Quando saiu o primeiro single deste novo disco do Cigarettes, eu disse que achava “Clareana T” o segundo melhor álbum da banda. Duas semanas depois, esse disco já virou o melhor na discografia da banda, na minha opinião.

São 8 álbuns no catálogo do Cigarettes. “Bingo”, o primeiro saiu em 1997 (relançado em 2022) continua um dos meus Top 3. Mas “The Cigarettes”, o quarto (ou quinto, nunca sei) de 2012, um dos primeiros vinis que o midsummer madness lançou, ocupava há bastante tempo o top das minhas paradas. As 11 músicas de “Clareana T” foram aos poucos roubando os espaços.

Um disco novo do Cigarettes em 2025 me surpreendeu desde os primeiros esboços que sairam depois dos 4 dias de gravação no Estúdio Hanói no Rio de Janeiro. Apesar de conhecidos de longa data, Ricardo Spencer (baixo) e Ricardo Ribeiro (bateria) não gravavam juntos há bastante tempo. Todos morando em lugares diferentes, encontraram o Marcelo Colares (guitarra, voz) em poucos dias e se ajustaram magicamente.

Esse disco novo me surpreendeu também porque o Marcelo deveria ter um milhão de outros problemas para se preocupar. Quem acompanha o Instagram da banda sabe que fisicamente, continuar tocando pode ser um esforço bizarro para ele. Mas em “Clareana T” o Marcelo fez tudo – conseguiu levantar a grana necessária para gravar através de um financiamento coletivo, se deslocou para o Rio, depois São Paulo e depois ainda Juiz de Fora, com ajuda de muitos amigos, para fazer shows, gravar vídeos e, absolutamente inpensável para mim, conseguiu fundos para masterizar com Alan Douches (o mesmo que deu o tapa final no relançamento do “Bingo”). Como escreveu o Marco Antônio Barbosa (leia aqui), uma saga.

“Clareana T” tem músicas que empurram faixas que eu amo do “Bingo” e de “The Cigarettes” para os cantos e ocupam estes novos espaços. “Move Away”, “Tired of Living”, “Empty Inside” e “I’ll Be Happy” são algumas delas.  Todas enfeitadas por participações especialíssimas como Ana Zumpano (Echo Upstairs, Retrato, Antiprisma, Oruã), Gustavo Seabra e André Saddy (Pelvs), Eliza Möller e Juliana Trevisan (Gaspacho) e John Di Lallo. O disco ainda traz participacões de Martha Bitten (The Lautreamonts) e uma composição em português de Laura Wrona. Toque final na mixagem do Eduardo Ramos que lançou vários discos do Cigarettes pela Slag! no final dos anos 1990 (“All is Well”, “Blue Sun” e “The Song Machine”) e da Silvia Rodrigues na arte da capa, que me leva para as ruas de Itaperuna, interior do Rio de Janeiro, onde Marcelo mora e onde eu passei todas as minhas férias de infância.

É estranho e bom que o Cigarettes esteja lançando um disco tão “Cigarettes” como este “Clareana T” em 2025. Na minha cabeça, nostalgia, fantasmas, alegrias e tristezas. Na minha função de selo, eu continuo com a sensação de que o Mundo precisa ouvir o disco. Mas eu já não sei como se faz isso. Antes, a gente copiava fitas e ia pro Mundo. Hoje o Mundo tá aqui no seu telefone e no seu computador. Mas não dá para saber se tem alguém do outro lado. Se vocês estão ouvindo esse disco ou não, eu não sei. Eu não páro de escutar.

Leia o texto que o Marco Antônio Barbosa escreveu, ouça o disco na página da banda no mmrecords.com.br

Ou então, ouça, baixe e compre a versão digital, leia as letras, no Bandcamp

Mas se você preferir, “Clareana T” também está em todos os streamings (por favor, evite o Spotify: é o que menos paga as bandas e o seu CEO financia empresas que fabricam armas):
Apple Music
Deezer
Tidal
Amazon Music
Spotify
Tidal

“Clareana T” será lançado em CD. Assim que o disco for para fábrica, a gente avisa.

(fotos por Ana Gouveia)

 

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