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Baudelaires

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Power Pop é um estilo musical, uma categoria que circula bem entre jovens norte-americanos, ingleses e, curiosamente, na capital da Espanha, Madrid. Uma música com vocalizações, melodias, harmonias e tudo o que compõe a métrica de uma ótima canção pop. Mas aqui essa fórmula ganha força com guitarras mais ácidas, mais altas que o normal e com a mesma facilidade de se instalar no chip da memória e fazer com que a melodia grude por horas e horas. Essa é a função do Power Pop e de bandas que consagraram o estilo, como The Replacements, Big Star, The Romantics, Teenage Fanclub, Fountains of Wayne e The Posies.

E sabendo de tudo isso, entra The Baudelaires, quarteto surgido na fervorosa e ritmada Belém, em plena Amazônia, que entende o que é Power Pop e que venera todas essas grandes bandas e suas melodias inesquecíveis. Para quem sempre escutou rock e não se ligou exatamente no que é o estilo, a banda pode parecer apenas mais uma. Mas aos ouvidos mais atentos e treinados por grupos como The Zombies, Beatles e Beach Boys, sabe que existe algo mais verdadeiro ali, de gente que realmente consumiu as vocalizações dos 60s e as guitarras em acordes abertos e cheias de overdrive venenoso dos anos 90. E o idioma para todas essas referências? Sim, em inglês. Simplesmente porque soa melhor, não é necessariamente uma obrigação ou a ansiedade em pegar estrada.

The Baudelaires começou sua carreira em 2009 com o encontro dos dois principais compositores e vocalistas, Andro Felipe e Marcelo Kahwage. Ambos vinham de bandas já conhecidas no circuito rock de Belém, respectivamente Vinil Laranja e Dharma Burns. Desse encontro e da descoberta do gosto em comum por Big Star e The Posies veio a tentativa de tocar e compor juntos. O resultado foram belas canções como “She’s a Queen”, “Song that I wrote to you”, “Little Rino” e “Photographer”, todas no disco de estreia “School Days” (Ná Music), que ainda conta com o baterista Bruno Oliveira e com o baixista Ariel Andrade, posteriormente substituído por Marcelo Damaso.

A banda já tocou em duas edições do Festival Se Rasgum, em Belém, e também se apresentou no Festival Do Sol (Natal, 2012), Festival Quebramar (Macapá, 2010), Grito Rock (Cuiabá, 2009), Vaca Amarela (Goiânia, 2010), além de ter sido a banda de abertura para os shows da banda americana Nada Surf (tocando junto com Doug Gillard,músicas do Guided By Voices) e Móveis Coloniais de Acaju.

Depois dos EPs virtuais “Little Rino” e “City Love, a banda lançou no final de 2013 seu segundo álbum, intitulado “Charlie“, uma homenagem póstuma a um amigo de Kahwage e Andro. O disco traz a banda em sua melhor fase de amadurecimento musical em músicas fortes como “City Love”, “Say you want me” e “Time”. Traz suspiros adolescentes como “Arms alright”, “Pam” e “Teletransportation now”. E tem as faixas que a banda já trata carinhosamente como carros chefes: “Vegan girls”, “Dear lover” e a explosiva “Come over”, que entrou no disco aos 47 minutos do segundo tempo.

A banda já recolheu elogios de grandes especialistas no estilo, como Paolo Millea, que escreveu em seu blog Power Pop Station que “não importa se eles batem em um peito norte-americano, espanhol ou japonês. Apenas bombeam o fluxo contínuo de bem-estar gerado pelas ondas sonoras impregnadas de harmonias angelicais. Não importa se estes corações foram acertados em uma cidade da Amazônia brasileira – porque, na verdade, não há lugar seguro para se esconder do power pop. Nem em Nova Iorque, Tóquio ou Belém”.

Contrariando o destino do poeta francês mais influente do século XIX que batizou o grupo, Charles Baudelaire, a banda não faz questão de morrer sem conhecer a fama, mas também não corre desesperadamente atrás dela. Apenas quer que sua poesia reúna alguns fãs que a reconheçam como verdadeira. E, marginal ou não, o que importa é que fiquem as melodias de uma bela canção pop.

The Baudelaires é:
Andro – Guitarra e voz
Marcelo Kahwage – Guitarra e voz
Marcelo Damaso – Baixo
Bruno Oliveira – Bateria