Mas quem diabos é Velha? Ouvindo o disco de estreia talvez não fique claro imediatamente que se trata de Gustavo Seabra, vocalista e guitarrista da Pelvs. São menos guitarras, mais cordas, xilofones e piano, as letras não são aquele delicioso broken English mas sim um carioquíssimo português. Tem oboé, Exu, e um monte de temas e imagens que não apareciam na Pelvs.

Mas sim, este é um disco do front man da Pelvs. Um disco que começou a ser composto 20 anos atrás. Roubando trechos do texto escrito pelo amigo de longa data André “Pelé” Tartarini (leia na íntegra aqui), “Velha sentiu (…) que era momento de se desafiar: compor em português, vontade antiga, e buscar um estilo próprio, que ampliasse os horizontes de seu universo(…)“.

Nestas duas décadas, esse disco ia e voltava. Dezenas de planos para lançá-lo foram feitos e abandonados, principalmente por causa da obssessão de Gustavo (eu ainda não consigo chamá-lo de Velha) em lapidar cada detalhe, cada nota. Composto e produzido em parceria com o tecladista da Pelvs, André Saddy, Velha traz muitas colaborações de Rogério Skylab (em “Não Tem Mais Ninguém”), Laura Wrona (voz em “Prédio” e “Aguarrás”), Ricardo Sardinha (letra de “Lâminas”), Marcelo Colares (do Cigarettes, coautor de “Mandy”, “Arpoador” e “Every Single Time”) e Ricardo Ribeiro, (da Pelvs tocando bateria em “Mandy”). 

Ter um home-studio pode ser uma vantagem mas pode ser um atraso; perfeccionista e obssessivo, Gustavo deve ter feito mais de 3 dezenas de versões de “Velha”, e no final, ainda saiu cortando algumas músicas.  As 8 faixas que finalmente estão sendo lançadas têm resquícios de Dinosaur Jr., Boo Radleys e Yo La Tengo. Mas a vibe geral é outra: vento praiano no rosto, violão com os amigos no final de tarde, conversas ao pôr do Sol. A capa, feita pela querida Beatriz Lamego (que faleceu em 2022) e Sol Moras traduz bem o som do Velha.

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Título do post foi honestamente roubado do texto escrito por André Tartarini.
Foto por Peterson Pessoa

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