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\BANDAS\

Jess Saes

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Tomem os seus assentos para uma jornada por ondas nunca dantes moduladas! Preparem os seus ouvidos, relaxem a mente. Um espírito aberto e receptivo será de suma importância enquanto durar essa viagem.

Com o disco de estreia homônimo, a banda Jess Saes se apresenta insistindo no bom rock em um tempo onde a música descartável invade as paradas. Em plena primeira década do século XXI, Marcelo Pires (ex-Terrible Head Cream), F. Kraus (ex-Second Come), Tiago Lyra e Ricardo Dias se inspiram na psicodelia dos anos 60 para criar atmosferas sonoras, sem abdicar de elementos de outros estilos. Podem ser notadas linhas de jazz, progressivo, post-rock, trilha sonora e tudo o mais que a salada de gêneros lhes permitir. O disco traz o binômio prisão-liberdade como temática central das músicas. Talvez como uma metáfora à prisão em que a música atual se encontra e à liberdade que eles têm de criar como bem lhes aprouver, independentes, sem qualquer pretensão que não a pura diversão.

Quando começou a ser gravado em 2003, o disco se chamaria Deus está vivo e bem num cubo de açúcar. O título remete ao filme Busca Alucinada (Psych-Out, 1968), de Richard Rush, em que uma menina recebe um cartão postal do irmão dizendo que God is alive and well and living in a sugar cube. Do mesmo filme, aliás, vem o nome da banda: lê-se Jess Saes em um bilhete semidestruído. Referências cinematográficas não param ai: a faixa Miles and miles away faz referência a Mad Max, buscando o mesmo andamento alucinado, ritmos quebrados e recheada por samples de sons e diálogos do filme.

Marcelo Pires faz a base de guitarra, junto com Tiago Lyra no teclado. É como uma cama sonora em cima da qual Francisco, segundo guitarrista recém incorporado, destrincha seus riffs e solos psicodélicos. As quebras de ritmo e harmonia ficam a cargo do baixo de F. Kraus e da bateria de Ricardo Dias. Os vocais são conduzidos por Marcelo Pires, alternando a agressividade e distorção de Dois Sóis com a clareza melódica de Nebulosas, para citar os extremos.

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Entrevista publicada no site Drop Music em fevereiro de 2002:
É também o caso do Jess Saes, banda carioca com três anos de estrada, que pega esta mesma via e vem com um trabalho recheado de guitarras distorcidas e climas sessentistas, mas que não fica apenas nos Beatles – que não aparece em nada do som da banda – ou Pink Floyd.

Eles lançaram um primeiro EP, pela Midsummer Madness, com 7 músicas gravadas em um ensaio e ao contrário do que falam sobre a banda – e eles mesmos não concordam com isso – não acho que sejam só uma banda progressiva, eles são muito mais uma banda de roquenrou do que outra coisa. O excelente trabalho instrumental, principalmente as bases montadas pelo guitarrista Marcelo Pires com peso na medida certa para que o segundo guitarrista da banda, Jorge, possa viajar em seus solos e também deixam caminho livre para o vocalista e baixista F. Kraus ´brincar´ com seu instrumento. Esta postura, talvez, ajude a criar a impressão de que sejam uma banda progressiva. O novo disco deles, Deus Esta Bem e Vivo Num Cubo de Açúcar, deve sair até o fim do ano e o que ouvimos mostra uma banda mais coesa, sem perder o punch do primeiro trabalho e, mesmo com a entrada de um tecladista, acabou não saindo muito diferente do EP de estréia. Ainda bem!!

Também dá pra termos uma noção das influências só de olharmos na sessão links do site deles, isso para os mais preguiçosos que poderiam estar se divertindo ouvindo o CD. Tem desde Violeta de Outono (a mais conhecida banda psicodélica brasileira) até Syd Barret (enlouquecido, literalmente, quitarrista do Pink Floyd), passando por nomes como Gong, Sigur Rós e Tortoise. Mas, além destas bandas aí de cima, existe elementos de King Crimson, Cream e da chamada linha hard progressive, algo mais ligado ao hard rock que ao progressivo propriamente dito, no trabalho do Jess Saes.

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Apostando no rock progressivo ou, mais precisamente, psicodélico o Jess Saes vai totalmente contra a onda do brit pop que assola o país e também se arrisca a ficar restrito a um grupo pequeno de iniciados. Mesmo optando por um lado mais pop, se é que é possível falarmos em pop neste caso, é complicado para a banda ultrapassar as barreiras do preconceito que o brasileiro – não só o brasileiro diga-se – tem para com o rock dito progressivo e suas vertentes. A última banda a vencer esta barreira foi o Violeta de Outono, isso lá pelo meio dos anos 80. Mas parece que estão no caminho certo, se até o Skank, no novo disco, aponta um tantinho para o progressivo – guardadas as proporções é claro – é sinal que existe campo para o som que o Jess Saes faz.

O Jess Saes é:
Marcelo Pires – voz e guitarra
Jorge – guitarra e voz
F.Kraus – baixo e voz
Ricardo Dias – bateria
Tiago Lyra – teclados

Abaixo você conhece um pouco mais da banda nesta entrevista feita via Messenger com o baixista e vocalista F. Kraus, e também pode curtir três músicas do Jess Saes.

DropMusic: No release da banda no site da Midsummer consta que são uma banda progressiva. Isto é correto?
F.Kraus: NÃO.

DropMusic: Então como você classifica a banda hoje?
F.Kraus: Continuamos buscando uma cara mais psicodélica. Temos influência de progressivo sim, mas também de jazz, punk, guitar-bands, etc. As letras também mostram bastante este lado psicodélico.

DropMusic: Mais próximo a um Pink Floyd do início de carreira do que dos outros discos?
F.Kraus: Um pouco disso, com um pouco de Meddle, mais uma pitada de King Crimson (o primeiro), e krautrock, o ´grunge´ dos 90, alguma coisa (bem pouca) dos 80…

DropMusic: Uma coisa que tenho reparado é que muitas bandas estão procurando um som mais próximo aos anos 60. É apenas coincidência ou realmente a música feita naquele tempo era melhor? *
F.Kraus: Eu acho que era mais livre. Assim como nos anos 70. Depois ficou mais ´dura´, sem experimentação, muito lamento, pouca viagem. Nós fazemos música desta forma: livre.

DropMusic: Vocês estão com um tecladista, e essa é a diferença maior entre o novo trabalho e primeiro, o que muda no som da banda?
F.Kraus: Na realidade, quase 100% das músicas foram compostas sem o teclado. Pensamos sempre nas guitarras. O teclado é uma ´terceira guitarra´. Acho que o som ficou ainda mais solto, fazendo com que você balance a cabeça e muito pouco o corpo. Só há um ´solo´ de teclado em todas as músicas… um mini-moog. E o solo foi tocado pelo guitarrista!! (rs)

DropMusic: O tipo de som que vocês fazem não é muito ´comum´ de se ouvir entre as novas bandas, que mesmo optando por soar sessentistas partem para um lado mais beatles. E é mais difícil ainda de se ouvir em rádio. Como lidam estas pequenas dificuldades?
F.Kraus: Esse lance Beatles é o que nós sempre vemos nas bandas novas. Mas acho que isso é referência. Nós ouvimos de tudo. Tudo mesmo. A maioria fala em psicodelismo, mas não sai de Beatles e Pink Floyd no início. Poucos conhecem outras coisas como Moving Gelatine Plates, Hawkwind (no início era mais leve e espacial), Grateful Dead, etc. E a maioria passa batida pelos anos 70, dando uma paradinha apenas no glam ou no punk. Nós não. Cara nós fazemos o som que nós gostamos e isso é o mais importante. Se conseguirmos fazer alguns shows, sensacional. Tocar em rádio… não temos tanta pretensão…

DropMusic: Falando em tocar ao vivo, a banda não é conhecida fora do Rio, mas vocês estão entrando em alguns festivais. Como esta sendo a receptividade?
F.Kraus: Muito boa. No Bananada, em Goiânia, foi excelente! Um público ótimo, ficaram perguntando se o disco já tinha sido lançado, recebemos uma penca de mails depois, etc. Estamos esperando agora o retorno do Indie Rock Brasil em BH. Espero que possamos tocar lá também. É interessante ver a cara do público quando você faz barulhos e toca músicas longas e instrumentais…

DropMusic: No Bananada vocês iam tocar na mesma noite que o Garotos Podres. Não rolou nenhum tipo de stress com o público que estava a fim de curtir mais punk rock?
F.Kraus: Nenhum. Rolou sim stress com os ´velhinhos batutas´. Eles trancaram o camarim no show deles, colocaram um segurança na porta e não deixavam as bandas entrarem pra pegar instrumentos, etc. Coisa de punk institucionalizado. Coisa de velho. Foi uma das coisas mais bizarras que já passei!! E olha que estou nisso faz tempo! (rs)

DropMusic: Você veio de uma banda conhecida no underground o Second Come, existe algo dele no Jess Saes?
F.Kraus: Sempre há algo, mas nada que chame a atenção.

DropMusic: Vocês tem vários links para diversas bandas no site. Algumas com som bem diferente entre si, como o Violeta de Outono e o Los Hermanos. O que elas representam para o Jess Saes?
F.Kraus: O Los Hermanos nós achamos dukct. É algo alternativo ou indie num grande esquema. E o lance samba-canção+guitarra é muito bonito. O Violeta já vejo uma pequena proximidade, se não sonora, conceitual. A maioria dos links de bandas são coisas que gostamos, ouvimos. Tem algumas ´brodagens´, claro, mas colocamos links que de alguma forma tenham a ver com a banda ou com as pessoas da banda.

DropMusic: O disco novo vai sair ainda este ano, depois disso o que vocês esperam que role?
F.Kraus: Esperamos que saia até setembro. Depois esperamos fazer alguns shows no RJ, voltar a Goiânia, talvez SP se existir algum lugar pra tocar, etc. Queremos tocar e mostrar o som da banda. E nos divertir bastante! Este é o único ´compromisso´ que assumimos quando montamos o Jess Saes: nos divertir fazendo aquilo que nós gostamos muito!!!