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\ZINE - agosto de 2020\

Moon Pics lança novo single e coleciona elogios no exterior

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No meio da pandemia, o confinamento se torna insuportável.

‘suni’surgiu num momento de crise. Eu estava cansado de tentar uma boa captação de guitarra num ambiente tão lo-fi quanto meu quarto. Parei de buscar um som idealizado e foquei na composição, em buscar boas melodias e harmonias.  E foi assim que surgiu a ‘suni’. Soube que seria um single quando mandei pro Luiz (aliendawg.) e ele gostou”, explica Adriano Caiado, da Moon Pics.

E não foi só o Luiz que gostou.

Vários blogs estrangeiros especializados em shoegaze e dream pop repetiram os elogios dados ao single anterior “Fall/Like Rain”:
Austin Town Hall: “he’s crafting these ethereal pop pieces, these otherworldly musical entities that sweep you away as a listener” (“ele está criando peças pop etéreas, entidades musicais de outro mundo que te fazem viajar como ouvinte“)

Destroy/Exist: “‘flwr’ is a direct piece lavish with alluring wistfulness and plain lyricism, delivered in an utterly emotional way, and sounding utterly spacious to the point of abstraction“. (“‘flwr’ é uma peça pródiga, com melancolia sedutora e lirismo cristalino, entregue de uma maneira totalmente emocional, soando espaçosa para abstrações“.)

Start Track: “I have shared Moon Pics before. This new track is really nice. I am so into it“. (“Eu compartilhei Moon Pics antes. Essa nova faixa é muito legal. Eu gosto muito.“)

Aqui no Brasil, a empolgação é semelhante no Cansei do Mainstream.

“suni/flwr” (tudo minúsculo) é o 6º single da Moon Pics, lançado no final de Julho de 2020, quando quase 6 meses de pandemia se arrastavam por nossos dias sem sinais de final próximo.

Segundo Adriano, “flwr” também nasceu de uma atenção maior às melodias e harmonias. “Não me lembro de ter gravado essa música. Eu costumo pegar o celular e gravar quando estou inspirado. Dai abandono as ideias,  fico dias sem olhar o que eu gravei. Quando voltei aos arquivos, gostei de ‘flwr’“.

Apesar de compostas usando o mesmo princípio, “flwr” é o oposto de “suni”: uma é lenta, saturada; a outra apressada, com muita distorção, um yin-yang em formato de single. Segundo Adriano, “‘suni’ é sobre não querer sentir mais nada e ‘flwr’ é sobre querer sentir tudo que existe ao mesmo tempo. ‘flwr’ é meio ‘Pygmalion’ do Slowdive e ‘Disintegration Loops’ do Basinski enquanto que ‘suni’ seria mais Jesus and Mary Chain e Radio Dept“.

Quem não passou por isso no meio deste lockdown?

“flwr” saiu com um vídeo feito por Xavier Braun:

Ouça na página da Moon Pics
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Ouça no iTunes:
Ouça no Spotify

Postado 01/08/2020 às 9:46

Fish Magic lança novo EP: “Stillness”

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Apenas um ano desde o lançamento de seu terceiro e mais recente álbum, Mário Quinderé está de volta com um EP do Fish Magic. “Stillness” tem apenas 5 músicas e, apesar do título (que significa “Quietude”) não foi composto durante a pandemia.

O próprio Mário explica: “Estas canções já tinham sido escritas antes do terceiro disco e tinham essa linguagem mais acústica, folk, country, e não encaixavam ali. O Régis Damasceno (Cidadão Instigado, Mr. Spaceman) e eu tivemos a ideia de montar um projeto com o Andre Travassos do Moons para lançar algo nessa linha. Com a pandemia, essa ideia ficou mais distante… No isolamento, o Régis começou a trabalhar no disco novo do Mr. Spaceman e me chamou para escrever várias letras. Isso me motivou a trabalhar no que seria o meu EP folk”.

Lançado apenas no formato digital, o blog Floga-se disse o seguinte: “…comece pelo fim. “Until She Comes”, com seu ukelele (de Regis Damasceno) delicioso vale pelo EP todo.(…) In Every Street”, ou com as baladinhas, onde o vocal tem menos protagonismo. (…) “What Needs Must Be” é “música de pegar estrada”, de ar-livre, de ser livre, do que-será-será.” (leia a íntegra aqui).

E arrematou com “Quinderé propõe calma, quietude, silêncio, tranquilidade. E é bem sucedido na essência“. Algo que faz todo sentido se ouvirmos do próprio Mário as razões para lançar estas músicas agora:  “Apesar de não ter sido composto agora, sinto que as músicas se conectam muito bem com o que estamos vivendo. Poderiam perfeitamente terem sido escritas nesse período muito doloroso. Pessoalmente, perdi um dos meus melhores amigos para o câncer em abril e, mais recentemente, nossa cachorra faleceu. Porém, não queria que o disco tivesse essa aura sofrida. O lírio partido na capa talvez represente essa dualidade“.

Com participação de Régis e André, o EP pode ser ouvido e baixado no Bandcamp.

Ou se você preferir, escute no seu streaming favorito:

Fish Magic na Apple Music
Fish Magic no Deezer
Fish Magic no Spotify

Postado 29/07/2020 às 8:58

Sonhando acordado com Electric Lo Fi Seresta

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Songs From The Hypnagogic Cave
por Renato Malizia (The Blog That Celebrates Itself)

Antes de qualquer coisa, o mais prudente a você, forasteiro e iniciante, ou mesmo, a você, iniciado ao universo em que Guilherme Almeida, ou, para os mais íntimos, Electric Lo Fi Seresta navega, é necessário elucidar o termo fundamental que dá nome ao quarto, e talvez, definitivo álbum do projeto, ou, digamos, o alter ego de seu criador.

“Songs From The Hypnagogic Cave”, o título, soa estranho em um primeiro momento, a começar pela capa, talvez a fonte utilizada possa enganar as verdadeiras intenções da obra, mas como mencionei lá no inicio, o segredo de tudo esta no termo Hypnagogic, e o desvendando será muito simples entender o conteúdo.

Vamos lá então, Hypnagogic, ou traduzindo para o surrado português, Hipnagógicas (os), são alucinações vivenciadas através dos sono, experiências estas perceptivas e vividas que acontecem no início do sono, basicamente consistem em sonhos que estão relacionados a fenômenos visuais, táteis e auditivos, estas alucinações ocorrem quando o individuo acredita estar acordado, é possível, ver, ouvir, sentir, mas inexistem movimentos, por estes fatores as tais alucinações hipnagógicas estão relacionadas com a temida paralisia do sono.

Bem, tendo elucidado você, agora é simples, prazeroso e por deveras perigoso adentrar ao particular mundo de “Songs From The Hypnagogic Cave”. Sonoramente existe um linha tênue que pode tornar-se piegas para outras bandas que pretendem aventurar-se ao universo do dream pop, muitas obras soam datadas mesmo antes de serem apreciadas, outras tendem a uma supérflua aura etérea que simplesmente não funciona, o que atualmente faz com que pouquíssimos artistas obtenham um resultado eficaz.

No caso do Electric Lo Fi Seresta, em sua viagem pela caverna hipnagógica, as canções unem-se umas as outras, não havendo aqui, ‘hits’, mas entrelaçamentos onde cada uma funde-se na outra, talvez apenas num único momento este elo é ruidosamente estilhaçado, muito provavelmente, de maneira premeditada pelo autor, trata-se de “Gash Dance”, um momento onde o sono/sonho pode ser quebrado, dependerá do tamanho da sua imersão na obra.

Neste sono/sonho sonoro, a predominância de uma aura cinzenta e esfumaçada direciona o ouvinte, obviamente que o dream pop do Electric Lo Fi Seresta vai além, muito além da simples fofurice de seus contemporâneos: aqui, ecos de obras languidas do post punk, leia-se “Harmony” (The Wake), “In Silence” (Fra Lippo Lippi), servem de combustível criativo, aliado a beleza e exuberância melódica de baixa estética, que se assemelha a cena de Dunedin.

“Songs From The Hypanogogic Cave” não surtirá nenhum efeito em você, caso não seja apreciado como se aprecia um conto, sua audição deve ser feita introspectivamente sem haver qualquer tipo de interferência exterior, caso contrário, jamais, veja bem, jamais você vai compreender o mundo do sono/sonhos proposto por Guilherme, ou Electric Lo Fi Seresta.

Caso você já tenha acordado, caso não, procure um especialista.

Ouça na página da banda.
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Postado 13/07/2020 às 8:56

Depois de 24 anos, Low Dream ganha clipe novo

Depois de 24 anos do álbum “Reaching For Balloons“, a Low Dream ganhou mais um clipe. “A Sky Between Us” foi lançada no último dia dos namorados. Assista:

O clipe temporão foi dirigido pelo ex-baterista da banda, Giovanni Fernandez, que também é fotógrafo, videomaker, designer gráfico e artista plástico. Quase como uma distorção temporal, o clipe entrou nos melhores de Junho do Hits Perdidos.

Aproveita que você vai no YouTube e segue a nossa página. Lá tem uma playlist com mais de 160 videoclipes de bandas do selo.

 

Postado 11/07/2020 às 10:44

Echo Upstairs reúne integrantes do Lava Divers, Oruã e Early Morning Sky

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Echo Upstairs é a nova banda de um monte de gente bacana: Ana Zumpano, ex-baterista do Lava Divers; Gilbert Spaceh, ex-guitarrista do Early Morning Sky; Mauro Terra, baterista do Early Morning Sky e Bigu Medina, de vários projetos na Transfusão Noise, incluindo a Oruã.

Nascida em 2018, com alguns shows pela capital paulista, a Echo Upstairs foi forçada a adiar os planos de lançamento de um EP para sua estreia. De um total de 9 músicas compostas, o isolamento fez com que apenas “Green Quartz” fosse finalizada. “Essa música nasceu de um riff que tenho desde os 20 anos de idade e só agora tive tempo e vontade de me aprofundar e amadurecer essa composição. Gravei tudo aqui em casa (voz, guitarras, bateria, sintetizadores e meia lua) e o Bigu compôs e gravou a linha de baixo na casa dele”, explica Ana.

“Green Quartz” sai hoje, 08 de Julho, em single digital. A estreia oficial do Echo Upstairs traz ainda um belíssimo videoclipe feito por Fernanda Suaiden. Juntando trechos de uma performance de dança de Ana Zumpano, Fernanda compôs o vídeo. “A sobreposição de imagens e texturas têm intenção de fazer um mergulho na memória. Criar imagens carregadas de símbolos que quando combinadas afloram mandalas. Assim percebemos que o sonho, quando revisitado, cria novas formas e linguagens“. O clipe promove o lançamento da música, com premiére exclusiva no site Hits Perdidos.

Clipe e capa formam uma unidade visual para “Green Quartz”.  A capa é uma montagem de um ensaio fotografado por Gilbert Spaceh um pouco antes da pandemia. “Escolhi a imagem que me chamou mais atenção, onde estou numa posição que não dá pra ver a minha cabeça e isso me causa a sensação de estar ao mesmo tempo, dentro e fora de algum lugar”, detalha Ana. A capa foi finalizada com o músico e designer Rafa Bulleto, usando imagens processadas de cristais.

“Green Quartz” será lançado também nos serviços de streaming na próxima sexta, 10 de Julho.

Ouça Echo Upstairs na página da banda
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Postado 08/07/2020 às 12:15

Há 6 anos atrás, o Brasil perdia de 7×1 para Alemanha

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Os Gambitos comemoram o aniversário do 7×1 com videoclipe e karaokê.

Nesta quarta-feira, 8 de julho, faz 6 anos que a Seleção Brasileira tomou de 7×1 da Alemanha pela semifinal da Copa de 2014 no Mineirão. Assim, foi a data escolhida pro lançamento do clipe da música “Uma Palavra em 7a1emão”, d’Os Gambitos. Dois clipes, na verdade: a versão “normal” e a versão karaokê, sem os vocais e com a letra na tela acompanhando as imagens.

O clipe, realizado em parceria com a Vinil Filmes e dirigido por Marco Martins, é inequivocadamente resultado da safra de vídeos da quarentena: os integrantes da banda e amigos em casa, às voltas com afazeres domésticos e estratégias pessoais de saúde mental. A situação da pandemia se relaciona com a letra da música e até o choque diante daquela goleada nesse sentido, o da impotência diante da magnitude da história e a tentativa de fazer alguma diferença ou intervir, dentro das possibilidades de cada um. Mais ou menos como cantar uma versão karaokê dos acontecimentos do mundo.

A música “Uma Palavra em 7a1emão” faz parte do EP “Ilha do Pathos pt2″, lançado pela banda florianopolitana no último dia 23 de abril.

Postado

Valv dá a receita de como se salvar de uma extinção em massa

Valv dá a receita de como se salvar de uma extinção em massa.
sobre o novo EP “Silurian”, por Glauco Ferreira e Geórgia Cynara

O Valv é uma das poucas bandas brasileiras independentes ativas que contam com mais de vinte anos de existência numa bela e crescente escala evolutiva. Além de sobreviverem e superarem quaisquer riscos de extinção, sucederam tudo e todos e emergem neste miolo de 2020 mais vigorosos do que nunca, com “Silurian”, um EP com três sons novíssimos. Definitivamente o melhor e mais poderoso registro que, o agora quinteto, já fez até então.

Numa escala de tempo sonoro, surge o quarto registro gravado, mixado e masterizado localmente em Belo Horizonte, MG, no estúdio Frango no Bafo. Trabalho de casa, feito a mão por praticamente todos da banda, muito bem pensado e cuidado nos mínimos detalhes. Dá para sentir, do início ao fim, que o coração da banda foi colocado na ponta dos dedos e nos vocais e letras, mais simples, ainda melhores e mais diretas.

Feita a troca de impressões e uma conversa com o anjo da guarda sobre o que ouvimos, “The Signs I Sent” soa juvenil, aguda e muitíssimo brilhante. Lição de simplicidade nas harmonias, riqueza de texturas e densidades com uma preocupação caprichada na dinâmica, o que é sabedoria valiosa para quem já sabe muito bem o que faz. Esse som é como uma respirada profunda, que mistura viagem no tempo e ar renovado!

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Em seguida vem “When She Says No”, nascida na grade de acordes do Valv e embalada por uma sensação nostálgica, agrada tanto quem já conhece e curte a banda de outros janeiros passados, tanto quanto aqueles que ainda irão descobrir o som deste mês de junho em diante. A sensação de delírio e simplicidade aparecem de cara no retorno ao território familiar cru e doce dos sons feitos. Serão todos capturados!

Finalmente temos “Elsinore”, alvo de muito interesse e rica em novidades e renovação. Certamente é o som mais desafiador deste pacote sonoro. A bateria surpreendente, o vocal vai no limite, o fraseado do baixo que sai da função fundo da cozinha. Tudo acompanhado por guitarras eficientes, econômicas e muitíssimo generosas – entram e saem no momento certíssimo – que autorizam o refrão a cair num blocão poderoso e na maior medida que a banda sabe muito bem como fazer. A odisseia que vem depois é um crescendo minimalista absoluto… e infinito.

Se a paciência aprimora a existência, o tempo tudo transforma. “Silurian” marca os primeiros sons conhecidos, já totalmente adaptados às novas condições dos sons que acabaram de nascer.

Vida longa ao Valv.

Glauco Ferreira é amigo, músico, e fez parte de bandas da cena belorizontina, como Constantina, Automatic High Speed e Rallye

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Confira os teasers em vídeo feitos por amigos da banda no IGTV do midsummer madness

Postado 26/06/2020 às 6:38

Churrus lança primeiro single de futuro álbum de extras

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Em 2019, o Churrus lançou seu 4º álbum intitulado “Atlantic Railroad” nos formatos vinil e digital pela Fleeting Media. Durante o longo processo de composição, várias músicas acabaram não entrando no disco. Para fazer justiça às boas músicas que ficaram de fora, o quinteto de São João Del Rey (MG) vai lançar um disco de extras chamado “Besides”.

O primeiro single sai nesta quinta feira, 18 de Junho. Túlio Panzera, vocalista e guitarrista falou a respeito da música, que foi composta em tempos de corona vírus.

“Sweet Tides of Esperança” é uma música inusitada para tempos inesperados.

Sensibilizada pelos impactos causados pela pandemia do novo coronavírus, a gente decidiu compor uma singela mensagem de otimismo e transmití-la mais uma vez para além do Atlântico. As conexões entre Brasil e Inglaterra – já trabalhadas anteriormente pela banda – são novamente retomadas, intermediadas pelas necessidades impostas pela quarentena: a reclusão em Clifton Village, registrada na foto de capa do single, e as sonoridades tradicionais que foram interrompidas em São João del-Rei, percebidas logo no início da canção”.

A formação atual da banda conta com Igor Monteiro (da banda local Remédios Sem Causa) no baixo. Igor entrou no lugar de Bruno Martinho, agora no Valv. A atual formação do Churrus é Matheus Lopes (voz e guitarra), Luís Couto (voz, guitarra, sintetizador), Igor Monteiro (baixo), Daniel Mascarenhas (bateria), Tulio Panzera (voz e guitarra). Todas as músicas de “Besides” foram gravadas ainda com Bruno no baixo.

“Besides” ainda não tem data confirmada de lançamento. O Churrus também prepara uma versão remasterizada de seu primeiro disco, “The Greatest Day”, originalmente lançado em 2007 em CD pela própria banda, com distribuição via midsummer madness. A versão remasterizada vai cobrir a lacuna que falta no catálogo digital da banda, sendo lançado exclusivamente no formato digital.

Ouça a versão original do “The Greatest Day” do Churrus no Bandcamp ou no mmrecords.

O single “Sweet Tides of Esperança” é uma das faixas de “Besides”, será lançado pelos selos Fleeting Media e Midsummer Madness apenas no formato digital.

Ouça no mmrecords
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Postado 18/06/2020 às 7:55

Verano tem dois álbuns relançados para streaming

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(foto de Iris Zelada)

As paredes, a praia e os encontros
(Verano por Fábio Bianchini, do Superbug e Os Gambitos)

A Verano deixou dois registros gravados: o curta -metragem “Stonehill Sysyphus, com seis faixas em 2008, e o longa “Un Amor Lejos”, com onze em 2011, ano do último show da banda. No comecinho de 2011, aniversário de um amigo querido. Agora, em 2020, quando esses registros chegam a outros veículos, de downloads, essas canções todas ainda guardam, principalmente, as correntes de ar de quando saíram pela primeira vez. Ar livre e espaço aberto, essas saudades.

Os textos da época explicam isso mais detalhadamente, mas “Stonehill Sysyphus” é a Verano se encontrando, tomando corpo, achando sua voz sossegada, como em um retiro no Sul da Ilha (de Florianópolis), às vezes pegando o vento frio do mar no início de inverno, às vezes abrigada. As referência alt-folk são claras, mas não aprisionam, e a dramaticidade ocasional empresta ares teatrais.

Da mesma maneira, o clima melancólico, sempre ali, não chega a encharcar a música. Tem vinho, tem vento assobiando, tem comida quentinha na mesa. E o clima (clima e ar são palavras fudamentais aqui no que se refere à Verano) é reforçado pelas gravações domésticas e cuidadosas.

Já “Un Amor Lejos” é como estar em uma viagem, uma festa linda, mas também como olhar o álbum de fotografias. De verão. Pode ser olhar poucas semanas depois, como era o caso quando o álbum saiu, ou passados vários anos, como agora. A diferença é que em 2020 ver tudo isso também é lembrar de um mundo onde parecia que se podia fazer tudo. Encontrar as pessoas, alongar músculos musicais e chocar referências de baladas, valsas, folk, surf-music, jazz, música nativista. As paredes eram referência, não fortaleza.

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A sensação de ir para tudo quanto é lugar era também resultado de uma série de shows e da estabilização da formação da banda. Encontrar gente era bom demais, ir nos lugares era bom demais. E de tanto irem para tudo quanto é lugar, os integrantes também acabaram indo para tudo quanto é lugar eles mesmos e a banda encerrou as atividades ali por 2011.

Encontrar essas duas coleções e essas canções todas de novo é agora uma sensação de continuidade, de uma sequência de momentos e acontecimentos que faz todo o sentido. Inevitabilidade não, isso é coisa de quem quer caminho narrativo fácil quando já convencionou o que é o fim da história.

Não é tão simples assim, mas é bonito e continua cheio de possibilidades exploradas e abertas.
Em Maio de 2020, os dois registros da Verano foram relançados nos portais de streaming:
Ouça na página da banda.
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Stonehill Sisyphus
Un Amor Lejos

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Stonehill Sisyphus
Un Amor Lejos

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Stonehill Sisyphus
Un Amor Lejos

Verano na Apple Music

Postado 01/05/2020 às 9:24

Apreciam prazeres simples, gostam das mulheres, de cinema e de banhos de mar

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Fábio Bianchini, a lenda dona d’Os Gambitos, está lançando um EP com três músicas do seu debut. Não era pra sair EP nenhum, mas as circunstâncias do Mundo atual o fizeram repensar. O idílico título desta notinha descreve os habitantes da Ilha de Pathos, local atual de morada de Bianchini, uma ilha que tem uma cidade mais conhecida como Florianópolis.

Bianchini nos enviou um texto explicando:

Essas três músicas eram pra sair agora, mas não assim. Na verdade, talvez saíssem um pouco depois: talvez o plano de gravar e finalizar o tal do álbum atrasasse, mas as músicas sairiam todas juntas, naquele conceito pretendido, que já tinha até rascunho de ordem das faixas. Mas sempre tem alguma coisa, dessa vez teve 2020.

“Ilha do Pathos pt 2″ tem esse nome porque a parte 1 são os singles que saíram antes (“Praça” e “É Proibido Ser Feliz em Santa Catarina”) e o cover de “Closedown” do Cure, incluído na coletânea do blog-selo The Blog That Celebrates Itself. A parte 3? Bom, planejar as coisas com antecedência nunca foi o forte dos Gambitos, mas é esquisito não ter a prerrogativa de fazê-lo. Talvez se chame Meiembipe.

Antes de ser Florianópolis ou Desterro ou Ilha de Santa Catarina, isso aqui se chamava Ilha dos Patos. Antes se chamava Meiembipe, nome mais bonito desses todos, dado pelos Carijó. Quase foi esse o futuro nome do álbum, mas também é (ou era?) o nome de um motel famoso. Uma forma conveniente de travar conhecimento com uma cidade é procurar saber como se trabalha, como se ama e como se morre.

“Não tem como dar tudo certo; tudo errado também não vai dar; tentar um média decente é a história de qualquer lugar”, tá ali na faixa Uma Palava em 7a1emão (pronuncia-se “em alemão” ou “em Talemão”, tanto faz). Essas músicas eram pra sair agora.

O EP “Ilha do Pathos pt 2″ está sendo lançado digitalmente apenas.
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Postado 23/04/2020 às 7:45