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\ZINE - novembro de 2015\

Frabin fala a “Real” sobre seu 1º disco

Victor Fabri resolveu chamar seu trabalho solo de Frabin. Porquê FRabin e não FabRin ninguém sabe, nem ele. Parece sonoro. Tão sonoro como “Real”, título entusiasmado e feliz de seu 1º disco, que é … entusiasmado! Tantas repetições apenas para reforçar a coerência de um rapaz paraense criado catarinense, mais novo que o midsummer madness: quando Victor nasceu em 1994, a gente estava criando nosso selo de fitas demos!

Mas o disco “Real” traz o frescor da “xufentude” que muito nos agrada. Quando Victor fala de Tame Impala e Melody’s Echo Chamber, a gente escuta Ride, Chapterhouse. Quando ele fala que cantar em português soa “cafona”, a gente escuta o Second Come dizendo que parece natural cantar em inglês, língua de todas as influências mais diretas da banda.

Não tem nada de diferença de gerações, tudo parece uma questão de semântica. Pelvs, Cigarettes, brincando de deus, Low Dream estão mais próximos do que nunca de My Magical Glowing Lens, Loomer, Lava Divers e Frabin. Para nos aproximarmos ainda mais, resolvemos entrevistar o rapaz. Leia mais sobre o disco abaixo:

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MM – Todas as 12 músicas de Real foram escritas a partir de março deste ano? Ou algumas delas já existiam na época de Selfish?
Victor – Não não, algumas já existiam até antes do Selfish na verdade. Inclusive o primeiro material que eu lancei, logo que criei na página do facebook, era um vídeo e um pedaço de música, pra dar alguma ideia do tipo de som que seria. E esse pedaço de música é um instrumental da primeira parte de “Memoir”, faixa 1 do Real.

MM – Real traz 2 músicas em português. Porque elas entraram no disco e não haviam aparecido antes? Você vê alguma diferença entre cantar em inglês ou português, ou é natural nas duas línguas?
Victor – As músicas em português começaram a aparecer só depois do Selfish mesmo, elas vieram porque na época eu estava escutando mais coisas em português, tipo Holger, Maglore, Lupe de Lupe, e fiquei afim de tentar a escrever na nossa língua. Acho que escrevi umas 4 músicas e as duas que estão no álbum (‘Em Vão’ e ‘Desabrigo’) foram as que eu achei que fechavam com a ideia do álbum. Confesso que tenho muito mais facilidade e ainda prefiro escrever em inglês, acho que por ser outra língua eu me sinto mais a vontade de falar sobre as coisas sem parecer “cafona”, e também tem o fato que a grande maioria das coisas que eu escuto e me inspiro são em inglês, então acaba sendo uma referência muito forte e já impregnada dentro de mim.

MM – O que você andou escutando para compor e gravar Real?
Victor – Não variou muito do que eu escutava durante o Selfish porque o processo de composição do álbum foi quase simultâneo com o lançamento do EP. Algumas coisas novas foram Roosevelt, Homeshake e algumas bandas brasileiras.

MM – O título Real dá uma ideia de surpresa com o 1º disco, 1º álbum, tipo “finalmente, existe!”. É esta a ideia? Porque o disco se chama Real?
Victor – É sim! Eu também queria que o nome do álbum fosse algo bilíngue, já que traria músicas em inglês e português eu queria que fosse algo que fizesse sentido nos dois, até que me veio essa palavra e tudo se encaixou.

MM – Mais uma vez você preferiu masterizar no exterior… como chegou ao Rob e porque esta preferência?
Victor – A preferência existe pela qualidade do trabalho e também pelo fato de masterizar onde outros artistas que são referência pro som que eu faço masterizam. Eu já conhecia o trabalho do Rob por causa do Tame Impala e Melody’s Echo Chamber, mas nunca cogitei masterizar lá porque pensava que era muito caro ou que tivesse alguma outra restrição. Mas quando vi que os caras da The Outs masterizaram com ele, descobri que o Rob era o cara mais de boa pra trabalhar, ai entrei em contato com ele e tudo se ajeitou.

MM – Você vê seu som alinhado com que outras bandas aqui no Brasil?
Victor – Atualmente tem muitas bandas fazendo um trabalho foda aqui no brasil, tipo a Marrakesh, de Curitiba, toquei algumas vezes com eles e posso dizer que os guris mandam muito bem.Tem também My Magical Glowing Lens, Catavento, entre outras que tão nesse mesmo corre.

MM – Quais são os planos pra agora? Turnê? Mais clipes?
Victor – Isso, ambos! Esse ano de 2016 quero me focar 100% na divulgação do álbum, fazendo turnês e outros clipes, além de trabalhar em um álbum novo também.

“Real” foi lançado dia 20 de novembro de 2015 numa parceria entre Balaclava e midsummer madness. Disponível nos formatos digital e CD.

Postado 22/11/2015 às 14:03

Gabriela e a nova formação do My Magical Glowing Lens

Resolvemos perguntar para a Gabriela como anda o novo My Magical Glowing Lens, que desde o começo de 2015 tem uma nova formação.

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Gabriela, guitarra e voz (por Thais Carletti)

MM – Porque decidiu montar a banda?
Olha, eu nunca quis gravar tudo sozinha, a ideia sempre foi montar uma banda. Eu só gravei o EP sozinha porque não achei uma galera naquela época. Nunca parei de procurar uns cabeças pra montar uma banda. No final de tudo foram eles que me acharam: o Raími da banda TSM veio me falar que eles gostariam de tocar as músicas do MMGL. Eu já conhecia a banda deles, sempre curti o som deles, daí a parada fluiu muito! Foi meio que um super encontro, porque a gente tem muita ligação com o Prog Rock e a psicodelia e essas influências, mais a nossa paixão por improvisar, fez dar uma liga muito boa tocando juntos.

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Rafael Borges, bateria (por Thais Carletti)

MM – Qual a diferença que faz na lista de músicas ao vivo?
O som tá bem mais intenso e pesado! Uma novidade é que a gente toca a música ‘Cosmic Love Trip’, que faz parte do EP recém-lançado da banda nova-iorquina ‘The Post Nobles’, na qual fizemos uma participação nas gravações. Essa música é uma novidade ao vivo. Outra coisa que rola ao vivo é o seguinte: a gente estende o final das músicas fazendo improvisos. Nós adoramos improvisar, metade das músicas não tem um final estabelecido, eles são jams. Então o show acaba sendo muito diferente um do outro, e isso é ótimo. Torna tudo mais emocionante e divertido!

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Pedro Moscardi, baixo e teclado (por Thais Carletti)

MM- Quem são os integrantes? Eles já tocam em outras bandas? Onde os conheceu?
Os integrantes são os meninos da banda TSM, uma banda de prog noise psicodélico muuuuito maneira! Eu fiquei com a guita e voz, Raími com a outra guitarra, Pedro com baixo/teclado e Esquerda (Rafael) na batera. O Rafa é o mais elétrico da galera, toca em umas 5 bandas. Ele é um workaholic viciado em café e em estudar bateria. Agora só me lembro o nome de duas das bandas que ele toca, que é a Mango e a TSM. Mango também é uma banda fantástica. O Pedrim é mesma coisa que o Rafa, só que numa vibe mais susse, ele também toca na Mango e na TSM. Às vezes a gente tá no ensaio e Pedrim começa a tocar uma peça do Chopin no teclado, hahaha! Ele um figuraça, sabe tocar todas as músicas do MMGL em todos os instrumentos: bateria, guitarra, telado e baixo (nem eu mesma que compus as músicas sei isso…). Às vezes eu penso que ele tem ouvido absoluto, ou algo assim, porque ele tem uma memória sonora fora da realidade! Já o Raími tira peça clássica no violão, toca violão clássico igual um filha da puta. Ou seja, todos eles são músicos de verdade, eu fico até sem graça de tocar com eles. Eu os conheci indo a shows de rock em Vitória!

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Raími, guitarra (por Thais Carletti)

MM- Quais são os planos agora que o MMGL tem banda?
Tocar, tocar e… tocar, haha! Tocar aqui pelas redondezas e tentar fazer esse tipo de gig que estamos fazendo agora, por São Paulo, em outros lugares. Além disso, gostaria de gravar as próximas músicas com a ajuda dos meninos!

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MM- Quais músicas estarão na fita cassete da Honey Bomb?
As músicas do EP são: ‘All Right!’, ‘Summer Nowhere’, ‘I Will Never Find’ e ‘Dreaming Pool’. Na versão do EP em CD também está incluso nosso single ‘Windy Streets’.

Compre aqui – Honeybomb

Postado 31/05/2015 às 11:54

Second Come revisto

O jornalista Filipe Albuquerque postou um texto emocionante sobre o Second Come em sua coluna Blog Vox, publicada pelo portal Bem Paraná. Ele e a amiga Ludmilla Lima fizeram uma entrevista com Fábio Leopoldino e com Francisco Kraus no final dos anos 90, quando a amizade dos dois ex-integrantes do Second Come andava estremecida. Com autorização do Filipe, vamos republicar o trecho da coluna que fala do Second Come:

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“Publico o texto produzido pela amiga Ludmilla em 2000, que conta parte da história da banda sob o olhar de dois estudantes de jornalismo que mal sabiam direito o que estavam fazendo, mas que tentaram fazer o melhor. Pra concluir o curso e pra tentar ver o livro publicado, o que nunca aconteceu.

(…)

Leopoldino e Kraus em fogo cruzado
Falar com os dois ex-membros do Second Come hoje em dia é pagar para entrar em uma guerra
(por Ludmilla Lima, escrito para o TCC “Tropical Indie”, 2000)

No underground carioca circula a máxima: Fabio Leopoldino e Francisco Kraus não podem ouvir um o nome do outro.

É quase isso. Perguntado sobre os anos que esteve à frente do Second Come, Fabio é categórico: “Desculpe, mas eu não sou muito bom para guardar fatos que não vão servir no futuro. Talvez, outro membro da banda possa ser-lhe mais útil nesta parte”. Mudar de pergunta adianta pouco. “O que você considera como principais fatos que aconteceram ao fenômeno do Second Come?” “Não sei”, devolve Fabio.

O Second Come nasceu em 1989, quando Fabio e Francisco acabavam de desfazer a primeira banda em que tocavam juntos, o Eterno Grito. Marcado por toda carga de influências dos anos 80, era um grupo que compunha em português e dava lá seus shows. “Éramos mais jovens e, conseqüentemente, mais bobos. Queríamos fazer parte do mundo da música que ouvíamos. Joy Division, The Cure e outros. Para mim, foi o começo de uma experiência”, relata Fabio.

Na nova banda já não seria assim: desde o princípio, estava decidido que o Second Come apenas comporia em inglês. “Cantar em inglês para mim é uma coisa normal”, explica Fabio. “Desde pequeno, escuto música em inglês. Minhas irmãs e meu irmão escutavam músicas em inglês e eu não perguntava por que motivo eles não escutavam MPB. Até então, eu não fazia idéia de que existia uma MPB. Os jornalistas, empresários e ‘mpbistas’ é que se aborreciam com isso. Era mais medo do que amor à pátria, como proclamavam.”

“Com o fim do Eterno Grito, a gente decidiu que queria fazer algo totalmente diferente: colocar mais peso e tivemos umas idéias psicodélicas”, lembra o baixista Francisco. Ele mesmo admite que esse desejo de psicodelia morreu na primeira fita que a nova banda tentou gravar: basta citar que, no começo, as músicas do Second Come recebiam teclados nos arranjos. Para quem conhece os dois álbuns da banda, isso é algo quase inimaginável. Além de Fabio e Francisco, a primeira formação contava com Fernando Kamache na guitarra (membro do Second Come até o fim) e o baterista Dalton. Mais adiante, as baquetas ainda trocariam de dono duas vezes: seus substitutos seriam Kadu (mais lembrado na memória de quem acompanhou a banda) e Reyson.
Três, dois, um… boom!!!
Finalmente, a idéia de qual sonoridade seguir ficou mais direcionada e a banda gravou a sua primeira demo. “A gente gravou a fita com a única finalidade de conseguir agendar shows”, destaca Francisco. Foi ele mesmo que redigiu um release para apresentar a banda e entregar em casas noturnas, acompanhado pela tal fitinha. Era abril de 91 e a demo Wade’s Bed já continha a faixa que veio a ser o grande hit do Second Come: “Run, Run”.

É interessante notar que uma banda que cresceu tanto nessa época tenha algo a reclamar. Francisco tem e o problema parece ter sido muito mais o modo como a coisa desandou: “A gente ensaiava e tinha uma meninada em Niterói que começava a curtir música… Bia (Drivellers), Leandro (Squonks, Stellarblast, Stellar), Simone do Vale (Dash, Autoramas), Rodrigo Lariú… A gente achava que estava criando uma cena. Só que a coisa era muito mais babaca. De repente, a coisa foi tomando uma proporção que todos ali se achavam os entendidos do underground. Isso atrapalha quem quer fazer música, porque fica de fora da panelinha”. Para ele, esse é um dos motivos de o primeiro show do Second Come ter acontecido no Sesc Pompéia em São Paulo, e não no Rio ou em Niterói, como seria de se esperar. “Fui com esse release e a fita até o Sesc e o Retrô em SP e consegui agendar esses dois shows. O dono do Retrô acabou agitando outros shows para a gente, e aí sim a coisa foi acontecendo”, explica Francisco.

“Realmente éramos muito requisitados. Todas as bandas vivas naquela época queriam abrir nossos shows”, cita Fabio. Ao contrário de Francisco (que diz nunca ter entendido muito bem porque as pessoas gostaram tanto da banda e tão de repente), o ex-vocalista afirma sem modéstia: “Eu sabia que o Second Come iria ter uma boa projeção. Sem vaidade, nós éramos bons. O negócio era que eu sempre fui muito ligado em música e pouco ligado ao showbusiness. Para mim, o Second Come foi mais uma escola na procura da minha música pessoal. Nada particular, mas existia uma procura pessoal de como a música deveria ser feita e de como deveria ser tratada”. Algo que Francisco rebate sem pestanejar: “Esse foi um dos motivos que matou a banda. O Fabio foi se tornando uma pessoa insuportável e egoísta. A banda era algo pessoal, dele. Eu converso com os outros membros até hoje, não temos nenhum problema quanto a isso”.

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Diametralmente opostos
É íncrivel notar a oposição quase diametral do pensamento de cada um deles e imaginar, com todos esses anos de distanciamento dos fatos, que os dois conseguiram, um dia, estar juntos em uma banda. E não em uma banda qualquer: no Second Come, na grande banda do underground, que conseguiu vender mais de três mil cópias de seu primeiro vinil, You, assinando com o selo Rock It!, de propriedade do ex-Plebe Rude André X e do eterno ‘legionário’ Dado Villa-Lobos.

Elogiadíssimo pela crítica, o Second Come recebeu destaque em críticas nos cadernos de cultura dos principais jornais do país: Correio Braziliense, Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo. A banda foi considerada revelação do começo da década pela então revista Bizz (hoje, Showbizz). Se há um ponto em que Fabio e Francisco concordam é que as críticas escritas por Marcel Plasse foram fundamentais para a banda: “A gente não conhecia o cara. Não sabemos como uma fita nossa chegou até ele. O fato é que, depois de uma crítica muito elogiosa dele no Estadão, as coisas começaram a acontecer para a gente”, lembra Francisco.

O começo do fim
1994. Cinco anos depois, não era apenas o Second Come que cantava em inglês e, apesar disso (ou talvez por isso mesmo), arrebatava elogios da crítica, marcava shows com facilidade e formava seguidores. Ao menos no Rio de Janeiro, estavam em situação semelhante grupos como Pelvs e Cigarretes, só para citar dois exemplos de peso. “Acontece que o próprio Second Come, no segundo disco, era tão falso quanto a cena da qual eu fazia parte”, afirma Francisco.

O disco em questão é o derradeiro Superkids, Superdrugs, Supergod and Strangers, de sonoridade bem mais eletrônica, contrastante com a crueza de You. Foi assim durante todo o processo de gravação do segundo disco? “Para mim, é muito simples: nosso segundo trabalho foi todo baseado numa idéia do Fabio de criar modernidade. Foi totalmente pensado, perdemos a originalidade.”

“Eu penso que todas as coisas existentes no universo estão em evolução constante, mesmo que não seja notada. E a música é uma delas. E eu quero fazer parte desta evolução musical. Eu quero participar disso. E não me importo que as pessoas nunca falem da minha música, ou se algum dia irão dizer algo sobre ela.” A declaração de Fabio de alguma forma completa o que diz Francisco: “No segundo disco, o clima pessoal era tão ruim que eu chegava, gravava os baixos e ia embora. E depois participei de alguns shows de divulgação do trabalho”.

De show em show, a convivência foi ficando cada vez mais difícil, e aí já se sabe qual o caminho natural das coisas. “O motivo do fim da banda eu nunca expliquei a ninguém, porque eu não queria. Mas eu saí da banda porque fechei o ciclo e precisava de novos rumos”, explica Fabio que, em seguida, formaria o Stellar com remanescentes dos Squonks e Drivellers. “Eu não falo com nenhum integrante da banda, da mesma maneira que eu não falo com antigos amigos”, continua ele. Para Francisco, a coisa é muito mais visceral: “A única coisa que move esse tipo de banda é a amizade entre as pessoas. Você não ganha dinheiro, você não tem estrutura, local para tocar… nada”.

Hoje, Fabio, 36 anos, voltou para o Stellar. Em 99, lançou pela Midsummer Madness o CD de seu projeto Polystyrene, Underwater. Dá aulas de pintura e desenho: “Mas o que eu gosto mesmo de fazer, mais até do que musica (eu não comparo), é escrever. Contar estórias. Acho que tenho melhorado”. Apesar disso, um de seus projetos engavetados, o True Black Tones, deverá se transformar no próximo lançamento do Stellar.

Francisco, 38 anos, já formou duas bandas: o sessentista Terrible Head Cream, que durou até meados do ano 2000 para agora se transformar no Jess Saes, que começa a ensaiar a psicodelia da década de 70 com canções em português.
Estranho. Tudo muito estranho.

Postado 11/02/2015 às 14:48

Entrevista com Motormama para o Mofo

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Motormama deu uma entrevista ao blog Mofo, do conterrâneo Rubens Leme. Algumas pérolas do cancioneiro interiorano surgiram, como essa:

Mofo:Ribeirão Preto é uma das cidades mais ricas conservadoras de SP, terra dos agroboys, da música sertaneja e que nunca teve muitas bandas. Nos anos 80, me lembro de um show dos Ratos que foi aberto por um grupo cover do Echo and the Bunnymen, o Estágio Z. Como é a receptividade local?

Régis Martins:Rapaz, Estágio Z. Isso é antigo à beça, porque esse povo começou antes da gente. Mas conheço os caras e, com certeza, foram os pioneiros em trazer um tipo de som diferente pra cidade. Acredito que Ribeirão, como todas as cidades do interior paulista, tem um problema sério com música autoral. Aqui é a ditadura do cover. Sempre sonhei em transformar a cidade numa espécie de Austin (Texas/EUA), com uma cena local forte e criativa longe de SP e Rio de Janeiro, mas é uma complicação sem tamanho. O Motormama tem seu público, mas somos uma banda que sempre procurou espaço em outras cidades e até mesmo em outros países. Neste sentido, somos pioneiros.

Leia a íntegra da entrevista clicando aqui.

Os três discos do Motormama (Carne de Pescoço, A Legítima Cia Fantasma, Aloha Esquimó) estão a venda em versão CD, assim como o compacto de Flores Sujas do Quintal, em versão vinil, na loja do midsummer madness. Você também pode comprar a versão digital clicando aqui.

Postado 08/01/2015 às 17:54

The Gilbertos em matéria no jornal O Estado de São Paulo

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“Sintetizadores moogs antigos, versos de uma psicodelia extemporânea e um ou outro sample: a nova aparição do The Gilbertos passará com a brevidade de um cometa, como sempre. No máximo haverá um ou outro show no SESC, anuncia Thomas. “Sou músico, mas é difícil discutir o que é sucesso, qual é a razão de existência de uma banda, ele filosofa. “Uns 50% das bandas que eu gostava nos anos 1980 eram bandas obscuras que sumiram. Guardadas as devidas proporções, talvez The Gilbertos entre um dia naquela categoria tipo Velvet Underground – grupos que nunca fizeram sucesso mas mudaram a forma das outras bandas pensarem“. 

Leia a matéria de Jotabê Medeiros sobre The Gilbertos, na íntegra, clicando aqui.

Postado 14/12/2014 às 7:20

Marcelo Colares (The Cigarettes) em entrevista para o Tupanzine

Bárbara Erckman fez uma entrevista com Marcelo Colares para a edição de Dezembro de 2011 do Tupanzine 8 em 1 (92 à 99). Ela nos cedeu o texto na íntegra, que você pode ler abaixo:

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Marcelo Colares fala sobre o 3º disco do Cigarettes.

por Bárbara Erckman

Marcelo, você já teve algumas bandas. Gostaríamos de conhecer um pouco de sua trajetória.
Na verdade, tive uma banda na adolescência. Depois participei dos Vibrosensores e do Alydie. E talvez do Number 4. Ensaiei com o Stellarblast e também numa banda com o Lariú. Mas a banda da adolescência era uma de covers chamada Síndrome de Down. A gente tocava Jesus, Joy Divisions, The Smiths, Echo, punk rock nacional, Sex Pistols, era uma forma de começar a aprender a tocar. Fizemos alguns shows. Era bem legal e estranho ao mesmo tempo, já que ninguém na plateia conhecia as músicas. Lembrando agora, era uma coisa bem surreal. Lembro da gente tocando em exposição agropecuária, barzinho, até show do Nelson Gonçalves a gente abriu. Eu tinha quinze anos e só tocava guitarra.

Que bandas te inspiraram na adolescência?
Difícil dizer exatamente o que me influenciava. A gente sofre influencia de tudo e às vezes mesmo daquilo que acreditamos não gostar. Eu ouvia absolutamente de tudo . E mesmo o que a gente não ouve, também influencia. De qualquer forma, o que acabou interferindo de fato no que eu viria a fazer, tá lá. É fácil identificar. Eleger alguns nomes talvez seja injusto com essas bandas e artistas por querer associá-los de algum jeito ao som que eu terminei por fazer, e, em menor escala, injusto também comigo mesmo e até com quem ouve, já que seria uma restrição à possível experiência.

Como surgiu o Cigarettes? E a escolha do nome?
A ideia de criar um veículo para mostras as músicas que eu vinha fazendo acho que surgiu em 92. O nome veio em 93 enquanto eu olhava uma caixinha de Marlboro. Depois, dez anos depois, descobri que já existia uma banda inglesa meio sei lá neo-mod com esse nome. Fazer o que…Na época eu nem imaginava. Antes disso, pensei em usar o nome Marafo de Exú. O primeiro show foi em 94 no Garage no Rio. A partir daí, formei várias bandas com o mesmo nome.

Colares18Fale sobre a discografia do Cigarettes, as primeiras k7s e o que mudou de lá pra cá.
- Foolish things & Blah Blah Blah (94)
Primeira coisa que gravei, sozinho, com um duplo deck, um microfone, um violão e um casiotone, numa tarde.
- Felícia (94)
Gravada num Tascam de 8 canais alugado do baterista do Finis Africae. Tudo gravado numa tarde e mixado em duas horas. Primeiro registro em que eu trabalhei com o Gustavo
Seabra.
- Brazil’s Sad Samba (96)
Primeira experiência num estúdio, infinitos 16 canais.
- Bingo (97)
Primeiro disco da banda, primeiro disco do Midsummer Madness. Parto difícil, idas e vindas, quase inacabado.
-Ashtray(99)
Coletânea com sobras do Bingo, faixas que gravei nos intervalos das gravações da demo do Vibrosensores do Sidney Honigsztejn, e mais algumas já lançadas em compilações com outras bandas.
-Song Machine (99)
Gravada num Tascam de quatro canais numa temporada que passei em São Paulo. Meu registro mais obscuro. Saiu pela extinta Slag Records.
- Blue Sun/ Lunar Brain/ Broke Juvenille (2002)
Feito entre 2000 e 2002 num pentium II, com placa de som onboard e 64 mb de memória ram. É o meu deslumbramento com os sintetizadores virtuais e sequencers. Gosto bastante. Tem pra baixar na tramavirtual
- All is Well (2005)
Gravado em 2003 num estúdio aqui em Itaperuna especializado em gravações evangélicas.
Era uma mesa da Roland com HD e sistema operacional que eu achava horrível de operar e o técnico não fazia a menor ideia do som que eu queria. A masterização não ajudou muito e o resultado final em termos de áudio é sofrível, por ser desigual e confuso. Nada de muito novo. Mas queria ter feito melhor. Ainda assim, gosto dele, tem boas idéias e melodias. Foi uma preparação para esse terceiro do qual não tenho quase nada a me queixar além de ter demorado muito tempo pra sair e eu já ter feito coisas novas nesse meio tempo. Um dos meus objetivos é tentar diminuir esse delay. Saiu também pela Slag Records.

Em 2004, o Cigarettes abriu o show do Teenage Fanclub. Como foi essa experiência?
Eu lembro de no início dos anos 90, não sei quando exatamente, muita gente deve lembrar, ter visto na Bandeirantes aquele especial do Reading Festival que tinha Teenage. Enquanto eu via eles tocando Everything Flows eu pensei que seria muito legal se um dia eu pudesse abrir um show deles, mas sabia, achava, que era impossível. Não foi. Mas faz tempo que não escuto essa banda.

Fale um pouco sobre sua amizade com o Rodrigo Lariú e o apoio da Midsummer Madness.
Conheço o Rodrigo desde antes do Cigarettes. A história do selo e da banda é indissociável. A gente discorda em algumas coisas, mas sou muito grato a ele. Ele tenta ajudar as bandas, sem ter a ajuda de ninguém.

Como foi o projeto de lançar esse 3º disco, ele já estava engatilhado desde 2008?
Por considerar meu registro mais bem resolvido até então fiz questão que ele saísse em vinil. Banquei as gravações e não havia dinheiro para a prensagem. Aí tivemos a ajuda de mais de sessenta pessoas, uma felicidade muito grande.

E todo o processo de produção e masterização pelo Gustavo Seabra, da Pelvs, como foi?
A ideia inicial era a de que o Gustavo participasse na produção desde as gravações, mas por algum motivo ele não conseguiu. Gravei tudo sozinho junto com o Zé Felipe, técnico de som do finado estúdio BPM no Rio, além de fundador do Zumbi do Mato, e com o Ricardo Mito na bateria. Depois de seis meses do disco gravado, pronto, eu tava vendo como fazer pra lançar e o Gustavo pediu pra dar uma mexida. Essa mexida demorou demais, foi difícil e desgastante em alguns momentos. Chegou uma hora em que eu não sabia de qual versão eu gostava mais. Mas sou fã do Gustavo e ele fez um ótimo trabalho.

Há também o CD, com a versão de estúdio, não?
Em CD saiu a primeira versão, antes de passar pelas mãos do Gustavo. Acho as duas versões muito boas e acredito que quem gosta da banda ficará contente em ter acesso às duas visões.

Como foram os shows de lançamento do 3º disco do Cigarettes, em Itu e no Solar de Botafogo?
Os shows , na verdade em São Paulo mesmo, não Itu, no Espaço Cultural Walden, e no Rio, foram ótimos, adoro tocar, reunir os amigos, conhecer quem gosta da banda, é realmente uma troca de energia, só pra usar o clichê, mas é verdade. E é no show que tudo se revela, que o negócio fica sério, em diversos sentidos. Nas palavras do Gustavo: “Ensaio é ensaio, no show é que é pra valer. Igual no futebol: o cara treina mas só dá pra saber se funciona na hora do jogo. É o pega pra capar.”

Quando tocou em Brasília, você ficou hospedado na casa do vocalista da Divine. Em que ano aconteceu? Que tal o contato e o que pensa sobre o som da Divine?
Foi em 98, no início de 98, e foi muito legal. Tinha uma van pra pegar a gente na Rodoviária! Era um festival daquele programa de rádio, Cult 22. Lembro do Cláudio como uma pessoa gentil e hospitaleira. Ele me mostrou um manifesto Barroco-Grotesco, acho que era isso, que ele estava lançando e conversamos sobre as dificuldades e alegrias de uma banda independente. Não conheço a fundo o trabalho da Divine, mas do show que vi e do pouco que escutei guardo uma impressão de honestidade e inventividade. Essa época acho que foi a que fiz mais shows. Na semana anterior, tinha tocado em Maringá, dois shows, e na semana seguinte ao show de Brasília, toquei em Sergipe e Salvador.

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O que você costuma ouvir no seu dia-a-dia?
É imprevisível. Vai da mpb à música erudita, passando pelo pop de rádio descartável, pós-punk, post-rock, e até indie-rock. Gosto muito do silêncio também.

O Ricardo Spencer dirigiu alguns clipes. Como foi filmar “Addictions”, e agora “Love Concept Alpha”?
Foi uma experiência adorável. Eu e a Dai, minha namorada, estávamos em São Paulo no início de 2009 e passamos um dia inteiro com o Eugênio e o Spencer. Desse dia saíram dois clipes. Conheço Spencer há tantos anos, ficamos longos períodos sem nenhum contato e sempre que a gente se encontra é uma grande festa, ao mesmo tempo que é como se a gente tivesse se visto ontem. Tenho isso com muitas pessoas de quem gosto muito. Acho que esse tipo de coisa revela um pouco da nossa ignorância sobre questões como tempo e espaço. O Spencer ter feito os clipes é de uma generosidade sem tamanho. Além de tudo, ele é um ótimo baixista com quem já tive a honra de tocar por diversas vezes. É um grande amigo. Tenho muita sorte e sou muito grato.

Quais bandas você considera realmente importantes para o indie rock no Brasil?
Todas.

E que grande banda de rock que você descobriu ao longo de sua vida musical?
Mais do que grandes bandas de rock, descobri que em sua maioria quase absoluta, dentro desse conceito, as grandes bandas são grandes engodos existenciais. Entre as poucas exceções, diria que The Smiths, Radiohead e Joy Division talvez tenham sido/sejam grandes bandas de rock.

Onde você costuma garimpar novidades sobre música? Quais os sites, revistas e fontes que você acessa?
Há muito saí dessa frequência de garipagem. Deixo por conta do acaso e da indicação de amigos. Perco menos tempo assim.

Fale sobre suas referências literárias. Quais os seus autores preferidos? O que está lendo agora?
Sempre li e leio bastante. Tenho interesses diversos que vão além da literatura. Tenho muitos heróis e irmãos espirituais com quem compartilho sensibilidades e não necessariamente a mesma capacidade ou talento. Prefiro não nomear ninguém para não dar impressões erradas. De qualquer forma, essas tais referências se misturam às coisas que eu faço, não é difícil identificar, elas saltam aos olhos, são mais como reverências. Estou lendo “O Corpo da Pátria” de Demétrio Magnoli e “O Século de Sartre”, de Bernard Henri-Lévy. Além de outras coisas. Gosto de ler vários livros ao mesmo tempo. Mas vou até o final de todos eles. Ou quase isso.

Como conheceu o Tupanzine?
Nunca tive uma edição em papel do tupanzine nas mãos. Já vi algumas coisas digitalizadas e a primeira vez que eu fui fisgado foi quando eu vi o texto sobre os reveillon no rio, ou o maior encontro de bichas indies das últimas temporadas…acho graça disso até hoje. Mas, falando, talvez, um pouco sério, acho o Tupanzine bem representativo, emblemático de uma “cena” cujos participantes sempre fizeram questão de adotar como filosofia de vida o “não se levar a sério” e o “faço isso por pura diversão” sem perceberem que é essa mesma atitude a responsável por uma estrutura inexistente ou, quando muito, precária, que no médio e longo prazo inviabilizam ou tornam bem mais difícil a continuidade dos trabalhos. Condição essa da qual paradoxalmente passam a se queixar.

É impossível agradar a todo mundo. Como você recebe as críticas?
Acolho a todas elas. As críticas são fundamentais. Desde o “não fui com a sua cara” até a desconstrução com ferramentas teóricas, se a gente faz alguma coisa é, também, pra ser criticado.

Na loucura dos anos 90, você chegou a ter contato com o pessoal da Sonic Disruptor? O que achou desse contato?
Na loucura dos anos 90. Disse bem. Mas sim, toquei com o Sonic Disruptor na Bang!, uma boite que funcionava num Casarão em Botafogo, bem no meio da loucura dos anos 90. Eram uns caras legais. Era um lance meio Inspiral Carpets, meio shoegazer, tinha bons momentos. Eles estavam lançando o Poppers.

Na sua opinião, que bandas você gostaria que não tivesse acabado? Por quê?
Não penso desse jeito. Se acabou, quem sou eu pra querer que não tivesse acabado. Só quem faz é que sabe o que rola. Ou o que não rola. E a vida continua, sempre.

Entre as novas bandas que você tem ouvido, quais merecem ser citadas?
Todas as bandas merecem ser citadas, eu acho, todas tem alguma importância. Mas de coisas novas, destaco o trabalho da Laura Wrona, que cantava no Aspen, uma banda de SP, e lançou agora um disco, sozinha, chamado R.H. Volcano, que é das coisas mais lindas que eu já ouvi.

O rock ainda vale a pena?
Como tentativa de expressão, acho que qualquer uma vale a pena. Já como infantilização indefinida do ser, acho que é algo a ser evitado.

Se você tiver algo a acrescentar, o espaço é todo seu.
Obrigado, Bárbara. Já falei demais. Mas sim, só agradecer aos meus companheiros de banda, Régis, Gustavo, Sidney e Ricardo, por terem topado a maratona que foi fazer esses dois shows de lançamento do disco. Não é pra qualquer um.

Muito Obrigada, Marcelo. E que venham muitos outros trabalhos do Cigarettes.
Virão sim, Bárbara. Obrigado pelo interesse. Não reli o que eu escrevi. Se vc achar que tem alguma coisa estranha ou confusa, me avisa.

Beijo
Marcelo

Compre a edição limitada do vinil e do CD “The Cigarettes” na LOJA.

Postado 10/01/2014 às 16:24

Colares fala

Marcelo Colares, ou, The Cigarettes em pessoa, deu entrevista ao blog Last Splash. Ele fala da história da banda, do disco novo que midsummer madness e Slag devem lançar ainda este ano e de uma tentativa de turnê européia que quase rolou em 1998.
http://www.fiztv.com.br/f/v/25966

Postado 15/06/2009 às 10:17