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Justine Never Knew the Rules

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da esquerda, Marcel, Bruno, Maurício e Gabriel. Foto por Marceli Marques – facebook.com/marcelimarquesphotography/

Justine Never Knew the Rules se formou em março de 2013 quando Maurício Barros conheceu Bruno Fontes e Marcel Marques no famoso Asteroid (bar e casa de shows de Sorocaba). Bruno e Marcel já tocavam juntos há algum tempo mas sem conseguir dar forma a uma banda. Quem os apresentou foi Mario Bros, do Wry.

Maurício relembra: “Conversava bastante com o Mario sobre bandas como The Horrors, TOY, Yuck, sobre os clássicos My Bloody Valentine, Jesus & Mary Chain, etc… Marcel e o Bruno, que trabalhavam no Asteroid, adoravam essas bandas também, eram poucas as pessoas em Sorocaba que estavam ligadas nesse tipo de som. Como todos nós queríamos montar uma banda, foi questão de tempo até o Mario ligar os pontos e nos apresentar. Marcamos o ensaio na semana seguinte, nos tornamos bons amigos e estamos tocando juntos até agora“.

O nome da banda pode ser encontrado numa frase da música “1979″ do Smashing Pumpkins, mas a banda não vê uma referência direta do som da banda de Chicago em sua música: “O nome foi, de novo, uma sugestão do Mario do Wry. No começo não gostamos muito mas com o passar do tempo deixamos isso de lado. Há pouco tempo atrás uma amiga citou como referência uma novela do Marquês de Sade que foi desenhada também por Guido Crepax. Achamos demais!

Depois de procurar muito por um baterista, eles resolveram fazer tudo sozinhos. Como power trio, revezavam os instrumentos de acordo com a música que tocavam, e no melhor estilo Jesus & Mary Chain / Velvet Underground, a bateria foi reduzida a caixa, surdo e pratos. E assim lançaram a 1ª demo - “When You Least Expect It” –  em dezembro de 2013 em um show intimista na casa de Bruno Fontes. Um mês depois, o primeiro show público, no Sound (Sorocaba/SP), ao lado do Single Parents e Lupe de Lupe.

Em julho de 2014 a banda lançou o EP homônimo com as músicas “Isn’t So Hard”, “Red Lipstick” e “When You Least Expect It”, gravado num esquema DIY. Lançado nos formatos digital e fita cassete, esse EP rendeu uma turnê por diversas cidades de São Paulo, Goiás e Minas Gerais. Os bons shows geraram mais convites para festivais bacanas no ano seguinte, como a participação no Dia da Música em São Paulo (o Justine Never Knew the Rules tocou no palco Razzmatazz ao lado das bandas Mahmed, The Soundscapes, Loomer, Terno Rei, Kid Foguete e Wry), no Febre: Conferência e música de Sorocaba em 2015, e na 1ª edição do Festival Suburbano em Goiânia.

No final de 2014,  as músicas foram ficando mais complexas e difíceis de executar como trio e então eles começaram a procurar um baterista fixo. Gabriel Wiltemburg, que estudava produção fonográfica com o Marcel, entrou em junho de 2015. Ainda como trio, gravaram o primeiro single do álbum, “Coming Down”, lançado junto com um lado b experimental intitulado “Leaving Up”, e um clipe produzido pela própria banda. Bruno relembra: “Quando Gabriel entrou na JNKTR, tínhamos recém finalizado o single Coming Down e estávamos nos preparando para gravar Glad U Came, que acabou não entrando no disco”.

Imagem de Amostra do You Tube

O processo de gravação do álbum de estreia da banda, intitulado OVERSEAS, lançado em 17/out/2016, começou nessa época. Para chegar ao repertório de nove músicas, a banda adotou um objetivo simples, como explica Bruno: “Por ser o nosso primeiro álbum, costumamos dizer que é uma compilação de nossas composições preferidas desde 2013 até aqui. As músicas Cat Song e Just Like Yesterday, por exemplo, existem desde o inicio da banda, quando ainda nem tínhamos nome definido. Por outro lado, as canções French Film Girl e 16, são composições recentes, já com o Gabriel na bateria”.

As letras são escritas por Mauricio Barros e Bruno Fontes, e as composições são de autoria da banda. “Overseas” não teve um nascimento simples: passou por vários estúdios, como o Aquarela Studios, o Estúdio Mofo de Ouro e foi finalizado no Back Estúdio, da própria banda. Como sempre, eles mesmos gravaram todos os instrumentos e mixaram todas as músicas. “Temos a sorte de dois dos integrantes estarem no curso de Produção Fonográfica e terem o conhecimento necessário pra realizarmos todo esse processo. O responsável pela master foi nosso amigo João Antunes, que tem uma longa experiência de produção, inclusive com bandas desse segmento, como nossa conterrânea Wry“, explica Bruno.

A capa do álbum é do Rafael Carozzi, artista visual e integrante das bandas Kid Foguete e Readymades.

“Overseas” é um lançamento da OWYES!, que é o selo do Justine Never Knew the Rules, e o midsummer madness. O álbum está sendo lançado inicialmente no formato digital.

Abaixo, o texto de Luitz Terra sobre a banda e o disco:

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Foto por Marceli Marques – facebook.com/marcelimarquesphotography/

Em uma época que a guitarra está condenada à obsolescência, parece-me um tiro no pé montar uma banda e dar protagonismo para essa velha caixa de madeira barulhenta e cheia cordas. Ainda bem que, para nossa sorte, com o perdão do trocadilho, algumas pessoas nunca souberam das regras de bom senso e etiqueta do mainstream, e ignoram toda e qualquer tendência modernosa da música, apenas com um objetivo: LIBERDADE CRIATIVA, algo que só o “luxo” de ser artista independente, sem rabo preso com ninguém, pode proporcionar. Esse é o claro exemplo da banda Justine Never Knew The Rules daqui de Sorocaba, um grupo de garotos que tem maior tesão por aquilo que fazem.

O que me surpreendeu, desde o primeiro show, em 2014, era que a banda já sabia lidar muito bem com o palco. Sempre prezaram em proporcionar uma experiência visual mais lisérgica em suas apresentações, com mapa de palco e iluminação bem trabalhados, projeções de vídeos produzidos e editados por artistas locais, tudo para criar aquela atmosfera onírica e intimista que casa perfeitamente com a proposta musical do grupo.

Apesar de serem shoegazers natos, a banda nunca se restringiu somente a isso, como o próprio nome sugere, eles não estão interessados em seguir uma cartilha ou um manual de regras do shoegaze, todo o diálogo com vertentes diversas do rock alternativo sempre foi bem-vindo. Desde o começo, por exemplo, a gente já podia observar um flerte com a psicodelia, com o dreampop e agora, os vejo apresentando músicas um pouco “mais pops”, mas com leves pinceladas de art rock e post rock.

Como a obra do pintor Marc Chagall, que pode tanto celebrar a beleza dos amantes como também é capaz de registrar as tensões e medos causados pela guerra, o som da Justine é assim: nos leva sempre a lugares extremos , repleto de contrastes e cores, da amabilidade à melancolia, da leveza de sonhar ao peso de existir. Difícil como a sensação de estar transando pela ultima vez com alguém que (talvez) não te ame mais, numa dura despedida de corpos e, ao mesmo tempo, tão relaxante como ficar um tempo observando gatos.

A receita é simples, porém ousada: Imagine uma balada pop perfeita, com uma melodia bela e ensolarada como as do Beach Boys, agora afogue tudo isso em timbres atmosféricos de guitarra, microfonias, muros de som e pedais de fuzz … temos aí a dinâmica que descreve o Beautiful Noise da JNKTR.

Por Luitz Terra, artista sorocabano

 

O que andam falando por ai:
“Que disco fantástico! É o melhor disco desse ano (para meu gosto, claro) disparado!”
Pedro Damian – Shoegazer Alive