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\BANDAS\

The Gilbertos

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aconteceu da seguinte maneira,

em dezembro de 1998 Thomas Pappon nos mandou um email perguntando se organizaríamos um show do Fellini porque ele estava vindo ao Brasil e queria tocar. Apesar de todos os contras do Rio de Janeiro, o show saiu. Foi num 20 de dezembro quase natalino na boate BUNKER. PELVs abrindo para FELLINI. Foi um dos shows mais divertidos que eu já vi. O contato com Thomas (a quem eu conhecia apenas da Stiletto e do Fellini) fez com que eu o inundasse de fitas do midsummer madness. A resposta dele foi “Gostei muito do astral do selo e vou te mandar uma fita de um projeto meu solo”. Nunca imaginei que ele fosse mesmo mandar. Mas a fitinha chegou.

Em 1992 o midsummer madness estava preocupado com Second Come, Pin Ups e Juntatribo, na fúria dos hormônios adolescentes. Não me lembro o que acontecia mas o Thomas foi embora pra Europa. Não tenho certeza, mas foi época de Collor e impeachment, tempo de “Terra Estrangeira”. Em Berlim ele comprou um Tascam e criou o The Silence Minute que virou The Gilbertos no minuto seguinte.

“Não, não é apenas por causa da Astrud e do João. É que queria um nome simples que desse uma ideia do som. The Gilbertos é perfeito, porque é um nome comum, banal e que tem tudo a ver com a MPB”, Thomas explica. Em casa ele tinha um porta-estúdio Tascam 5, uma guitarra coreana, um pedal de efeitos, um baixo, um violão e um teclado – todos Yamaha – uma bateria eletrônica, um sample Akai S 01 e dois microfones X-Ray. Segundo ele tudo barato, vagabundo e OK. Com estas tralhas ele saiu gravando músicas. E todas elas vieram numa cassete.

Dai você, em pleno verão carioca, coloca a fita de um cara com please come back na cabeça e ele começa a falar de petite mama de gantois, Salvador, Rio de Janeiro, amor/amor/amor. Tinha que virar CD na hora, não que isso fosse dar mais credibilidade a música mas, aquele velho sentimento de que mais pessoas tinham que escutar aquilo. Antes do CD ser lançado, um Ep com a música Baby Is Not At Home (mm37) que traz 5 músicas inéditas, sendo 2 versões da faixa-título, uma em francês e outra em alemão, Silver & Gold que foi tirada do Eurosambas no último minuto, uma versão para Samba e Amor do Chico Buarque e a também inédita Christ(a).

Depois, Eurosambas 1992-1998 finalmente saiu. “No aniversário de 10 anos da queda do muro de Berlim”, como gostava de enfatizar Thomas.

Na capa tem escrito LOW FI STEREO – porque é isso mesmo. Dentro do CD tem sambas e MPB reprocessados bem longe daqui, com bastante saudade. Como disse Cadão Volpato (Fellini): Foi uma surpresa ouvir pela primeira vez as “canções de exílio” do meu amigo Thomas Pappon. Ele não vai concordar, mas no fundo, no fundo, elas são tudo o que o Fellini queria ter sido. Eu as ouço ainda hoje, num toca-fitas vagabundo, tantos anos depois da primeira vez, e continuam soando como aquelas coisas que eu modestamente gostaria de ter cantado antes da aposentadoria. Minha mulher e minha filha são fãs também. Como a pequena costuma dizer: as músicas do amigo do papai.

A capa do CD foi feita por Renato Yada e ficou linda. Cadão escreveu e compos Everywhere com Thomas e fez os desenhos do encarte. Na assessoria técnica de passar as fitas vagabundas pro CD,  Akira S. No CD, temos músicas de 1992 (everywhere e she´s so fine), 1993 (polly, baby is not at home e jimmy scott) até 1998 (elefante & castelo e erundina song). Polly é de Gene Clark, uma versão de sua carreira solo. Parece ser uma das coisas que Thomas mais escutava junto com Wolfgang Press, PM Dawn, Beta Band e Aphex Twin, e grupos alemães como Blumfeld e Captain Kirk também pesaram.

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Os Eurosambas tiveram excelente repercurssão ainda depois de 7 anos de lançamento: a EMI – Portugal inclui a música Amor Amor Amor numa coletânea com Arnaldo Antunes, Adriana Calcanhoto, Herbert Vianna, Ed Motta entre outros figurões da MPB.

Em 2003, Thomas se reuniu com seus colegas do Fellini para um show histórico no palco principal da 1ª edição do TIM FESTIVAL no MAM – RJ, tocando junto com White Stripes, The Rapture e Super Furry Animals. Naquela época, o 2º disco – Deite-se ao meu Lado (mmcd10, 2004) já estava gravado. Com 10 músicas inéditas, explorando o conceito de canção e bem mais MPB do que o anterior.  Deite-se ao Meu Lado traz curiosidades: a 2ª música, chamada Dia D, tem a participação do vizinho de Thomas, o músico do High Llamas e ex-produtor do Stereolab, Sean O’Haggan tocando banjo.

A gravação do 2º álbum seguiu o mesmo processo de Eurosambas e do 5º disco do Fellini – na casa de Thomas, em Londres, em seu porta-estúdio. Akira S.  de novo ajudou na produção. A última música, Goodbye, Hombre, é uma homenagem ao amigo da banda, Minho K que faleceu em 2002.

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Em 2011, The Gilbertos lançou seu 3º disco intitulado À Noite Sonhamos, pela Pisces. Thomas, em entrevista para o blog Mofo, descreveu o álbum assim: “é o disco ‘raiz’, inspirado no rock anos 70 e 80, na São Paulo da minha adolescência, na Pompéia e na USP, (…) tem bateria de verdade, gravada na garagem de casa, e tem o Akira fazendo os baixos.” Quem também fez elogios ao disco foi o blog Scream & Yell: “Desde que “A Hora de Zarpar” ressoou na sala de casa, não consigo parar de ouvi-lo. É daqueles discos que mesmo lançado três anos atrás soam tanto atemporais como promovem uma incursão no passado digna de Marcel Proust. No meu caso, me levou prum quartinho nos distantes anos 80, tempo em que os vinis do Fellini rodavam sem parar em casa.

Em 2014, aproveitando uma viagem longa de trabalho ao Brasil, Thomas aproveitou para lançar o 4º álbum. Um Novo Ritmo Vai Nascer tem 10 canções gravadas mais uma vez na casa de Thomas em Londres, com ajuda de Ricardo Salvagni (Fellini) e de Lauro Lelis (ex baterista de Tom Zé) enviando arranjos de baixo e bateria via internet. Um Novo Ritmo Vai Nascer  “olha para a MPB e diz: tem um caminho que você precisa seguir para que as pessoas que gostam de rock voltem a sacar que a MPB pode ser interessante (como foi até 1978)”, explica Thomas.

A longa viagem de trabalho se estendeu o suficiente para o The Gilbertos ensaiar e fazer shows. Além de Ricardo e Lauro, Thomas chamou Astronauta Pinguim para acompanhar nos samplers e teclados. Além disso, a capa das versões digitais e cassete foram criadas por Clarisse San Pedro que também está preparando um videoclipe para a faixa “Apesar”.

Assim, o álbum foi lançado com pompa e circunstância, em formato digital e fita cassete. Isso, fita cassete. Mas uma fita chique, importada, não mais aquelas fitas caseiras gravadas em casa. A versão de Um Novo Ritmo Vai Nascer tem tiragem limitada de 108 unidades e vem com um código para download da versão digital em alta resolução.


Compre a versão digital de “Um Novo Ritmo Vai Nascer”
Bandcamp: midsummermadness.bandcamp.com/album/um-novo-ritmo-vai-nascer

Compre versão digital de “Deite-se Ao Meu Lado”:
Bandcamp: https://midsummermadness.bandcamp.com/album/deite-se-ao-meu-lado

Os Eurosambas 1992-1998
Bandcamp: https://midsummermadness.bandcamp.com/album/eurosambas-1992-1998



Clipe de Goodbye Hombre feito por Walter:

Imagem de Amostra do You Tube

 

Entrevista para o blog Mofo:
“Quem ouve a palavra ‘Gilberto’ aqui pensa na Astrud, no Brasil, em bossa nova…com o ‘The’ na frente parece meio coisa de conjunto de rock.”
Leia na íntegra clicando aqui.

 

Matéria para o jornal Estadão sobre Um Novo Ritmo Vai Nascer:
Sintetizadores moogs antigos, versos de uma psicodelia extemporânea e um ou outro sample: a nova aparição do The Gilbertos passará com a brevidade de um cometa, como sempre. No máximo haverá um ou outro show no SESC, anuncia Thomas. “Sou músico, mas é difícil discutir o que é sucesso, qual é a razão de existência de uma banda, ele filosofa. “Uns 50% das bandas que eu gostava nos anos 1980 eram bandas obscuras que sumiram. Guardadas as devidas proporções, talvez The Gilbertos entre um dia naquela categoria tipo Velvet Underground – grupos que nunca fizeram sucesso mas mudaram a forma das outras bandas pensarem“.
Leia matéria na íntegra clicando aqui

Resenha sobre o álbum Um Novo Ritmo Vai Nascer no blog Monkeybuzz:
O quarto disco de The Gilbertos é uma boa oportunidade para percebermos o que pode e o que não pode ser considerado MPB, sempre lembrando que há possibilidades aqui e ali, basta saber conectá-las e ligar os pontos. Thomas Pappon, lá de sua casa em Londres, consegue enxergar nuances que passam despercebidas da maioria. Disco legal.
Leia resenha na íntegra clicando aqui