nos deixou na noite de 28/03/2022 depois de quase 4 anos de luta contra um raro cancêr de pulmão. Bia tinha 48 anos.

Foi a Bia quem me apresentou e me explicou o que eram um fanzine, lá pelos idos de 1988. Foi ela também quem me emprestou o vinil do “Psychocandy” do Jesus & Mary Chain com o seguinte aviso: “Você tem que ouvir isso. De preferência com volume no máximo”. Dificilmente a gente discordava sobre alguma banda, eu dividia com ela um amor profundo por Smiths e Galaxie 500, isso lá na Niterói do final dos anos 1980. A Bia é uma dessas pessoas que eu tive a sorte de encontrar.
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Ela era aquela menina “gótica” que eu adorava andar junto, a mesma que fazia sessões de vídeos do The Cure no colégio para ninguém assistir. A Bia virou capa do midsummer madness #5 porque quando eu pensei numa pessoa foda, talentosa, linda e cool na capa do meu zine, essa mulher era ela.

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Cadu, Fabiola, Alê e Bia eram as Drivellers

 

 

Dai ela montou as Drivellers com a minha irmã, a Fabíola e o namorado Cadu já no começo dos anos 1990. E foi para lançar a 2ª fita das Drivellers que o midsummer madness virou uma gravadora em 1994. Ainda pude lançar as fitas do Stellar, que ela ajudou a formar junto Leandro, Fábio L. (Second Come) e Cadu.

Stellar 1994 PB

Stellar em 1995

O midsummer madness também lançou o Kinetkit Ravecamp que ela participou junto com Sol Moras, Dodô e Alexandre. Só não lançamos o Enseada Espacial, projeto caseiro que ela tinha com o Sol, seu companheiro até o fim da vida.

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Bia e Sol entrevistando Damon & Naomi, 2/3 do Galaxie 500, para a PlayTV

A Beatriz Fernandes Lamego era também uma das melhores designers que eu conheci. O bom gosto dela me influenciou e influencia a vida toda. Ela é a responsável por todo projeto gráfico do projeto “30 em 3 – midsummer madness“, criando as capas do vinil, do cd, da cassete e diagramando todo o zine. Para a Bia eu não precisava dar referências, ela sabia qual era a cara do midsummer madness e ainda assim me surpreendia.

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Não existem palavras para descrever o quanto que a ausência dela me entristece. Não é de hoje que eu falo que a existência do midsummer madness é em grande parte “culpa” da Bia. Dá um enorme desânimo continuar mas ao mesmo tempo eu tenho certeza que a Bia seria a primeira a desaprovar qualquer ideia de desistência. Então, assim que a poeira baixar, vou colocar as músicas da Bia no digital e inventar mil maneiras de homenageá-la.

I need to walk by the flowers, with someone who can share my face
And it looks like no one can take your place
And I could bleed in sympathy with you
On those days
And I could drink up everything you have
Don’t let it go to waste

I could give you memories
To rival Berlin in the Thirties
I understand your dating bar ways
And I could bleed in sympathy with you
On those days
And I could drink up everything you have
Don’t let it go to waste
Say something warm, say something nice
I can’t stand to see you when you’re cold
Nor can I stand being out of your life
And I could bleed in sympathy with you
On those days
And I could drink up everything you have
 
Jonathan Richman
na versão do Galaxie 500

 
 
“Ricardo” da Pelvs, do disco “Peninsula”, que tem vocais da Bia:

Postado 30/03/2022 às 11:22

No final dos anos 90, o underground era assim: entrevista com Pancake

Lançado originalmente em Dezembro de 1997, “Pancake Corner” é o único registro da Pancake. Em 1999 todas as 6 músicas entrarama coletânea “Where D’You Get Your Information From” lançada em fita cassete pelo midsummer madness.

Anos mais tarde, em 2003, “Pancake Corner” teve seu 3º (re)lançamento numa versão CDr intitulada “Pancake Corner +“. O (+) indicava as 2 faixas bônus, originalmente gravadas em 1999 para a coletânea em CD “Em Órbita”.

Em 2021, depois de uma postagem no grupo 90Under do Facebook surgiu a ideia de relançar pela 4ª vez “Pancake Corner”, desta vez, nos serviços de streaming. Este re-re-re-relançamento virou um exercício de memória misturado com uma boa nostalgia, um “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” do indie rock carioca do final dos anos 90.

Para juntar os pontos, mandamos uma entrevistinha para Marina Macacchero (guitarra, voz), Luiza Naritomi (baixo), Raquel Rodrigues (voz), Márcio Abi-Ramia (bateria) e Pedro Paulo (guitarra). Conheça mais da estória do Pancake e de uma boa parte do underground carioca e brasileiro do final do século passado.

Quando e como começou o Pancake? De onde vocês se conheciam?
Em 1996 com Luiza, Marina e Raquel. A gente se conhecia da escola, éramos da mesma turma no CEN (Centro Educacional de Niterói).

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Pancake no palco: Márcio era o baterista da banda e de quase todas as outras da cidade

A formação sempre foi a mesma?
A primeira formação da banda era Luiza na bateria, Raquel na voz e Marina na guitarra. Ainda não tinha Márcio nem Pedro Paulo. Depois a Luiza foi pro baixo e vimos que precisávamos de um baterista. Não conseguimos encontrar nenhuma menina que tocasse bateria, então resolvemos chamar um menino.

Nossa proposta não era fazer uma banda só de meninas, na verdade éramos amigas que começaram a tocar juntas, então não era um problema ter um menino na banda. Chamamos o Marcio pra bateria, que a gente já conhecia desde 94. Ele tocava em praticamente todas as bandas de Niterói na época. Fizemos alguns shows com essa formação, no DCE da UFF, Empório, no Lugar Comum.

Pedro Paulo (PP) entrou depois tocando guitarra. Ele estudava Arquitetura na UFF e uma vez Marina e Luiza estavam almoçando no Shopping que é perto da escola e da faculdade, viram um menino usando uma camisa do NOFX e foram puxar assunto. Os três começaram a conversar e acabaram ficando amigos. Mais tarde ele acabou integrando a banda como segunda guitarra.

A Raquel precisou sair de licença maternidade quando o Jonas nasceu em 1998 e a Sabrina entrou no vocal, depois a Lívia.

Qual era a idade de vocês quando o Pancake começou? O que cada um fazia naquela época?
Luiza, Marina e Raquel tinham 16 anos e ainda estavam cursando o segundo grau. Márcio tinha 20 anos e era músico. PP tinha 17 anos e estava começando a faculdade.

Quais outras bandas cada um de vocês tocava antes/durante/depois do Pancake
Márcio tocava no Suzy’s Down. Marina chegou até a fazer uma “audição” com eles… Num ensaio tocou “U-Mass” do Pixies mas o povo não se empolgou muito. PP tocava bateria numa banda de ska chamada Core Flakes e no Essential Tension que tinha o som mais próximo do Pancake. Marina tinha tocado baixo em uma banda na escola que foi montada para angariar fundos para a excursão para Ouro Preto, a banda se chamava Black Gold. Márcio também tocou na Black Gold.

Após o Pancake, Luiza teve o Discoteque, Raquel e Márcio faziam parte do Terceiro Segredo e Marina fez o MID.

Não sei porque mas eu sempre lembro do Pancake como uma banda de Niterói. Era isso mesmo? Todos moravam em Niterói? Se não, como era a logística de ensaios?
Sim, todos moravam em Niterói, menos PP que morava no Rio, mas ele estudava na UFF. Acabava que os ensaios eram todos em Niterói então era simples, pois estávamos todos por aqui. Sabrina e Lívia também moravam em Niterói.

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Marina, Luiza e PP em um dos ensaios

A maior parte das músicas é de autoria da Marina, algumas com a Raquel. Como funcionava o processo de criação da banda? Marina levava as músicas pros ensaios e vcs colocavam suas partes?
Sim. Ela nos orientava também. Marina levava as músicas pros ensaios e cada um ia fazendo suas partes, às vezes com orientação da Marina. Ela fazia num violão que nem tinha todas as cordas. Ou às vezes dormia na casa da Luiza e fazia as músicas em um violão que tinha lá.

As letras tbm eram da Marina? Ou a Raquel escrevia?
A Raquel escreveu duas letras:”Motherhood” e “Sundays”. O resto foi a Marina.

De acordo com memória da Raquel, Marina musicou “Motherhood” a partir da letra e Raquel fez a letra para “Sundays” a partir do que Marina cantarolava como melodia. Se formos analisar hoje, as letras (em inglês) tinham um vocabulário e estrutura muito bons para adolescentes brasileiras, contando com o que Marina chamava de “licença poética” para encaixar na melodia. Hoje a Raquel, como professora da língua, acha graça de alguns trechos. Ainda assim, houve até um quadrinista que se inspirou em “Sudden Swallow” para criar uma historinha que ficou muito legal.

De quem é a HQ?
Do Roberto Hollanda, ele tinha um zine que agora não tô conseguindo lembrar o nome. Acho que ele é quadrinista hoje em dia. A gente se correspondia, e ele mandou uma carta perguntando se podia fazer a versão em quadrinhos da música. Eu achei muito maneiro, é uma honra quando uma coisa que você faz toca outra pessoa a ponto dela querer se expressar.

A “Pancake’s Corner” saiu em 1997. Vocês lembram quando / onde / como foi gravada?
Um amigo da família da Luiza, Sérvio Túlio (do Saara Saara), tinha nos dado algumas horas em um estúdio de um amigo dele em Gragoatá, um bairro de Niterói. O único que tinha alguma experiência com gravação era o Márcio. Nós fomos gravar mas o estúdio não tinha bateria. Na verdade era um quartinho com isolamento acústico e os equipamentos, os microfones, amplificadores e uma mesa Tascam de 8 canais foi o que usamos para gravar. Mas não tinha bateria.

Então, chegando lá resolvemos aproveitar o horário marcado e gravamos guitarra, voz e baixo de duas músicas na primeira sessão (“Tried to Say Before” e “Outside”). Só depois descobrimos que a bateria tinha que ser gravada antes, então fomos para um estúdio na Tijuca, o Cheese Factory. Márcio penou pra encaixar a bateria nas duas músicas já gravadas mas conseguiu. Os barulhinhos de baqueta que se ouve no fim de “Outside” são justamente um momento de desabafo de Márcio: quando finalmente conseguir sincronizar as gravações, ele jogou as baquetas no chão.

Com as partes de baterias gravadas, voltamos pro estúdio de Niterói e gravamos as outras músicas.

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Inicialmente vocês lançaram “Pancake Corner” sozinhas, certo? Lembram como o mm entrou na estória? Se não me falha memória, eu vi um show em Niterói, acho que em Pendotiba… procede? As músicas entraram numa fita coletânea chamada “Where D’You Get Your Information From”. O que vocês acharam da coletânea?
Sim, lançamento completamente independente. Luiza e Marina faziam tudo, desde replicar as fitas passando de um toca-fitas pro outro, recortar as xerox pra fazer a capinha e o encarte com as letras, até a distribuição. A distribuição era feita por correio, enviávamos as fitas para os zines resenharem e com isso as pessoas entravam em contato e vendíamos também pelo correio. E nos shows a gente costumava levar as fitas e pedir para colocar nas banquinhas de selos e outras bandas.

Sobre a coletânea, ninguém lembra muito bem. Mas a gente acha que o contato com o midsummer madness foi no festival Motim – Mulheres em Ação no Espaço Cantareira. Luiza lembra de termos sidos chamadas pra fazer parte, mas parece que acabou demorando o lançamento. Também lembra de ter ficado feliz de recebermos reconhecimento e termos sido selecionadas.

Fizeram muitos shows em 1997, 1998? Aonde tocavam? Algum show memorável? Alguma roubada inesquecível?
Fizemos muitos shows.  Tinha o Estúdio Bar, que era um bar com um galpão e palco atrás. A pedido da Marina, o dono deixou a gente produzir um show com o Dirty Shoes. A casa lotou e o dono abriu pra gente que o espaço ao lado, antigo República da Banana, era do pai dele. A partir dali reinauguramos o local passando a chamar Estúdio Bar que se tornou uma referência no underground Niteroiense da época.

Em 1999 teve show quase todo fim de semana. Nessa época do Estúdio Bar tocamos com Mukeka di Rato, Pin Ups, Zumbi do Mato, Againe, Curinga, Sorry Figure, Blind Pigs. E quando faltava alguma banda em alguma data, a gente se auto-escalava para tocar!

De memoráveis podemos citar o show do DCE da UFF, nosso primeiro show. Foi com o Interzona Inc, e foi legal pois além de ter sido nosso primeiro show, todos os nossos amigos estavam lá, foi bem empolgante.

O (Festival) Motim na Cantareira, em Niterói, foi bem legal, tocar em um evento que na época teve bastante divulgação. O show no Empório em Ipanema foi importante pra gente pois várias bandas que a gente gostava tocavam lá e era pro público do Rio. O show que fizemos em Macaé em um lugar chamado Chaplins foi nosso primeiro show fora do circuito Rio – Niterói. Fomos convidadas pelos meninos do My Sister Anne, André e Agnaldo. Foi muito divertido. E nosso show em São Paulo, no Alternative, que foi nosso último show.

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Em 1998 vocês deram uma parada e voltaram um tempo depois, não foi? Qual foi o motivo da parada mesmo?
Na verdade não paramos em 1998, Raquel que parou pois teve o seu filho, o Jonas. A banda parou em 2000 e não voltou mais a não ser por apresentações comemorativas. Tocamos depois no Odisséia e no Convés em 2003, mas não chegou a ser um retorno. Nestes shows a Luiza não tocou pois já estava morando fora, quem tocou foi o Lucas.

Em que ano a Livia entrou? A Raquel não voltou mais? Posso estar enganado, mas numa foto de vocês tocando no Algumas Pessoas Tentam te Fuder, no Odisséia, (provavelmente 2003) eu tenho quase certeza que é a Raquel.
Raquel -  Sou eu mesma lá no revival mas nunca mais voltei desde que sai pra parir o Jonas em Julho 98. Eu tenho pavor de palco e bebia para superar o pânico de cantar para um público.

Só topei alguns revivals, mas passava mal de vomitar (sem ter bebido nada) antes de subir no palco.

Vocês mencionam o show do Alternative em SP como último show. Quando foi? Foi mesmo o último?
Foi em novembro de 1999, com o pessoal do Spots, uma banda de Araras que a gente chegou a tocar junto no Estúdio Bar, em Niterói.

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Vocês tocavam com bandas mais hardcore que o Pancake. Como era a reação do público? Vocês preferiam tocar nestes eventos? Na verdade acho que eram as opções que exisitiam, né?
Raquel – Eu me lembro de ficar de cara com umas meninas fazendo passos de balé num show nosso na half pipe de skate de São Francisco. Mas o público costumava nos receber muito bem, geralmente. Tinha uma galera que cantava junto.

Luiza – Tinhamos muitos amigos nessas bandas e eram bandas muito ativas na época. Eu pessoalmente gostava sim, acho que na época no Rio tinha muito overlap, a mesma galera também ia às festas na Maldita, no Bukowski, no Volúpia, shows no Garage, eventos na Fundição (Progresso)…

Marina – Como a Luiza disse, tínhamos muitos amigos que tocavam em bandas de HC, acho que tínhamos até mais amizades HC do que indie. Era um pessoal muito ativo na cena, então eu até enxergo como um movimento natural tocar mais com essas bandas. Agora, em relação ao público, eu não lembro de nenhum grande incidente. Acho que na época, e até hoje entendo assim, tudo se tratava de música. Eu ouvia de tudo, então a música que eu fazia tinha influência de tudo que eu ouvia. Pra que se limitar a um estilo? Deixo a cargo de quem for ouvir, classificar da forma que achar melhor :-)

As duas músicas extras “Nova” e “Love Canal” foram gravadas para a coletânea “Em Órbita”. Vocês lembram aonde/como/quando foram gravadas?
Essas duas músicas foram gravadas no estúdio Freezer (da Pelvs) que ficava em uma galeria na Praia de Botafogo. Um dos requisitos para entrar na coletânea era que as músicas tinham que ser inéditas então fomos pro estúdio gravar. Quem canta nessas duas músicas é a Lívia.

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Pancake, com Raquel nos vocais, no festival Algumas Pessoas… de 2003 no Teatro Odisséia, na Lapa (RJ)

Pelos meus registros, em 2003 o midsummer madness relançou a “Pancake Corner” com as 2 faixas extras. Vcs lembram mais ou menos disso?
Sim, lembramos, e a gente lembra do show no Odisséia naquele festival do MM (Algumas Pessoas Tentam te Fuder). Teve um incidente, alguém foi embora com a guitarra da Marina, mas depois ela conseguiu recuperar. E Raquel tinha uma prova de concurso no dia seguinte mas não conseguiu fazer. Um aluno adulto da Raquel viu a banda na TV nesse evento.

Quando foi que rolou o problema com a Pancake metal? Num release que eu escrevi, cito cartas de advogados da banda falando para vocês não usarem mais o nome… teve isso?
Foi em 2000 mais ou menos. Chegou uma carta na casa da Luiza falando que nós não podíamos usar o nome Pancake pois pertencia a outra banda. Quando fomos entender o que estava acontecendo, vimos que uma outra banda, mais recente, havia registrado o nome e mandou a tal carta mandando a gente parar de usar. Nós entramos com um processo, o Bruno do Barneys nos ajudou com tudo isso, era nosso advogado. Alegamos que como usávamos o nome a mais tempo, e nome de banda, nome artístico não é um produto registrável, e sim uma extensão do artista, o nome nos pertencia independente do registro.

Nós perdemos na primeira, segunda e terceira instância, parece que nossa tese não teve muito sucesso. Fun fact: quem pegou nosso processo na terceira instância foi a Ministra Carmen Lúcia.

No fim acabou que a tal Panfake, que era uma banda de produtor, deixou de existir e conseguimos registrar o nome de vez.

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Quando a banda acabou? Teve um motivo?

A banda acabou em 2000. Aconteceu o que o pessoal chama hoje em dia de ghosting. Teve um show sem o Márcio porque ele não poderia viajar, Marina e PP (que eram namorados) terminaram e Luiza foi morar em NY. Aí foi acabando, mas não teve um momento que viramos e falamos: a banda acabou. Nós não chegamos a brigar nem nada.

Qual a impressão que vocês têm das músicas hoje?
A gente acha que as músicas estão bem atuais. Acreditamos que se uma pessoa parar pra ouvir hoje em dia, vai curtir bastante. Temos bastante orgulho delas.

Quem continua com banda hoje?
Raquel – Eu tentei ressuscitar o Terceiro Segredo com Hudson Barros e Paulo Pontes (só pra ensaio e, talvez, gravação), mas aí veio a pandemia.

Luiza- Não tenho mais banda mas o Bil colocou o Discoteque no streaming esses dias.

Marina – eu cheguei a tocar com o mid depois do Pancake, a gente gravou uma demo e fizemos uns shows na Lapa, em Mesquita, no Convés em Niterói. Mas paramos lá pro início dos anos 2000. Temos 2 clipes no Youtube: Gone e Neurosis.

Ouça Pancake Corner na página da banda.
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Postado 01/03/2022 às 8:15

Os Gambitos conclamam a volta do Carnaval twee

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Saiu hoje, assim meio no susto, mais um single d’Os Gambitos, projeto lofi do Fábio Bianchini (Superbug). A gente mesmo recebeu a música hoje, sexta-feira de carnaval, pela manhã.

Dai, sem tempo para preparar algo mais momesco, roubamos o que o Trabalho Sujo preparou:

O indie-mor Fabio Bianchini, guitarrista do clássico Superbug, recepciona esse não-Carnaval com a marchinha twee “Carnaval de Novo”, que ele lança com seu nome solo Gambitos em primeira mão aqui no Trabalho Sujo. “‘Carnaval de Novo’, na real, é uma música de carnaval que não sabe o que vai ser do carnaval, né?”, ele me explica por email. “A gente tá botando ela na rua, é sexta de manhã e ninguém sabe ainda o que vai ser do sábado aqui em Florianópolis, imagino que em mais um monte de lugar também esteja assim.”

“E é engraçado que a feitura da música acabou passando por isso também, porque era pra ela ter ficado pronta ali pelo começo de Janeiro, mas aí o surto de Covid do Réveillon – eu não peguei, sigo incólume – bagunçou tudo”, lembra. “Já nem mais esperava o que fazer, mas acabou que conseguimos botar ela na rua antes de começar oficialmente o Carnaval.

“Nessa tem que elogiar – de novo – o midsummer madness, selo mais amigo dos artistas do mundo, por ser o lugar onde dá pra fazer esse tipo de coisa”. Além do Mutley, a faixa ainda conta com velhos comparsas da iniciativa Gambitos, como a vocalista Emilia Carmona, que cantou no single ‘Praça’, que ele lançou no último carnaval antes da pandemia, e ‘Meiembipe’, que cantou ao lado de Anna Salviato, que também participa do single, ao lado do guitarrista Ulysses Dutra, do vocalista Gustavo Cabeza e do percussionista Marcio Bicaco. Ele também reuniu um coro improvisado chamado Cigarkills: “deram o azar de estar no estúdio no dia em que chegamos pra gravar alguma coisa de ‘Carnaval de Novo’ e acabaram entrando na música.”

Postado 25/02/2022 às 16:56

Régis Martins & Cia. Fantasma lança disco de estreia

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O projeto criado em 2013 pelo guitarrista do Motormama, Régis Martins, lança em 2022 seu primeiro álbum completo: “Frequência Modulada”. O novo trabalho traz oito canções que tem em comum o clima low-tech, em que violões e uma atmosfera acústica se misturam com baterias eletrônicas e sintetizadores. Nessa espécie de tecnofolk, ou synthfolk para os mais modernos, a banda investe em melodias intensas e ao mesmo tempo cheias de paixão e simplicidade.

Formado pelo guitarrista e vocalista Régis Martins, junto com Gisele Z. (vocais) e Alessandro Perê (teclados), Régis Martins & Cia Fantasma compreende 3/5 do Motormama. O novo disco contou também com a participação especial do baterista Rodolfo Bárbara, responsável pelas batidas eletrônicas/acústicas presentes nas faixas.

O primeiro registro da Cia Fantasma foi o EP “Ondas Curtas“, com 6 faixas, de agosto de 2015 com direito a um show de lançamento no SESC Ribeirão. Em 2019, Régis Martins & Cia Fantasma lançou seu 2º EP ‘Atlântico Blues’ num clima mais ensolarado que o anterior.

Mais então veio a pandemia e o mundo mudou. “Frequência Modulada’ é o resultado de dois anos de lockdown. O disco traz seis canções inéditas e duas já presentes no EP ‘Atlântico Blues’ que foram remasterizadas para o novo trabalho: “Eu, Você, o Cosmos e Nada Mais” e ‘Bruxaria”. O novo disco foi gravado nos estúdios Vira Disco, com produção de Breno Vetorassi em parceria com a banda.

O álbum aparece num momento de reflexão com músicas criadas nos últimos anos de forma intimista e urgente. Uma espécie de terapia sonora como resposta a pandemia que assola o planeta. “A arte é a nossa segunda chance, nossa melhor invenção. Porque a vida também é sonho”, diz Régis.

Ouça, baixe e compre a versão digital no nosso Bandcamp

Ouça “Frequência Modulada” no seu streaming favorito (e se puder, evite o Spotify):
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Postado 04/02/2022 às 11:05

Moon Pics lança primeiro álbum em fita cassete

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Durante o lançamento do último single “Suni/Flwr” em 2020 já estavam rascunhadas músicas novas, escritas entre 2020 e 2021,e que compoem o primeiro (mini) álbum da Moon Pics. “Memoria” foi gravado no mesmo esquema dos lançamentos anteriores mas “com alguns novos truques na produção e pedais novos, lembra Adriano. “Eu fazia a composição e gravação sozinho e enviava para o Luiz (guitarrista da banda) que sugeria os ajustes pertinentes“.

São 8 músicas gravadas sob os efeitos de insônia, solitude e reflexão. “(Durante o isolamento da pandemia) eu saía muito de madrugada para ficar dirigindo sozinho quando sabia que não ia conseguir dormir, acho que me inspirava. Pensava sobre as músicas, sobre outras pessoas ou sobre lembranças boas e ruins. Às vezes eu ficava eufórico por estar só, como se alguns momentos vivenciados por mim fossem só meus. Em outras horas eu sentia urgência de compartilhar o que eu via e sentia com outras pessoas. Acho que a inspiração para escrever essas músicas tem a ver um pouco com esse conflito, a respeito de existir sob a sensação de estar sendo empurrado para os dois lados ao mesmo tempo“.

O título sem acento traz uma desconexão com o significado imediato da palavra, que é a maneira que Adriano se relaciona com suas composições: “É um mistério para mim a forma com a qual a música existe e nos afeta. Durante a composição é como se todos esses sons, acordes e palavras tivessem só passando por mim, vindos de outro lugar. Acho que depois que a música está escrita ela existe para servir apenas a si mesma. Pelas minhas próprias experiências eu consigo atribuir diferentes significados ao que está escrito, mas essa leitura permanece igualmente aberta às interpretações de demais ouvintes, tanto a nível temático quanto emocional“, teoriza.

moon_pics_liveEmbora tenha gravado praticamente sozinho, Adriano espera que em 2022 a Moon Pics possa subir aos palcos com sua formação de banda. “Tenho convicção de que esse ano vamos conseguir voltar a tocar e a formação continua a mesma, com o Luiz Spíndola da banda Aliendawg. (guitarra), Clayton Borges/Palma Dulce (teclado), Rafael Ribeiro (bateria) e Matheus Luan (baixo)“.

“Memoria” será o 1º lançamento da Moon Pics que terá também uma versão no formato físico: o mini-álbum sai em fita cassete roxa translúcida, prensada na Inglaterra e com tiragem limitada a 50 cópias. Adriano conta que na faixa “The Abyss” ele gravou sons usando um gravador de cassete de 40 anos atrás que havia encontrado na casa da avó:”uma pequena lembrança tangível do álbum na forma de uma fita cassete. A música materializada“.

 

 

Ouça “Memoria” no Bandcamp
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Postado 14/01/2022 às 10:32

Para comemorar 30 anos estamos lançando uma coletânea

Se chama “30 em 3″ e reúne 79 músicas de 79 bandas diferentes que fazem ou fizeram parte do nosso catálogo. As músicas estão divididas em 3 suportes diferentes, por isso o título 30 (anos) em 3 (suportes): um vinil com 12 bandas, um CD duplo com 40 bandas e uma fita cassete com 27 bandas. Além disso, um zine de 36 páginas reúne um pouco das estórias e da história do midsummer madness. A coletânea física pode ser comprada na loja do mmrecords; comprando um volume ou todos, o zine impresso vai como brinde.

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Mais informações, a lista completa de bandas e músicas e uma versão digital da coletânea pode ser ouvida na página do projeto ou no nosso Bandcamp, ou na sua plataforma de streaming favorita. Procure por “30 em 3″. Pra facilitar, se você gosta do Spotify, nós juntamos todas as músicas nessa playlist.

No Bandcamp, caso você opte por baixar/comprar todos os Volumes ou um deles, você vai receber também a versão digital em PDF do zine de 36 páginas que acompanha os discos.

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Na sexta, 26/11, a partir das 19h (de Brasília), André Paixão, aka Nervoso, vai fazer uma live tocando músicas de bandas do midsummer madness em versão voz e piano. Fique de olho no nosso instagram @mmrecords_br

Nervoso toca midsummer madness

O projeto “30 em 3” foi selecionado pelo programa Natura Musical, através do Edital 2019, ao lado de nomes como Luisa e os Alquimistas, Mariana Aydar, Tassia Reis, Luiza Lian, entre outros artistas. Ao longo de 16 anos, Natura Musical já ofereceu recursos para mais de 140 projetos no âmbito nacional, como Lia de Itamaracá, Mariana Aydar, Jards Macalé e Elza Soares.

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Bandcamp:
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Postado 26/11/2021 às 14:51

“Alguém Ai” do Ponto Chic resgatada para coletânea de 30 anos

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Lançada originalmente em 2001, a faixa “Alguém Ai” da obscura Ponto Chic lista o que era ser indie no Brasil do final dos anos 90. A única música da banda saiu numa fita cassete do extinto selo paulistano Slag, o “Áudio-zine #1″. Depois disso, circulou durante um tempo no também hoje finado site Tramavirtual. A capa acima não é a original, foi feita exclusivamente para o relançamento.

Apesar de não ter sido originalmente lançada pelo midsummer madness, a faixa está sendo relançada 20 anos depois no formato digital como single único da coletânea “30 em 3“, que celebra as três décadas do midsummer madness. “Alguém Ai” estará no CD 2 do Volume 2 da coletânea que traz 79 bandas divididas em três suportes físicos diferentes: um vinil, um cd duplo e uma fita cassete de 90 minutos. A listagem completa das bandas está aqui.

Quando “Alguém Ai” foi lançada, ninguém sabia muito bem quem era a Ponto Chic. Circularam boatos que era uma banda do Espírito Santo mas tudo não passava de fake news (numa época em que esse termo nem existia). Nós sabemos (mais ou menos) quem são os responsáveis pela gravação mas como os mesmos pediram anonimato, a Ponto Chic vai continuar obscura.

Ouça a faixa e leia a letra na página da coletânea “30 em 3
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Postado 19/11/2021 às 18:17

Churrus lança single novo depois de quase três anos

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“Shallow” é a primeira faixa inédita desde o lançamento do álbum “Atlantic Road” em 2019. Em 2020, durante a pandemia, a Churrus lançou também uma coletânea de músicas que não entraram em no álbum chamada “Besides”. O novo single marca uma nova parceria com um amigo de longa data, B Berg, do Whale B Sound, responsável pela mixagem e masterização, além de ser o primeiro single com o novo integrante, Igor Monteiro, assumindo os baixos e o design da capa.

A letra curta, com apenas três frases trata, segundo a banda, “de emancipação pessoal, da superproteção que as vezes impede o crescimento individual, tornando as pessoas rasas“.

“Shallow” está sendo lançado hoje apenas no formato digital.
Ouça na página da bandas aqui no mmrecords
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Postado 12/11/2021 às 7:17

Ouça brucutTú, projeto bossa-rock do guitarrista da Churrus

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O isolamento forçado que a pandemia vem causando tem também seu lado criativo. Com mais tempo para olhar para si próprio, Túlio Panzera, conhecido pelas guitarras, voz e composições há mais de duas décadas na indie Churrus,  aproveitou o tempo para conhecer mais dos sons da sua memória afetiva. Ray Conniff e Frank Sinatra eram melodias que saíam das teclas do piano do seu pai.

brucuTú, que era o modo carinhoso como o pai do Túlio o chamava, junta estas reminiscências com influências modernas de Erlend Oye, Argonaut & Wasp e Sondre Lerche. “Ben” é o primeiro single de brucuTú, e conta com participações de talentosos músicos mineiros como a voz de Fernanda Bessa, do percussionista André Mendes, os trompetes de Samuel Carvalho e o baixo do ex-Churrus e atual Valv, Bruno Martinho.

“Ben” sai apenas no formato digital, via mmrecords e Rapadura Records.

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Postado 08/10/2021 às 7:12

Valv desvia pro folk em novo single

capa_valv_envious_sun_web“An Envious Sun” é mais uma música composta, gravada e lançada durante a pandemia de Covid-19, talvez a última, a gente espera. Segundo o guitarrista do Valv, Luciano Cota, “era uma música que o Alessandro tinha uma estrofe e um refrão e a gente achava muito boa, mas não evoluíamos nela porque não podíamos ensaiar. Então, eu arrumei um dia no estúdio e chamei o Alessandro e o Léo Marques (do estúdio Ilha do Corvo) para registrarmos a música. Gravamos numa paulada só. Isso foi no final de dezembro de 2020, ainda estávamos pensando no que fazer com ela, mas resolvemos lançá-la como último single desse período pandêmico de composições caseiras“.

Gravada no estúdio Ilha do Corvo em Belo Horizonte (MG), a faixa traz a participação de Leonardo Marques nos teclados, que também fez a mixagem. A masterização ficou por conta de Bruno Retes e a singela capa é de Gustavo Santos (@gussantos).

“An Envious Sun” está sendo lançada no dia 01/10/2021 em todas as plataformas de streaming e no Bandcamp do midsummer madness. Para o lançamento, o Valv publicou este texto em suas redes sociais:

Parecia impossível questionar a grandiosidade do sol frente a qualquer outro elemento; até descobrirmos que ele se faz menor frente à textura da pele de quem reina em nosso olhar, porque é nessa pele onde verdadeiramente nasce a luz. E o olhar sequer conheceria sua função se não fosse por esse brilho.

Nesse momento, entendemos que a perfeição mora na delicadeza.

Parecia impossível dotar a natureza de qualquer percepção humana, como felicidade, ternura, querer; até sabermos que tudo ao redor de quem nos fazemos pertencer por doação, entende perfeitamente seu papel numa invisível dança que inspira, ilumina e enleva.

Nesse momento, entendemos que a harmonia de tudo se faz perceber na suavidade de uma brisa.

Parecia impossível doar a alguém o poder de nos fazer sentir inteiros, já que devemos ser e conhecer por nós mesmos; até que o olhar de uma pessoa brota luz por dentro, e se torna – não invasiva mas convidada, sem dores nem danos -, a guardiã do que nos há de melhor.

Nesse momento, entendemos que a unidade acontece quando a essência de um – esse fragmento intacto, puro, único, sólido, raro e rico -, se faz existir de todas as formas na essência do outro, em constante troca e comunhão.

Parecia impossível o sol invejar alguém; até esse alguém se tornar a composição irretocável entre som, cor, ar, calor, luz; a mais desejada atmosfera; na forma de música.

Nesse momento, o sol desaparece… e entendemos. Apenas… entendemos.

Ouça na página do Valv no mmrecords
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Postado 01/10/2021 às 7:31