random songs

\ZINE\

Loomer e a deserção pelo barulho

(por Filipe Albuquerque)

loomer_deserter_web

Em entrevista a Simon Reynolds no extinto semanário inglês Melody Maker no início dos anos 90, Robert Hampson, líder, guitarra e voz do grupo inglês Loop, dizia que a vontade dele era produzir uma música incômoda, que atingisse o ouvinte nas entranhas. E que, se fosse possível, adoraria trancar o público em uma sala e submetê-lo à hipnose das suas guitarras por horas, só pra observar o que a experiência provocaria.

Os gaúchos do Loomer não demonstram vocação pro sadismo. Pelo menos até agora. Mas a música que fazem desde 2008 é do tipo que te obriga a prestar atenção, ainda que de forma involuntária. Porque incomoda quem não se dispõe a ouvir guitarras no último volume, e arrebata quem passa os dias com os ouvidos em chamas metidos dentro de alto-falantes, sedento por microfonia. Em vez de desejar trancar uma multidão em uma sala e torturá-la com ruído no último volume, como propôs Hampson, a Loomer sopra no ouvido “hey, senta, que agora você vai me ouvir“.

“Deserter” é o segundo álbum dos gaúchos – sucede “You Woudn’t Anyway” (2013) -  quarto registro contando os eps “Mind Drops” (2009) e “Coward Soul”(2010). Todos lançados pela parceria independente Sinewave e Midsummer Madness, forjadas no do it yourself punk. Todos ardidos, de guitarras abrasivas, clima de festa adolescente dos anos 90, daquelas que poucas coisas sobrevivem.

Não te assusta, tá meio podreira“, disse Guilherme Figueiredo, o baterista, ao falar do disco, gravado nos estúdios Dissenso (SP) e Dub (RS), com produção, mixagem e masterização assinada pelo guitarra e voz, Stefano Fell. O que me fez lembrar de Jim Reid, na extinta revista Bizz, ainda nos anos 80, ao falar do irmão mais velho, William. “Ele sabe como usar a guitarra da maneira errada”. A Loomer também sabe. E isso é um baita elogio.

É o que os heróis da Loomer fazem de melhor – My Bloody Valentine, Dinosaur Jr, Jesus and Mary Chain, Velvet Underground e similares – destroem a imagem criada em volta do instrumento para reconstrui-lo com outras possibilidades, outros sons, outras pulsações.

(Continue lendo – aqui)

Ouça, baixe, compre “Deserter” aqui
Spotify – aqui

Postado 27/10/2017 às 0:01