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\ZINE - outubro de 2020\

Cada Dia Mar Grosso e Agressivo – novo single d’ Os Gambitos


Numa noite no início de 1988*, a atenção da população de Laguna, no Sul de Santa Catarina, para a edição daquela semana do Fantástico era ainda maior: era a noite de estreia do videoclipe de “Deslizes”, de Fagner, que destacava cenas gravadas na cidade, no Farol de Santa Marta. Foi o início duma tradição de artistas usarem paisagens do município para suas músicas. Uma tradição não muito frequente, na verdade: a vez seguinte foi mais de 30 anos depois, quando o Lupe de Lupe fez de uma travessia pela Ponte Anita Garibaldi, também em Laguna, a narrativa visual para “O Brasil Quer Mais”.

No caso de “Cada Dia Mar Grosso e Agressivo”, dos Gambitos, o envolvimento com a cidade foi maior: a canção que batiza o EP lançado nessa sexta-feira (16 de outubro) foi composta ali mesmo em Laguna, na praia do Mar Grosso. E ali o clipe inteiro foi captado e editado. Dessa vez quem estrela a produção são cantos da praia, animação de bonecos e sonhos do isolamento. Uma espécie de ficção científica com viagem no tempo de orçamento lo-fi e distopia de almanaque.

“Cada Dia Mar Grosso e Agressivo” é o terceiro lançamento dos Gambitos em 2020 e traz quatro versões da faixa-título, com participação da cantora Urutau.

Ouça na página da banda no mmrecords
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Postado 16/10/2020 às 9:11

Assista a “live” da Pelvs com Gustavo Seabra

Na sexta feira, 02/10, transmitimos uma “live” da Pelvs. “Live”, entre aspas, porque não foi ao vivo, mas pré-gravada. Gustavo Seabra, guitarrista e vocalista da Pelvs, toca 10 músicas incluindo releituras acústicas da Pelvs, versões de músicas de projetos que ele participou, como a Verve, sua primeira banda.

Entre seus outros projetos, uma música do Pessoas do Século Passado, que resultou num álbum gravado com Dodô, primeiro baterista da Pelvs no começo dos anos 2000. Além das músicas próprias, Gustavo fez versões para uma música do Stellar, do Cigarettes, Frank Black e Lemonheads.

Entre as músicas, Gustavo fala sobre o porquê de não fazer uma live ao vivo, sobre futuro da Pelvs, explica a escolha das músicas e conta sobre seu próximo projeto chamado Velha.

“Pelvs Doesn’t Do Lives” teve todos os vídeos gravados em casa, com celular, por Gustavo Seabra. A edição ficou por conta de Tatiana Germano com assistência de Rodrigo Lariú. O grafismo que está na abertura é de uma ilustração feita por Mate Lelo para uma camisa da Pelvs. E as imagens de surf vintage da abertura foram tiradas da surf trip “A Hattera’s Odissey” (1975), que está disponível no YouTube e vale a pena ser assistido.

“Pelvs Doesn’t Do Lives” está na íntegra no IGTV do mmrecords neste link. E a partir de hoje, será também publicado no YouTube do midsummer madness em três partes. A primeira parte, com as músicas “Post Scriptum” (do álbum “Anotherspot”  de 2006), “Menstruation & Masturbation” (do álbum de estreia “Peter Greenaway’s Surf” de 1993) e a versão para “Naturally Sad”  do Cigarettes.

Pelvs Doesn’t do Lives no Youtube:

https://www.youtube.com/playlist?list=PLQD0_MESmyoqwU7bQtzNH6OywCR99UP8y

 

Postado 03/10/2020 às 9:28

Submotile lança novo single

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O duo ítalo-irlandês Submotile lançou hoje um primeiro single de um novo EP que deve sair ainda este ano. “Segregation” fala sobre os tempos estranhos que vivemos. Michael e Daniela moram em Dublin e recentemente se mudaram para uma casa mais afastada, maior, que os permitiu criar um home-studio.

Daniela é médica-pesquisadora e está trabalhando na busca de vacinas para combater o COVID-19. A letra de “Segregation” fala sobre a deterioração das relações entre as pessoas:

I’ve known you for so long
I’ve hoped that would be enough
For us to see the truth

No time won’t bring it back
Outside a storm is raging and
I’m starting feeling afraid
Of what we have become

O single foi lançado no Bandcamp da banda e também nos serviços de streaming.

Spotify

Além da música, Michael preparou este vídeo:

Letra completa:
I’ve known you for so long
I’ve hoped that would be enough
For us to see the truth

No time won’t bring it back
Outside a storm is raging and
I’m starting feeling afraid
Of what we have become

We are drifting away
They have stop playing for us

How long have we been segregated
Is difficult to tell
Everything could be happening but now
It feels so personal

We are drifting away
They have stop playing for us

In an instant everything has changed
Barefoot treading through the battered trees
Hurry now I feel estranged

Broken glasses and bloody foot print
Have you came free from your stubborn dint
Candles lighting only to the wind

How long have we been segregated
Is difficult to tell
Everything could be happening but now

It feels so personal

If you only could see
No now no one can leave

If you only could see
No now no one can leave

We are drifting away
We are drifting away

Sometimes I don’t quite remember
What it means or it is to be free
Often I wake from a slumber
And I’m grateful for all that I see

We are drifting away
They have stop playing for us

Postado 18/09/2020 às 6:36

Driving Music retorna com faixa instrumental de 40 minutos

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Driving Music é o projeto de Fábio Andrade, que “teve banda a vida inteira” até que uma mudança em 2014 fez a música sair do seu cotidiano. Fábio mudou de país e começou um mestrado, seguido de doutorado. Longe dos amigos músicos e imerso nos livros e textos, a música virou um desejo distante.

Mas veio a pandemia. O que aconteceu dai em diante, nas palavras do Fábio:

No final de Abril, eu tive um agravamento de um problema cervical que desencadeou um ataque de pânico – o primeiro, e até agora o único, que tive na vida. Certamente estar no epicentro mundial da epidemia do Covid-19 (Nova Iorque, Abril de 2020) colaborou com isso, além dos efeitos do próprio confinamento, que aqui ainda coincidia com o fim do inverno e um período especialmente exigente no trabalho.

Como atividades físicas ainda eram razoavelmente limitadas naquele momento, a primeira recomendação médica era de que eu fizesse alguma coisa que me tirasse do trabalho intelectual constante que a minha profissão demanda – algo que já tinha sido sugerido em experiências que tive com ifá e astrologia. A resposta imediata foi voltar a fazer música com alguma regularidade, e o primeiro instinto foi gravar faixas de drone que demandassem uma exploração em tempo real dos instrumentos”.

Eu não sou muito hábil com multitasking, e esse tipo de atividade – assim como cozinhar – tem um lado terapêutico, porque eu concentro toda a minha atenção numa coisa que eu inclusive não domino bem, e preciso fazer com cuidado e delicadeza… se eu peso a mão, o fluxo é interrompido bruscamente, assim como uma desconcentração mínima na cozinha é suficiente pra eu queimar o almoço, ou me cortar com a faca.

‘Polaroid May Day’ é o resultado do primeiro dia em que fiz isso, e desde o início ela já me parecia uma faixa pronta, naqueles 40 minutos que levei para executá-la. De fato, há algo de experimental ali, porque eu tinha algumas regras básicas pré-estabelecidas que limitavam meu controle sobre o resultado – algo que tem a ver com a minha pesquisa acadêmica também, e que eu já há algum tempo queria experimentar com música.

Mas pra mim o resultado sempre foi musical, do contrário eu não teria lançado. Drone, noise e ambient se tornaram gêneros muito presentes no meu cotidiano, porque eu passo a maior parte do meu dia lendo ou escrevendo e eu não consigo escutar nada que tenha muita variação melódica (letra, então, nem pensar) enquanto trabalho. E acho que a faixa terminou expressando algo sobre a minha percepção do tempo da quarentena, ou mesmo de algumas sonoridades desses dias.

Nova York é muito movimentado, e a paisagem sonora da cidade mudou radicalmente quando tudo parou. Tudo que está na gravação foi feito de maneira institiva e reativa, mas depois eu percebi que vários dos sons que estavam ao meu redor – as sirenes das ambulâncias, os pandeiros e chocalhos que as pessoas tocavam pela janela todo dia às 19h para agradecer aos trabalhadores de saúde que terminavam mais um turno, assim como a própria necessidade de controlar a respiração – de alguma forma entrou na música. O disco vira um retrato desse momento.

A foto da capa foi tirada no dia seguinte, e tudo foi gravado, mixado, e masterizado em três dias – o que era também uma forma de exorcismo de uma pausa que já se alongava muito mais do que eu gostaria.

Ao mesmo tempo, ele parte do desejo de fazer música que possa interagir com o espaço e com o tempo das pessoas. Eu acho que o disco guarda um tipo de experiência para audições mais concentradas, porque ele nos convida a ajustar nossa escala de percepção musical para variações que são muito pequenas e que se revelam numa escuta mais atenta; mas ele também guarda outras experiências na interação com o ambiente, como música de fundo. Isso já era uma camada da música do Driving Music, mas aqui é como se os elementos que normalmente estavam no fundo das canções viessem para o primeiro plano, e as melodias fossem para o fundo.

Eu entendo que ele pareça uma ruptura, mas na verdade acho que a mudança talvez tenha sido a maior constante nesse projeto. Nesse sentido, esse disco não é diferente, porque ele traz mais uma face dessa relação com o mundo e com a música na qual as mudanças de vida, de cidade, e de formação se misturam com as mudanças de equipamento, de gosto, de técnica“.

“Polaroid May Day” parece marcar o recomeço de uma relação cotidiana com música para Fábio (leia mais aqui). Ele pretende lançar até o fim de 2020 um novo EP com duas canções que vem sendo pensadas ao longo dos últimos dois anos. “Deve se chamar ‘Afterimage’. Estou também finalizando uma remasterização do EP de 2010, incluindo algumas faixas e versões inéditas gravadas naquele mesmo ano que não foram lançadas“.

Ouça o EP de 2010, o álbum “Comic Sans” e a nova “Polaroid May Day” na página da banda.
Ouça, baixe e compre “Polaroid May Day” no Bandcamp.
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Postado 16/09/2020 às 6:55

Single novo do Electric Lo Fi Seresta

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Pense na Low Dream tocando como se fosse o The Cure. Esse é o novo single do Electric Lo Fi Seresta, projeto de Guilherme Almeida, da The John Candy. “A Light That Never Changes” sai alguns meses depois do 4º álbum da Electric Lo Fi Seresta, “Songs From the Hypnagogic Cave”.

O novo single traz uma sonoridade diferente, com mais peso e mais pressão. Guilherme explica:”Estou usando novos equipamentos de gravação como placas, bateria, baixo, teclados…Devo levar alguns meses me entendendo com a parafernalha eletrônica para finalizar as outras 9 faixas que já estão compostas”.

“A Light That Never Changes” deve fazer parte do novo álbum, que vai se chamar “MOONDIAL FM”. O título tem a ver com as lembranças do som do rádio do avô de Guilherme. “Lá nos idos de 87/88, eu ficava acordado na madrugada, ligado na Rádio Jornal Fluminense AM, em Campos (interior do Rio de Janeiro), em tempos quando The Smiths, New Order e The Cure ditavam as regras do jogo radiofônico”.

Ouça na página da banda.
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Postado 14/09/2020 às 7:45

Playlist desintegrante: os favoritos do Moon Pics

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Voltamos com a nossa série “Under the Influence”, playlists com músicas selecionadas por bandas do selo. Quem reinaugura a série é Adriano Caiado, da Moon Pics. Ele separou 10 músicas que estava ouvindo quando gravou seu último single, “suni/flwr”, uma seleção focada na força das melodias que desintegram.

Apesar de apenas 10 músicas, a playlist tem 1h30 de duração graças à faixa “dlp 3″ de William Basinski, o compositor contemporâneo que produz suas peças usando loops de fitas antigas. Apesar do mundo corrido que vivemos, faça um esforço para ouvir essa faixa até o final. Só assim você vai compreender a sensação de desintegração proposta por Adriano em sua playlist.

Além de Basinski, Adriano ainda separou faixas menos conhecidas mas não menos adoráveis do Radio Dept, Aphex Twin, Slowdive, Magnetic Fields, Grouper e Tamaryn entre os mais óbvios, e também de nomes não muito conhecidos como Sevignys, Fog Lake e Benoît Pioulard.

O single recente da Moon Pics também foi celebrado pelo blog Obscure Sound, que escreveu:
flwr” transports to a serene, hazy soundscape without a care in the world. The serenely entrancing track from Moon Pics shows a consuming dream-pop sound, full of beautiful vocal adornments, lushly elongated guitar tones, and calming backing synths.

Veja a matéria neste link. A Moon Pics foi incluído em duas playlists do Obscure Sound:
- uma com as melhores músicas de Agosto (aqui)
- outra com novidades shoegaze & dream pop (aqui)

Siga o midsummer madness no Spotify para escutar todas as “Under the Influence” anteriores. Os Gambitos, Lava Divers, The Cigarettes, A Página do Relâmpago Elétrico, My Magical Glowing Lens, Lautmusik, Frabin, Fish Magic e Churrus são algumas das bandas que já selecionaram suas favoritas.

 

Postado 02/09/2020 às 5:42

Preciosidade instrumental d’O Garfo agora no streaming

foto por Natalia Kataoka

foto por Natalia Kataoka

O trio cearense O Garfo existiu entre 2007 e 2011 e lançou um EP oficial, “Epizod“, em 2009. Com cinco músicas, o EP deve agradar fãs de Mogwai, Big Black e At the Drive In. Lançado em CDR no final dos anos 2000, o EP estava disponível apenas no formato digital na página da banda no mmrecords e no Bandcamp. Agora, você pode escutá-lo no seu streaming favorito.

A história d’O Garfo se confunde com a cena autoral de Fortaleza e com o boom dos festivais independentes do final dos anos 2000 no Brasil. Formada por integrantes de bandas atuantes nas casas de shows e Centros Culturais da capital cearense, O Garfo circulou por inúmeros festivais em todo Brasil. “Epizod”, com sua bela capa, feita por Felipe Diaz, chamava tanta atenção quanto o show enérgico e torto da banda.

Conheça a história deste trio que nunca encerrou oficialmente suas atividades na página da banda.

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Postado 31/08/2020 às 7:13

A estória por trás da capa de “Ammonite” e os primeiros anos do Valv

O Valv completa 20 anos de existência em 2020. Entre o início da banda e o lançamento do hoje clássico primeiro EP, o tempo voou. “Ammonite” completará 20 anos só em 2021, mais ou menos na mesma data do ataque às Torres Gêmeas em Nova Iorque. Curiosamente, os dois eventos estão intrinsicamente ligados.

O ano era 2000 quando Alexandre Augusto (bateria), Luciano Cota (guitarra) e o Daniel Maia (baixo), todos egressos de bandas da cena indie e hardcore de Belo Horizonte, se juntaram para formar o Valv. “Faltava um vocalista. Tivemos uma menina que tocou guitarra antes do Alessandro entrar, a Fernanda que foi guitarrista do Heffer/Reffer, e depois tentamos uma outra vocalista que também que não deu muito certo”, lembra Cota.

Num show do Superchunk na cidade, em Setembro de 2000, Alessandro Travassos encontrou Luciano e Alexandre “que eu conhecia muito superficialmente de shows das bandas deles no saudoso Squat“, lembra Alessandro. Todos circulavam por bandas belohorizontinas: Alessandro era  ex-vocalista e guitarrista do No Hands; Luciano e Alexandre haviam tocado no Vellocet e o Luciano tocara no Mr. Rude e no Dreadfull. “Me convidaram pra ir a um ensaio pra ver o que acontecia. Saímos desse ensaio com quase todo o material que viria ser o ‘Ammonite’”.

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Em pé, na esquerda, Luciano Cota, no meio, Daniel Maia. Sentados, à esquerda Alessandro Travassos e na direita, Alexandre Augusto

Já tínhamos o esqueleto de ‘Over It’ e ‘Debtors’ Jail’, que tocávamos nos ensaios do Valv antes do Alessandro entrar. Tínhamos várias partes de músicas, mas como ninguém conseguia cantar ou fazer melodias, as músicas não saíam. Quando o Alessandro entrou, esse problema foi resolvido“, lembra Cota. “Nós íamos para a casa dele, eu mostrava uma base ou um riff e partíamos dali para construir a música. O Alexandre e o Daniel também ajudavam muito nessa composição, principalmente o Alexandre dando algumas ideias de melodias“.

Sinceramente eu não sei qual foi a mágica, relembra Alessandro, “estávamos na mesma onda, todos queriam as mesmas coisas, eu acho“. Desses primeiros ensaios, ele se lembra de “só colocar melodia em algumas músicas e letras em todas“. Só…

Como a banda já ensaiava há algum tempo, haviam vários convites para shows. Quando finalmente acharam um vocalista, correram para gravar o EP.  Os primeiros shows foram, na verdade, dois no mesmo dia. O primeiro aconteceu em uma loja de discos de BH chamada Urban Cave. Estavam nesse show uns representantes do D.A. da Faculdade de Arquitetura da UFMG que convidaram o Valv para tocar na calourada da Faculdade naquele mesmo dia. “Foi um dia intenso“, relembra Alessandro. Ninguém tem certeza da data, mas se era uma “calourada”, deve ter sido em fevereiro ou março de 2001. “Não tínhamos feito nenhum show ainda e fizemos logo dois. Na sequência rolou o primeiro show na AObra, que se não me engano, foi o show de lançamento do ‘Ammonite’”, lembra Cota.

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O EP era a sequência natural de uma banda que começava com integrantes cheios de experiência. Alessandro lembra que eles tinham bastante material e o que ficou de fora do EP acabou sendo usado no 1º álbum da banda, “The Sense of Movement”, que demoraria três anos até ser lançado em 2004. “A gente precisava muito apresentar alguma coisa, não foi nada programado, no sentido de termos que fazer um disco. Foi uma coisa seminal, precisávamos liberar essas ideias no mundo“, segundo Alessandro.

“Ammonite” foi gravado no Estúdio Engenho, em BH. Lá o Valv conheceu quem eles chamam de personal George Martin. “Gravamos no Engenho e como todos nós já havíamos passado por outras bandas, a gente achava que dava conta de se auto-produzir. Nesse momento a gente conheceu o André Cabelo. Ele produziu o EP mesmo sem a gente saber que ele fazia isso porque ele também foi o engenheiro de som que nos gravou. A partir daí o Cabelo sempre esteve envolvido nas coisas do Valv”.

O EP foi todo gravado em ADAT, que era o suporte de melhor qualidade na época. A banda gravou rápido, demoraram menos de duas semanas entre gravar e ter o EP pronto. As seis faixas eram a escolha óbvia, segundo Alessandro, pois eram as músicas que estavam prontas na época. “Se me recordo bem ‘Rhyme Royal’ e ‘Heathen Vows’ (que acabaram entrando somente no ‘The Sense of Movement’) já existiam mas ainda não estavam finalizadas e ‘Puck and the needle’ entrou no EP e no álbum: uma versão acústica no ‘Ammonite’ e a versão full no ‘The Sense of Movement’”.

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Mas e a capa? “Essa história é engraçada. Um querido amigo nosso, Gustavo Rodrigues, morava em Nova York nessa época, ou havia acabado de voltar de lá, e num dia nublado, ele tirou aquela foto (com as Torres Gêmeas do World Trade Center desaparecendo no meio das nuvens), que é sensacional e nos presenteou com a possibilidade de fazer dela a capa do nosso primeiro disco. A ai veio o Bin Laden…”.

Algumas cópias iniciais do EP, que foi lançado somente em CDR, chegaram a sair com a capa do WTC antes do 11 de Setembro de 2001.

capa-ammonite“Com o incidente terrível no WTC, a gente achou melhor trocar a capa porque seria de péssimo gosto usar esse trágico evento para promoção do disco, mesmo a foto tendo sido tirada quase 1 ano antes”.

Foi nesse momento que a Fernanda Azevedo, na época trabalhando na produtora Motor Music, enviou o CDr do Valv para o midsummer madness e nós resolvemos relançar “Ammonite” já com a nova capa. A capa azul, meio shoegazer, foi feita às pressas pelo próprio Alessandro. Ele diz não se lembrar de onde tirou a imagem, mas saiu de algum canto obscuro da internet.

“Ammonite” foi o EP que tornou o Valv visível no Brasil. Com o EP, a banda  foi convidada para tocar em vários festivais como Bananada, Goiânia Noise Festival e Curitiba Pop Festival. Em 2002, o Valv foi uma das primeiras bandas independentes brasileiras a participar do South by Southwest. A saga está documentada no filme “Barulho na Rua 6″, de Kiko Mollica, com apresentação de Jefferson Santos.

Making of:

A discografia do Valv ganhou o álbum “The Sense of Movement” (2004) e depois de um longo período de hibernação, os EPs “Nautilidae”(2019) e “Silurian” (2020). Os títulos dos EPs seguem a tradição da banda de nomear os lançamentos com nomes de grupos de espécies marinhos do início da evolução. Além disso, dos três EPs, apenas “Silurian” não foi gravado por André Cabelo.

Com todos estes lançamentos disponíveis em streaming, a banda resolveu remasterizar e relançar “Ammonite”,  o único que faltava no streaming para completar a discografia.

A remasterização foi feita pelo atual baixista do Valv, Bruno Retes, que também é engenheiro de som. Retes usou as versões finais do CD e as adequou para as plataformas digitais, sem que elas perdessem qualidade ou punch. Não houve qualquer alteração nas faixas. “O trabalho feito pelo André Cabelo há 19 anos é excelente. Além disso,  apesar do Cabelo ainda ter o aparelho de ADAT  e as fitas originais, ninguém tem o software para ler a fita“, comenta Alessandro.

Para tornar o relançamento ainda mais atraente, o Valv incluiu duas faixas ao vivo gravadas em um show feito no Estúdio Saleta, em BH, em 2019. O show foi gravado pelo engenheiro de som Edgard Dedig, mixadas e masterizadas também pelo Bruno.

Além de “Frequency”, “Over It” e outra música do 1º EP ainda bastante requisitada e festejada quando o Valv faz shows. “São duas musicas que marcaram muito todos nós, pelos eventos que elas representam“, confirma Alessandro.

Ouça “Ammonite” original e remasterizado no site do Valv no mmrecords.
Ouça, baixe e compre “Ammonite” original e remasterizado no Bandcamp.
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Postado 23/08/2020 às 8:58

Álbum de estreia do Churrus é relançado

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Churrus’ early days: Tulio Panzera, Matheus Lopes, Paulo Filipe, David Mol e Bruno Martinho

Há 13 anos era lançado “The Greatest Day”, o álbum de estreia do Churrus, icônica banda oriunda de São João del-Rei, antro e fonte inesgotável do rock alternativo em Minas Gerais.

Gravado inteiramente em casa, na raça – num lento processo de mixagem em um laptop, que precisava do auxílio possante de um ventilador para que não se desligasse por superaquecimento (ou seja, o lo-fi em sua essência) -, pelos próprios membros da banda; Túlio Panzera (guitarra/vocal), Matheus Lopes (guitarra/vocal), Bruno Martinho (baixo) e b Berg (bateria), o disco captou perfeitamente a pluralidade de influências de seus integrantes, que bebem das mais variadas fontes do rock alternativo das décadas de 1980 e 1990, principalmente dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha.

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Bedroom lo-tech em 2007

E isso fica evidente logo na abertura, “Awhile”, que remete, num espaço de 4 minutos, ao indie rock americano do Beulah e ao britpop mancuniano do Oasis. A partir daí, uma infinidade de ótimas bandas e vertentes do rock é lembrada pelos ouvintes ao longo das 14 faixas. Sonic Youth, Ride, Teenage Fanclub, Wilco, Pernice Brothers, Dinosaur Jr., Guided by Voices, The Jesus and Mary Chain, Catherine Wheel, etc., reticências…

Tendo alternado entre São João del-Rei, Belo Horizonte e a Inglaterra durante seus anos de formação acadêmica, Túlio parece ter desenvolvido um estilo próprio de composição, que condensava as características do lo-fi, punk, pós-punk, powerpop e shoegazing. A esse estilo, conferiu seu vocal igualmente próprio peculiar, e com a parceria de química rara com Matheus, com quem passaria a dividir as composições nos trabalhos seguintes, estava criada a sonoridade do Churrus. Uma atmosfera que vai do soturno ao ensolarado em poucos minutos, sem estranheza. Intercalando doçura e sujeira, peso e leveza… com o famoso “timbre estalado” das Telecasters marcando forte presença.

Desta forma, o álbum foi lançado em CD, de maneira independente. Após o show de lançamento, através da Pelvs, que fora convidada para tocar na ocasião, o disco chega às mãos de Rodrigo Lariú, da Midsummer Madness, que se torna parceiro na distribuição dos CDs, dando início à relação entre selo e banda que permanece até hoje.

De lá pra cá, muita coisa mudou. Da formação da banda aos recursos e facilidades de que ela dispõe para produzir suas músicas. Nesse meio-tempo, houve um revival de estilos como o pós-punk e o shoegaze, com vários artistas ao redor do mundo fazendo o que o Churrus já havia feito em 2007.

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Matheus gravando guitarra para o disco na casa da mãe do Túlio

E vem fazendo de forma cada vez mais rica, elaborada, original. Não é raro, nas conversas entre os admiradores da banda, comentarem que algo “lembra Churrus” hoje em dia. E nesse cenário de shows cada vez mais enérgicos, intensos e prestigiados, dentre o catálogo cada vez mais numeroso de músicas (são 4 álbuns na discografia, dentre singles e EPs, atualmente), as canções do “The Greatest Day” continuam sendo pedidas e festejadas. “By Your Side”, única composição de Matheus no disco, é sempre a mais cantada, o hino da banda. “Hear About” nunca perde seu poder de catarse no público. “Seemed”, “Someday” e “Shakedown” nunca deixam de fazer falta nos setlists.

Esse é o legado daquele que teve a gravação mais rústica, menos lapidada. O álbum que teve todas suas cópias vendidas, esgotado, fora de catálogo e fora das plataformas de streaming. Bom… não mais. “The Greatest Day” is happening again. Remasterizado, o debute está sendo relançado e completa a discografia da banda nas plataformas digitais. Uma novidade mais que bem-vinda, dado o momento pandêmico que vive o mundo. E tanto quem ainda não conhecia esta obra-prima, forjada com paixão e despretensão, quanto os que já a desfrutam há anos, podem se preparar para ouvir coisas que nunca ouviram antes.

texto por Pedro Dias.

 

“The Greatest Day” foi também remasterizado e relançado na página da banda e no Bandcamp. Você consegue ouvir a masterização original de 2007 também na página da banda e no Bandcamp.

Os links para as plataformas digitais são:
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Postado 20/08/2020 às 7:34

Uma mensagem de esperança: 6 músicos regravam True Love… do Daniel Johnston

O EP True Love traz 7 vezes a música “True Love Will Find You in the End” do disco “Retired Boxer”(1985) do norte-americano Daniel Johnston. Lançado nesta sexta, 14/08, o EP é uma mensagem de esperança em tempos de pandemia.

Com Gustavo Seabra e Rafael Genu da Pelvs, Marcelo Colares do Cigarettes, Clinio Carvalho (Pelvs e Snooze), Adriano Caiado da Moon Pics, Gerson Alves da Early Morning Sky e Alessandro Travassos do Valv, o EP traz uma versão onde todas as versões foram mixadas junto, da melhor maneira possível, e as versões “solo” de cada um dos participantes.

A ideia original e as gravações são de Março de 2020, quando Genu, morando com a família em Milão, na Itália, teve a ideia de gravar essa música para um vídeo. O atraso de mais de 5 meses é todo culpa nossa, midsummer madness. Além de pelejar para conseguir uma boa edição e um bom áudio conjunto, nós achamos que as versões individuais estavam tão boas que mereciam virar um EP.

Apesar do atraso, a mensagem de esperança da música permanece. Quando parte das pessoas começam a banalizar as mortes, nós achamos que é preciso alertar para o perigo ainda eminente que a pandemia representa. É necessário pensar no próximo, na vida em comunidade e tomar todos cuidados necessários para si e para os próximos.

Essa intenção se traduz também na decisão de transferir toda e qualquer renda gerada pelo streaming do EP para o Instituto GAS, que fornece apoio a pessoas em situação de rua na cidade de São Paulo. Estas pessoas talvez sejam as mais vulneráveis e toda ajuda a uma instituição que se dedica a esse cuidado é bastante importante.

Você pode ajudar comprando o EP digital no bandcamp, escutando-o no seu streaming favorito ou até ajudando diretamente o Grupo GAS: apoia.se/institutogas

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Mais informações aqui

Postado 14/08/2020 às 8:49