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Mr Spaceman

regis 2020

Mr. Spaceman é o projeto solo do compositor, guitarrista e vocalista Regis Damasceno.

Regis nasceu perto do Natal de 1971, em Fortaleza, e por lá mesmo, com uma banda chamada Velouria, virou um dos primeiros lançamentos do midsummer madness. O Velouria existiu de 1990 a 1997 e fez parte de uma safra de talentosas e pioneiras guitar-bands cearenses. Inclua aí Dead Poets, Banana Scrait e Dago Red, todas com demos e CDs lançados na primeira metade dos anos 90. “Mario is happy now” foi lançada em fita cassete pelo midsummer madness em 1994, foi o 10º lançamento do mmrecords neste formato, quando o selo ainda começava seu catálogo.

“Não havia cena indie em Fortaleza até então”, explica Regis. “De alguma maneira, e sem falsa modéstia, Velouria e Dago Red foram as duas primeiras bandas com essa tendência em Fortaleza. Não havia lugares para tocar, então tocávamos com bandas de heavy metal, em festivais. Fizemos muitos shows em Fortaleza com o Dago Red, depois com o Dead Poets, com quem lançamos um CD-split chamado “No more dancing days“, em 1995.

O Mr.Spaceman começou em 1998, como um quarteto. Régis escrevia as músicas e amigos o ajudavam a executá-las. Ele fez pouquíssimos shows como banda, lançando um EP oficial em 2001 intitulado “I beg your pardon”, também pelo midsummer madness. O EP e suas 4 músicas – “Oui, no”, “Rainy”, “Touch the sky” e “To whom it may concern” – estão disponíveis aqui no site.

Depois disso, ele gravou algumas músicas quando começou a compor o disco de estreia e as “espalhou” para amigos: “Mas não considero um lançamento, só as espalhei para amigos”, explica Regis.

O álbum “Mr.Spaceman” foi gravado bem aos poucos, a partir de 2001. Contém registros de vários anos, algumas como “Just passing by”, são antigas, de 1998, ou “Party” de 2001 e “Lost not found” de 2002. Mas há composições mais próximas da data de lançamento, como “Major hopes”, de 2004. Regis ia compondo, gravando e guardando, sempre em Fortaleza, onde morou até 2002, quando se mudou para São Paulo.

E foi na capital paulista que ele se reencontrou com amigos de Fortaleza também com bandas circulando pelo meio independente, como Cidadão Instigado, do Fernando Catatau. Regis voltou a integrar o Cidadão Instigado, e com Catatau gravou o elogiado “E o método tufo de experiências”, de 2005. “Estou no Cidadão Instigado desde 1996, desde a primeira formação, onde eu tocava baixo”, detalha Regis. “A partir de 1998 fui tocar guitarra. Para mim é um prazer tocar nesta banda, pois é um exercício de criatividade. Em São Paulo, toco em alguns projetos interessantes como Lucas Santtana e Seleção Natural, Guizado, Nina Becker, além de uma banda tributo aos Beatles, chamada Liverpool.” E já era em 2007… com o passar do tempo, Regis aumentou bastante a lista de colaborações.

“Mr Spaceman”, o disco, foi gravado em Fortaleza mesmo, em estúdios de amigos. As músicas são todas de autoria dele. Regis foi o multi-instrumentista que tocou quase tudo, à exceção da bateria, revezada entre dois parceiros: Daniel Pessoa e Marcus Ribeiro.

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As principais referências musicais no Mr Spaceman são os britânicos Smiths e Beatles. Pode soar antigo ou generalizante. Mas pode soar moderno e sem clichês também. Se é para citar e situar musicalmente o Mr.Spaceman, algumas dicas: além de Beatles e Smiths, Jeff Buckley, Rufus Wainwright, Nick Drake, Jim Ruiz, entre outros. O disco tem 12 músicas, algumas com letras escritas por Mário Quinderé (Dead Poets) e “Starfish” escrita por Daniel Pessoa. A capa, em formato envelope, foi feita pelo designer Renan Lima, que também foi o responsável pela capa de “E o método tufo…” do Cidadão Instigado.

Com disco pronto e lançado, Regis pretende dar sequência ao Mr Spaceman: “Minha expectativa com o Mr.Spaceman é fazer shows onde for possível. Em 2008, pretendo tocar em alguns festivais aqui no Brasil e no segundo semestre, estou planejando fazer uns shows na Europa”.

Mas Regis rapidamente se envolveu com outro projeto, que saiu em 2008: 3ofus. Projeto de apenas um disco, são músicas do Velouria, Dago Red e Dead Poets, algumas rearranjadas, outras gravadas como eram no passado. Mário Quinderé (Dead Poets), Regis (Velouria / Mr Spaceman) e Robério Augusto (Dago Red) cantam suas próprias músicas e uma música das outras duas bandas. “Lançamos como um registro histórico de uma época, essa tal cena “indie” de Fortaleza dos anos 90″, explica Régis.

Em 2009, Regis lançou junto com a artista plástica e cantora Júlia Debasse seu 2º disco como Mr Spaceman: “Work for Idle Hands to Do”. Segundo ele, um disco “mínimo, com pouca instrumentação. Tentei deixar tudo simples e direto”.

Regis conheceu a Júlia através de uma amiga que morou no Rio de Janeiro. “Soube que ela era artista plástica e que tinha um trabalho musical. Júlia se tornou uma boa amiga, casou com um grande amigo, o Rian que toca comigo no Cidadão Instigado”.

Além da Júlia, “Work For…” traz ainda a participação de Luisão Pereira, ex-Penélope e Dois em Um. “Brandenburg” foi gravada quando Regis fez um show em Salvador, no Instituto Goethe, produzido por Luisão. Numa tarde, ligaram um microfone na sala da casa do Luisão, com Regis no violão e a Fernanda Monteiro (Dois em Um) no cello.

Esse álbum ainda traz Marcelo Jeneci em “Bitter Divorce” e “Prussian Blue”. “Toquei com ele por 10 anos. Dai ele tocou piano e sanfona em algumas faixas do ‘Work For Idle Hands’”. Além deles, Guilherme Mendonça (Guizado), Felipe Parra e Laura Lavieri também participam. Confira no Bandcamp os créditos completos e também as incríveis artes de cada letra, desenhadas a mão pela Júlia Debasse.

Se você não perdeu a conta, a gente resume: Regis também é integrante do Cidadão Instigado e músico acompanhante de Guizado, MoMo e Lucas Santtana, já tocou com Vanessa da Matta, Tom Zé, Arnaldo Antunes, Otto, Beto Guedes, Jupiter Maçã, Gui Amabis, Milton Nascimento, Marcelo Jeneci, Karina Buhr, Pélico, entre vários outros.

Apesar de nunca ter parado, o Mr.Spaceman anotou outra pausa grande por causa da agenda cheia de Régis como sideman. “Não parei de compor, mas nunca tive vontade que o Mr. Spaceman fosse meu projeto principal pois acho que não conseguiria viver da grana das minhas composições apenas. Então me satisfaço tocando com quem gosto, consigo viver e viabilizar meu projeto”.

Em agosto de 2013, Regis lançou seu 3º disco como Mr Spaceman. “Hay Fever” tem 9 músicas e vai fundo nas influências fundamentais de Regis como Beatles e Smiths. “Gosto muito do Flaming Lips e suas explosões. A psicodelia me agrada, mais como conteúdo e menos como forma.”

Gravado nos Estúdios Minduca (do baterista Bruno Buarque) e Capitão Monga (de João Erbetta), “Hay Fever” foi mixado por Kassin e masterizado por Fernando Sanches no El Rocha, São Paulo. Mais uma vez, é um disco recheado de participações especiais: Dustan Gallas toca synths e faz backing vocals, Kassin toca teclado em “The Battery”, Clayton Martin, Richard Ribeiro e Bruno Buarque se revezam nas baterias das faixas.

Todas composições de “Hay Fever” são do Regis mas algumas em parceria com Júlia Debasse, outra com Mário Quinderé e também Daniel Pessoa, que foi o baterista do começo do Mr. Spaceman.

Em 2020, quase 7 anos depois, mais uma vez trabalhos como músico acompanhante e o nascimento da sua filha empurraram “Loop”, o 4º álbum, para frente. “Continuei compondo e guardando rascunhos. Até essa pandemia. ‘Loop’ foi todo gravado em Recife mas eu moro em SP há 18 anos. Vim pra cá quando aconteceu a primeira morte por Covid-19 em SP, resolvi ficar perto da minha filha. Gravei o Loop no quarto dela, depois que ela ia dormir. Fiz músicas novas, retomei antigas ideias, finalizei mais esse disco”.

Ao contrário dos álbuns anteriores, “Loop” não traz muitas participações. Mário Quinderé (agora também no Fish Magic) compôs algumas músicas em parceria com Regis e participa de “Running”. “Mário é um parceiro antigo, desde Fortaleza, da época do Velouria e Dead Poets. Desde lá que ele me ajuda com letras, sempre rápido e certeiro. Também fui produtor de 3 discos do Fish Magic”.

A filha Rita, de 7 anos, participa cantando em “Bliss”, faixa que abre o disco. “Loop” foi todo gravado no quarto dela, à noite, enquanto a pequena dormia em outro cômodo. Presos dentro de casa, o título se refere a “repetição dos dias iguais, por conta do isolamento social. Entra dia, sai dia, tudo igual“.

Ouça todos os discos no streaming:
Spotify
Deezer
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O que andam falando sobre o disco de estréia:

Agora o talento de Regis pode ser conferido em toda sua magnitude com o lançamento do CD do Mr Spaceman, seu projeto autoral com o qual vem desaguando suas composições que parecem verdadeiras aulas de união guitarra + belas melodias, juntando praticamente toda a história do rock dos anos 60 até aqui. ”
matéria na íntegra aqui
Luciano de Almeida Filho
O Povo – Fortaleza (março 2008)

o cosmonauta Regis Damasceno arquitetou um belo souvenir de canções firmes, fortes, melódicas, chuvosas, ensolaradas.
Alexandre Alves – site Lado Norte

Entrevista no site da produtora Alavancahttp://alavanca.art.br/2009/02/10/entrevista-regis-damasceno-o-mr-spaceman/