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Sci Fi

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Uma viagem sonora lo-fi e despretensiosa.

Assim pode ser definido “Sci-Fi”, EP de estreia do projeto de mesmo nome do músico mineiro Bruno Faleiro, ex-baixista da finada banda Câmera. Gravado entre julho e outubro de 2016, em Belo Horizonte, a produção é assinada pelo próprio artista em parceria com Matheus Fleming, também seu ex-companheiro de banda. Levando à risca o termo do it yourself, Faleiro transformou o escritório de seu apartamento em estúdio improvisado. São justamente a urgência e o experimentalismo que traçam o DNA das seis faixas de “Sci Fi”.

Bebendo na fonte do rock alternativo das décadas de 80 e 90, o EP é uma espécie de viagem no tempo através de acordes bem trabalhados, riffs estridentes de guitarra e vocais espaçados e distorcidos. Essa viagem no tempo, mesmo que seja para um futuro incerto e desconhecido, segundo o músico, tem referências no longa “Primer” (2004): “É um filme onde, com pouquíssimos recursos, um grupo de jovens constrói uma máquina do tempo na garagem de casa. Além de toda a experimentação, que também é um traço do Sci Fi, as músicas também são uma máquina de viagem a outras épocas e, também, no futuro serão o registro desse tempo”, compara Bruno.

Para a gravação, que também contou com sessions na sala do apartamento do produtor Matheus Fleming, onde foram gravadas as baterias e feitos os processos de mixagem e masterização, a dupla utilizou apenas dois microfones e uma placa de som, o que traz características ainda mais “caseiras” para o som. Além de Fleming, participaram das gravações os músicos Marco Túlio Ulhôa (ex-Pequeno Céu) e João Carvalho (El Toro Fuerte, Rio Sem Nome, Sentidor).

Texto: Alisson Guimarães (Popload)

História
Bruno começou suas primeiras bandas quando ainda morava em Corumbá (MS), nada muito sério, apenas para tocar músicas de outros artistas que admirava. Em 2003 ele voltou para BH e montou o Verona, onde tocava baixo e cantava. Foi com o Verona que ele teve a primeira experiência em estúdio. Depois foi tocar baixo no Colorido Artificialmente, banda de indie/math rock que cantava em português, lançou um disco em 2009 mas logo depois a banda acabou. Em 2010, o Câmera surgiu.

Durante os 6 anos de vida do Câmera, Bruno lançou 3 àlbuns, viajou pelo Brasil e exterior até o fim inesperado da banda. “Pra mim foi muito natural, tudo o que fizemos foi planejado, de maneira bem pragmática até“, explica Bruno. “Gosto de pensar que o ciclo do Câmera findou. Durante todos esses anos, fizemos absolutamente tudo o que tínhamos como objetivo: discos, turnês, shows, etc. Além de a gente ter completo essa lista de sonhos que tínhamos quando começamos a banda, estava muito complexo conciliar nossas agendas e objetivos, até musicais mesmo“.

Sci Fi

Em janeiro de 2016 Bruno aproveitou um tempo livre em casa para compor quase todas as músicas e letras num espaço de 20 dias, com exceção de “Trailer Park Boys”, que já existia desde 2011. As músicas até foram mostradas para os amigos no Câmera, mas pelo caminhar da banda, Bruno já sabia que não chegariam a usá-las. Dai entram Matheus Fleming, ex companheiro de Câmera, e Marco Túlio, que se engajaram no projeto e ajudaram a tirar as músicas da teoria.

No caso do Matheus, se não fosse ele, não existiria o disco. Foi ele quem botou fé no projeto, comandou todo o processo de gravação, mixagem, masterização, tocou bateria, gravou umas guitarras, além de ter sido o grande incentivador“, explica Bruno. “A participação do Marco Túlio também foi muito natural. Ele é um amigo próximo, que sempre está na minha casa. Já fizemos músicas juntos em outras épocas e White People Problems talvez seja uma das minhas favoritas. No caso do João, conheci o trabalho dele no Sentidor e El Toro Fuerte antes mesmo de conhecê-lo pessoalmente. Combinamos, ele foi na minha casa e gravamos pequenas partes eletrônicas que usamos em três músicas“.

O empurrão dos amigos ajudou Bruno a gravar suas ideias, muito influenciadas pelas distorções de Sonic Youth, Yo La Tengo, Dinosaur Jr, e até com um pézinho no emo anos 90, no Fugazi, Trail of Dead. Das seis músicas do EP, três são instrumentais. Enferrujado, Bruno não cantava no Câmera e o Sci Fi é o primeiro trabalho onde ele assume sozinho os vocais. “Isso foi desafiador, além do fato de fazer um disco de ‘guitar band’, com músicas de 13 ou 14 canais de guitarra, que nunca foi o meu primeiro instrumento“. E continua: “Na verdade, tentei pensar a voz como mais um instrumento. Em metade das músicas, achei que encaixaria bem um vocal. Nas outras, entendi que as músicas se completavam sem precisar de letras e melodias de voz“.

Músicas prontas, Bruno recorreu ao amigo Vinicius Raposo para fazer o tratamento da capa – uma foto da esposa Marina Faleiro – e as imagens de dupla exposição que ilustram esta página. “A ideia era usar um clima ficção científica com as imagens projetadas dentro de mim“.

Planos? “Não estou criando muitas expectativas em torno do Sci Fi. Não espero a repercussão ou toda a atividade que o Câmera demandava. O Sci Fi foi praticamente uma terapia, um disco gravado em casa, onde foram gastos zero reais, com pouco equipamento, em uma estética low-fi e sem pretensão“, conclui.

Sci Fi, o EP, está sendo lançado pelo midsummer madness junto com Bruno Faleiro apenas no formato digital.

 


 

Resenha no Monkeybuzz
“Aliás, o grande valor dessa estreia consiste nas belas guitarras que acompanham o músico. Feitas na sua maioria por Bruno Faleiro e com algumas aparicões de seu ex-companheiro de banda, Matheus Fleming, propiciam uma ótima viagem introspectiva. A estrada da capa do trabalho não nega a sua vontade de servir-se ao movimento: Trailer Park Boys é imprescindível em uma road trip e serve de companhia em momentos escapistas”.
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