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Cigarettes

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foto de Eugênio Vieira

“What is that sound high in the air”,
pergunta-se T.S.Eliot no quinto trecho de seu poema “The Waste Land”.

Nesse que é um dos textos centrais da poesia modernista na língua inglesa, publicado em 1922, o autor perpassa vida, morte, religião, esperança e desespero num caleidoscópio de imagens febris. Não há em “The Waste Land“, o novo álbum da banda fluminense The Cigarettes, o tom épico e avassalador da poesia de Eliot. Ao contrário: trata-se de uma jornada intimista, feita de sussurros e não de brados aos céus. Só que, por vezes, o paralelo entre os versos modernistas e o universo habitado por Marcelo Colares, vocalista e compositor do grupo, se torna irresistível. Quem conhece pode confirmar: vai dizer que o seguinte trecho da “terra arrasada” de Eliot não poderia ser uma letra de Colares?

“My nerves are bad tonight. Yes, bad. Stay with me.
Speak to me. Why do you never speak. Speak.
What are you thinking of? What thinking? What?
I never know what you are thinking. Think.”

“The Waste Land” é o quarto álbum dos Cigarettes. A banda vem trilhando um caminho absolutamente à parte dos sabores momentâneos do mercado, alheia até mesmo às modas da cena indie brazuca, que ajudou a levantar. Mas nos últimos anos, vejam vocês, Colares tem retornado à superfície de forma cada vez mais constante. Desde o último LP (homônimo, lançado apenas em vinil), o grupo tem feito shows e gravações que desembocam agora neste novo trabalho.

É o disco mais delicado e intimista da banda, fundamentado num clima lo-fi que transporta o ouvinte para dentro do quartinho solitário onde Colares compôs, ou deve ter composto, essa nova safra de canções. O eterno embate que sempre caracterizou sua obra – introspecção lírica X musicalidade efusiva – está presente, com a balança pendendo mais para a melancolia. A luminosidade pop do passado foi substituída por uma atmosfera enevoada. Entretanto, em meio às guitarras ora ruidosas, ora caprichosamente melodiosas, entre os frágeis lamentos ora apaixonados, ora desolados, emergem potenciais clássicos.

Assista ao mini-doc dirigido por Eugênio Vieira sobre a gravação do disco:
Imagem de Amostra do You Tube

A trinca de canções de abertura – “Atenas” (esta instrumental), “17 Years” e “Crystalline Rebirth” – mostram que o dom melódico permanece intacto. Na única música cantada em português, “Mantra da Espera” (uma versão para composição original de Laura Wrona) Colares contrapõe um arranjo sombrio ao tom esperançoso da letra (“Quando menos se espera / do inverno mais frio / sempre surge a primavera”).

Como em outros tempos, as femmes fatales surgem para tirar o sono do poeta: em “Plus Belle” ele anseia pela encrenca (“you said you were trouble / I said you are everything I want”), e em “Mandy V2” Colares se encontra perdido na temida friendzone (“Because we work together / but we are not together / and I guess we’ll never be”). No noise desconstruído da faixa-título, possivelmente o momento mais experimental da carreira da banda, o vocalista promete: “And when the world ends / I will meet you somewhere else”. “The Waste Land” pode não ser o “som alto no ar” que intrigava Eliot. Mas não deixa de ser um belo reencontro.

Felizmente, antes do fim do mundo.
(texto por Marco Antonio “Bart” Barbosa)

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Colares e Ugeda em estúdio (foto de Eugênio Vieira)

“The Waste Land” por enquanto disponível apenas no formato digital.
gravado entre 22 e 26 de maio de 2015 no Estúdio Tranco em São Paulo
Produzido por Marcelo Colares e Sergio Ugeda, Engenheiro de som: Sergio Ugeda; Técnico: Leonardo Tomás de Almeida.
Capa por Bárbara Scarambone.
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 O que andam escrevendo sobre “The Waste Land”:

“The Waste Land” explode nas caixas de som com a instrumental “Atenas”. Dali em diante, a maçaroca de guitarras e efeitos estaria garantida com a bela “17 Years”, balada que lembra os arroubos melancólicos de um certo senhor chamado Serge Gainsbourg.
Caderno 3 – Diário do Nordeste

Tanto que a mais interessante das sete novas tocadas é a bonita “Plus Belle”, que, ao vivo ganha um ritmo mais acelerado sem deixar escapar a doçura que lhe caracteriza.
Marcos Bragatto sobre o show de lançamento no Audio Rebel, 24/07/2015 – Rock em Geral.


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