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Macintushie

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Pedro Baapz é desses que não liga para estúdios, grava em casa e acha que bedroom pop é apenas um nome chique para o famoso Lo-fi.

De participações no Alles Club (de Rodrigo Lopes), ao seu projeto mais pessoal, o BAAPZ, passando por colaborações com Flopsy Franny da Isabel (também parceira de BAAPZ, Alles Club). As músicas ficam espalhadas em Soundclouds e Bandcamps da vida. É um trabalho de detetive ligar todos os pontos.

O Macintushie é mais um ponto, o filho mais novo.

Começou em setembro de 2018, quando a Isabel passou no Baapz Studio para gravar voz numa música do BAAPZ (Pug Records). Depois de terminar a gravação, Pedro escavou das profundezas do seu HD uma versão instrumental esquisita, feita no precário Guitar Pro, convertida para 8bit e masterizada no Audacity, chamada “Sad”.

Em 15 minutos, Isabel tinha uma letra pronta. “A Bel sempre me impressionou”, conta Pedro. “A coisa andou porque ela deve ir morar fora. Então nós combinamos de aproveitar enquanto podíamos e produzir muito“. Nesse pique, Pedro e Bel estavam com 3 faixas gravadas quando Ruan foi chamado. “Ele veio para adicionar umas guitarrinhas e sacou o que estávamos criando. São dele os momentos mais catchy, e a linha de baixo espetacular em ‘Triplexxx’, que foi roubada de uma música que Ruan ia mandar para a Cinnamon Tapes. Mas isso é segredo tá?“.

Em menos de duas semanas, Pedro Isabel e Ruan tinham mais uma banda.

O nome Macintushie veio da inspiração tech-vintage do Macintosh Plus, com intenção de “firmar melhor o conceito despretensioso das músicas“, segundo Pedro. “Tushie é bunda. É uma palavra bem engraçada… e a gente achou que era libertador mandar alguém para aquele lugar haha“. Com seis músicas gravadas, Pedro trocou emails com Bráulio Almeida (do Devilish Dear) para masterizar. E assim “Stillwitchu” chegou ao midsummer madness.

Pode chamar de bedroom pop, dream pop, weird pop, pc music, vapour wave. Mas existem reverências ao shoegaze, ao chillwave, ao hip hop underground e ao funk 150BPM. Pedro e Bel, do alto dos seus vintes e poucos anos brincam: “Música de millenials para millenials“. Macintushie quer fazer shows, seguindo o ritual indie-rock com baixo, voz e guitarra, mas sem excluir as partes mais eletrônicas. Clipes de baixo orçamento com altas doses de carinho também estão na agenda.

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A esta altura você já deve ter percebido que a “Sad” acima acabou virando “Still With Me”. E todas as outras 5 músicas do EP “Stillwitchu” são esse processo de ligação de pontos.

Dedicado às suas produções caseiras e ao mesmo tempo formado em Artes e Design pela UFJF, Pedro materializa na capa, nas músicas e nos (futuros) vídeos o interesse pela desconstrução/reconstrução sonora. “Para mim, hoje em dia a arte precisa estar em constante interação: cinema e streaming, publicidade e memes. A música não precisa ser diferente. Acho importante abraçar tudo da nossa década e juntar com o fácil acesso ao material de décadas anteriores. A música do futuro para mim é aquela que vai contra qualquer preconceito estético. Você não é obrigado a gostar de tudo que escuta, apenas se desvincular de certas estéticas conservadoras. Conservadorismo na arte é o que não precisamos num período tão obscuro quanto o que estamos vivendo“.

Palmas!

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fotos por Rodrigo Baumgratz