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Stellar

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O Stellar surgiu em 1995 depois do fim de Second Come, Drivellers e Stellarblast. Ex integrantes destas bandas, todos moradores de Niterói, resolveram começar a tocar juntos. São eles: Fábio (ex Second Come, que vinha se dedicando a uma outra banda chamada Tormentor junto com Leandro Ferreira, que tocava no Stellarblast), Beatriz Lamego, Cadu Pilotto (ambos ex Drivellers) e Leandro Ferreira. Era quase um super-grupo do indie rock da época, e ainda mais marcante, um dos poucos a usar 3 guitarras, 3 vozes, percurssão e nenhum baixo. Depois de muitos ensaios e nenhum show, ainda em 1995, gravaram sua primeira demo: “Thrumming Soothingly” (mm11). Esta fita trazia 11 músicas e uma embalagem especial, em caixinha de papelão.

Em 1997, quase 2 anos e apenas 2 shows depois, o Stellar participou do festival Expo Alternative no Rio. Mesmo tocando sem o baterista e com outro guitarrista no lugar de Leandro (Sol Moras, ex-guitarrista da banda Swallow 5), a repercussão do show foi muito boa e a banda se animou para gravar seu 1º CD. Antes de começar a gravá-lo, para não ficar limitado às músicas da primeira fita, o Stellar resolveu gravar novas músicas. Dai saiu a 2ª demo, “Transmigrations“, que foi descrita assim por Marcelo Colares, guitarrista do Cigarettes, jornalista e amigo da banda: “O puro deslizar através das freqüencias que se estendem quase infinitas. Às vezes não tem como descrever esse tipo de som. O que talvez seja uma qualidade. Ou talvez não. São barulhinhos que se repetem, até que aqui e ali começa a se desenvolver algo que poderia ser uma melodia, mas que não chega a isso, o que não é demérito, pelo contrário. A fita em questão não tem relação alguma com o primeiro cassete do grupo “Thrumming Soothingly”, onde estávamos diante de uma banda quase pop que poderia lembrar tanto Mercury Rev, quanto Curve ou Faith Healers, este tipo de pop.(…) A gravadora americana Kranky poderia ser uma referência. mas não bastaria.

O jornalista Alexandre Matias escreveu o seguinte sobre Transmigrations na época: “Transmigrations é o primeiro registro de pós-rock no Brasil – e dificilmente encontrará par. É também, fácil, a melhor demo do ano. São seis canções gravadas em 10 horas de incursões sônicas “alteradas quimicamente”, como eles gostam de salientar, nos mandando de bate-pronto para um hiperespaço interior, numa melancolia calmamente etérea. Ao conjunto da obra, acrescentou-se uma versão perdida para “The Top”, do Cure, gravada em 95.”

O CD “Ultramar” ficou pronto em 1998 mas só foi lançado no ano seguinte porque a banda havia dado um tempo enquanto Fábio e Cadu decidiam se continuavam no Stellar. Em 1999, basicamente com Bia e Sol, “Ultramar” finalmente saiu pelo midsummer madness. O jornalista Pedro Alexandre Santos da Folha de São Paulo avaliou o disco com 3 (num total máximo de 4) estrelas desta forma: “Também pelo selo Midsummer Madness, sai “Ultramar”, do climático grupo Stellar, em CD modesto, de capa simples de papel, embora em belo projeto gráfico. A qualidade de gravação é bem parcial também, mas o caso aqui é de ousadia em lançar, de apoio aos novos etc… Reunião de ex-membros de bandas do circuito underground como Second Come, o Stellar segue a linha indie rock silencioso, sideral, levemente eletronizado, meio Joy Division, em inglês, destinado mais ao sofá de casa que às paradas de sucesso. Atenção especial (espacial?) a caixinhas de delicadeza como “Hyperwave Decoder”, “Full Flavour”, “Flux”, “Soda”, “Arjoona”…

Em 2000, o Stellar reune sua formação quase-original (exceto Cadu) para ensaiar para seu 4º show em 6 anos. Nestes ensaios, músicas que já haviam sido gravadas por Sol, Bia, Leandro e Régis Arguelles (baixista do Cigarettes, 4Track Valsa) foram finalizadas. O resultado é uma continuação das frequências e climas de “Ultramar”, com algumas faixas cantadas por Bia e outras por Fábio. Com 5 músicas, nasce o EP “4″.

stellamont_web.jpgSobre “4″, o jornalista Sérgio Carvalho, do Correio do Povo (Campinas) escreveu: “…o Stellar busca aqui os limites da experiência entre o baixo, guitarra, bateria e voz. As faixas não tem um nome, no encarte do CD só aparece o tempo de duração das músicas. (…) o grande destaque é a volta de Fábio que havia saído do grupo após a gravação do maravilhoso álbum Ultramar. Destaque para a faixa 2 em que o vocal de Bia e Sol se misturam no emaranhado sonoro que começa crescendo e vai diminuindo gradativamente até desaparecer da nossa vista, ou melhor, dos ouvidos.”

Em 2000, o Stellar abriu o show da banda Stereolab no Cine Íris, no Rio de Janeiro. Tocando com Sol, Fábio e Beatriz nas guitarras, Régis no baixo e Gustavo (da Pelvs) na bateria, o Stellar fez seu mais importante e até hoje último show.

Beatriz e Sol tocam juntos no Enseada Espacial. Gustavo (Pelvs), Beatriz e Sol tocam juntos no Elevador.