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Fish Magic

Noites de mágica

O ano é 1994. Uma efervescência musical juvenil aflora no meio universitário de Fortaleza. Nesse cenário de guitar bands, o Dead Poets, liderado pelo vocalista e guitarrista Mário Quinderé, se destacava com um som que remetia ao Echo & The Bunnymen e ao House Of Love. No ano seguinte, lançaram uma fita demo (em K7 ainda) auto-intitulada, distribuída nacionalmente pelo Midsummer Madness. Em 1996, a banda dividiu um CD Split (“No more dancing days“) com outro grupo cearense, o Velouria. Sempre fazendo shows e conquistando público, o Dead Poets seguiu por mais alguns anos. Porém, no início dos anos 2000, após mudanças de formação e um último EP (“Stop your heart”), a banda acabou.

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20 anos depois

Longe de Fortaleza e radicado no Rio de Janeiro, o cantor e compositor Mário Quinderé revela este ano oito belas canções com o disco “Songs From The Night Shift”, primeiro lançamento do projeto Fish Magic, uma one man band cujo nome foi tirado de um quadro do pintor suíço Paul Klee (1879/1940). O projeto e o disco só tomaram forma em 2014, quando Mário, quebrando um hiato de 10 anos sem tocar, iniciou um processo prolífero de composição e gravação.

Aproveitando as horas vagas do trabalho como jornalista, geralmente nos turnos da noite (daí o nome do disco), Mário, ou melhor, o Fish Magic, pôde desenvolver de forma livre o processo de criação de “Songs From The Night Shift”. Na gravação, ousou tocar todos os instrumentos e se arriscou em sons com os quais jamais havia trabalhado antes, como flautas, glockenspiel e wurlitzer, além de alguns elementos eletrônicos, que dão ao disco uma riqueza peculiar de timbres.

Ao longo de “Songs From The Night Shift”, as oito músicas desenham um mosaico de melodias que se complementam e imprimem sentimentos distintos: a esperança no pop de “In a Heartbeat”, a alegria na solar “Pristine”, o rancor na noisy “The High Hand”, o amor juvenil de “Moonrunner”, a passagem do tempo no folk “Where the Summer Nights Go Blue” e a liberdade no college rock de Season of Wonder”. Não por acaso percebe-se uma textura noturna pairando em todas as composições.

Desprendido de uma banda e livre no processo de criação, o Fish Magic contou com a participação do músico Regis Damasceno (Mr. Spaceman, Cidadão Instigado, Porto, Marcelo Jeneci), que emprestou seu toque pessoal ao trabalho tocando todos os baixos e assinando a co-produção do disco. A parceria reforça uma amizade de mais de 20 anos, simbolizada pela regravação de “All For Nothing”, música emblemática da antiga banda de Regis, o Velouria, que ganha aqui uma nova versão, minimalista, com pianos e cordas no lugar das guitarras do original.

Fechando ”Songs From The Night Shift”, a bela balada eletrônica “Ether” traz um dueto entre Mário e a cantora carioca radicada em São Paulo, Bárbara Eugenia. Dona de uma voz suave de timbres graves, a musa empresta seu encanto e talento para encerrar essa obra de forma íntima e delicada.

O disco ganhou corpo e peso com a mixagem de Bernardo Pacheco na Fábrica de Sonhos e a masterização de Bruno Fiacadori no estúdio Space Blues, ambos em São Paulo. “Songs From The Night Shift” sai em formato digital pelo Midsummer Madness, o mesmo selo que lançou a primeira demo do Dead Poets há 20 anos. Assim, fecha-se um ciclo e outro começa. Mas sempre no melhor turno, o da noite.

George Frizzo


Floga-se elogiou o videoclipe e por tabela a música. Leia na íntegra.
“É de “Songs From The Night Shift” que sai “In A Heartbeat”. A música ganhou esse bonito clipe, dirigido por Rômulo Cyríaco, centrado na beleza da atriz Julia Cartier Bresson. A música é um indiepop bacaninha, em inglês, com guitarras leves, limpas, som cristalino.”

Rock In Press achou referências interessantes, concorda ou não?
“O Ex-Dead Poets Mário Quinderé resolveu dar um novo caminho em sua música e criou o projeto solo Fish Magic, cheio de melodias oitentistas, lembranças de bons garage rock, um pouco do início dos anos noventa e boas melodias para balançar a cabeça enquanto ouve com o fone de ouvido.”

Trabalho Sujo cavucou as origens do indie rock cearense: http://www.oesquema.com.br/trabalhosujo/…/17/indie-do-ceara/
“Bandas como Dago Red, Banana Scrait, Velouria, Dead Poets, Heaven Up e 69% Love hoje são apenas notas de rodapé na história do indie brasileiro, cassetes juntando poeira nas caixas de alguma coleção, mas alguns destes heróis daquela resistência seguem insistindo naquela musicalidade particula”

Adriana Martins, do Caderno D do jornal Diário do Nordeste, fez uma extensa e bela matéria sobre o Fish Magicclique aqui para íntegra
“Sobre o disco, se você tem mais de 35 anos e aprecia aquelas referências oitentistas mencionadas, vai achar especialmente interessante – tipo uma “confort food”, mas musical. Com oito faixas, quase todas entre dois, três minutos (sempre uma boa escolha), “Songs from the night shift” é uma pequena pérola, pra ser guardada sempre perto nos arquivos digitais.”

 


Fish Magic no iTunes - http://itunes.apple.com/us/album/id976384049
Fish Magic no Rdio - http://rd.io/x/Qj4XdVo/
Fish Magic no Deezer – http://www.deezer.com/album/9906454
Fish Magic no Spotify – http://open.spotify.com/album/6zT2C4kygeXLfecp3MbVp3