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Echo Upstairs

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foto por Jô Belíssimo

Echo Upstairs é a nova banda de um monte de gente bacana: Ana Zumpano, ex-baterista do Lava Divers; Gilbert Spaceh, ex-guitarrista do Early Morning Sky; Mauro Terra, baterista do Early Morning Sky e Bigu Medina, de vários projetos na Transfusão Noise, incluindo a Oruã. É um projeto que nasceu de encontros e reencontros, pessoais e interpessoais.

Em 2018, Ana se mudou de Uberlândia para São Paulo. “Queria expandir musicalmente, viver de perto a cena e precisava urgentemente conciliar meu estilo de vida com a música“, confessa.  Só que a distância entre as cidades minou a dinâmica de composição no Lava Divers. “Cheguei a ir para Uberlândia para encontrar com eles pessoalmente para tentar uma solução que deixasse todo mundo mais confortável. Mas percebi que eles já estavam decididos. Eu queria que eles estivessem felizes, eu sentia muita saudade da banda, mas, eu também estava feliz morando em SP“.

Se aclimatando à capital paulista, Ana começou a tocar com várias bandas.  No finalzinho de 2018, ainda baterista do Lava Divers, ela tocou bateria num show Early Morning Sky porque o baterista da banda, Mauro Terra, tinha um compromisso. Ana foi convidada por Gilbert Spaceh, naquela época ainda guitarrista do EMS. Nos ensaios, Ana sugeriu que eles tocassem “Forbidden” do Lava Divers, escrita por ela para guitarra.

A senha estava dada: durante o show, Gerson foi para a bateria e Ana assumiu a guitarra e os vocais. Segundo Ana, “foi realmente especial, naquela noite tive a certeza de que gostaria de levar minhas composições mais pra frente. Quando tomei a frente do palco e toquei guitarra com o Gilbert me acompanhando, bateu aquela sensação gostosa de familiaridade, parecia que a gente já tocava junto a bastante tempo!

Depois desse show, Gilbert chamou Mauro (baterista do Early Morning Sky) e o Bigu Medina pra tocar baixo para alguns ensaios.”Não deu outra“, lembra Ana, “rolou aquela brisa maravilhosa que faz a música fluir. Gravamos uma versão de “Not the Same” do Dinosaur Jr. que entrou numa coletânea do TBTCI e a partir disso começamos a nos encontrar toda semana“.

O nome Echo Upstairs foi pensando para trazer “um tipo de brisa sonora que viesse de algum lugar superior, do alto celestial, que juntasse camadas etéreas e pedradas de distorção“. Na nova banda, Ana saiu de vez da bateria para assumir guitarra e vocais. “Meu primeiro instrumento foi o violão. Bateria eu só tocava no meu pensamento mesmo. Como era um instrumento de mais difícil acesso, toquei violão primeiro“.

Antes da pandemia (março 2020) a banda estava em ritmo acelerado, com várias composições sendo arranjadas coletivamente, um total de nove, aproximadamente. Começaram a esboçá-las em casa num porta-estúdio Tascam de 4 canais, para depois entrar em estúdio e gravar um EP com 4 músicas. “Conseguimos gravar baixo e bateria e e dai veio a pandemia. Desde então o EP está parado“.

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foto por Jô Belíssimo

A maioria das músicas ainda não lançadas foi composta por Ana, meio que num reencontro com aquela vontad antiga de compor mais. Gilbert também escreve, e os dois acabam compondo juntos também.

Com a quarentena, Ana começou a gravar mais em casa. “‘Green Quartz’ é de um riff que tenho desde os 20 anos de idade e, só agora, tive tempo e vontade de me aprofundar e amadurecer essa composição. Gravei tudo aqui em casa (voz, guitarras, bateria, sintetizadores e meia lua) e o Bigu compôs e gravou a linha de baixo na casa dele

A letra foi feita em conjunto com Marky Wildstone. “Ele é escritor e estávamos conversando sobre a poesia que eu gostaria de passar através da letra. Mandei pra ele alguns escritos, uns rabiscos e poemas e ele transcreveu de um jeito que parceria que eu estava dizendo aquilo antes mesmo de dizer. Gravei o vocal no primeiro take (foi o que eu mais gostei).”

Enquanto o Mundo se engana relaxando a quarententa, o Echo Upstairs segue confinado, respeitado a suas vidas e a vida dos outros. “Estamos estudando uma forma do Mauro captar a bateria em casa e o Gilbert gravar guitarras também. Antes da pandemia a gente fez alguns shows e foi muito foda. A gente quer voltar a tocar toda semana e fazer shows por aí. Queremos lançar canções, fazer camisetas, lançar coisas físicas, a demo em fita quem sabe. Temos várias ideias de clipes que temos vontade de fazer. Sei lá, tem muita coisa pra viver, muita música pra nascer“.

“Green Quartz” sai dia 08/07/2020 como single digital pelo midsummer madness.

 

Premiér de “Green Quartz” no Hits Perdidos. Leia aqui.

 

“Green Quartz”, por Lucas Lippaus
Bandas que apresentam músicas mesclando elementos distintos, mas que soem de forma natural, sempre foi algo admirável para mim, justamente por não ser algo simples. O processo exige uma grande bagagem cultural e muita sensibilidade da parte de seus integrantes.

A banda mostra que, apesar de alguns integrantes estarem assumindo funções inéditas para eles próprios, suas experiências permitem chegar aonde pretendem. “Green Quartz” é uma música pop com a clássica fórmula do gênero (intro/verso/refrão), mas ao mesmo tempo explora sonoridades ruidosas e profundas, que podem ser encontradas em gêneros como Shoegaze ou Dream Pop.

Baterias minimalistas, guitarras ambientes, vocais etéreos e um teclado delicado. A execução desses instrumentos em “Green Quartz” transmite profundidade, melancolia, delicadeza e até mesmo inocência. Sempre variando suavemente a intensidade de sua execução.

Em momentos difíceis, “Green Quartz” se torna uma evasão. Um refúgio de alguns minutos que nos faz esquecer qualquer agonia ou medo do dia. Que venham mais músicas assim da Echo Upstairs.