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\ZINE - novembro de 2019\

Novo single e vídeo da Moon Pics

O Moon Pics de Adriano Caiado, natural de Brasília, foi muito elogiado quando lançou o split single com aliendwag em Abril deste ano: o Shoegaze blog chamou de “joia da semana” dizendo que “são músicas muito bonitas, dotadas de um charme discreto e melancólico”.  Nos meses seguintes, Adriano fez alguns shows em Brasília, incluindo a edição 2019 do Festival Picnik.

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foto por Ana Calaça

Entre o quarto e o palco, Adriano está lançando duas novas músicas: “Fall” e “Like Rain”, ambas gravadas em sua casa, com masterização à cargo do amigo de sempre Luiz, do aliendawg..

“Fall / Like Rain” está saindo apenas em formato digital. “Gosto da facilidade e rapidez do digital em comparação ao meio físico. Apesar disso, sempre tive vontade de lançar algo no formato físico, principalmente para vender nos shows. Eu não compro produtos físicos de bandas internacionais pois não sinto necessidade. Mas dos músicos daqui de brasília ou de bandas brasileiras eu compro”.

Nos dois lançamentos recentes, Adriano preparou vídeos para os singles. Em ambos, imagens antigas de filmes gastos, feitos em celulóide. “Eles me lembram a asperidade da produção lo-fi nas músicas da Moon Pics. Também procuro filmes onde o autor tenta fazer com que o espectador se perca, da mesma forma que tento fazer com as minhas músicas”.

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Postado 27/11/2019 às 13:03

Moon Pics

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Moon Pics é Adriano Caiado, 20 e poucos anos, natural de Brasília, onde vive até hoje. Sua primeira banda foi um projeto chamado Corvalis onde já gravava sozinho em seu quarto. O Corvalis ainda existe mas virou um espaço para experimentos sonoros. Foi quando Adriano começou a escrever músicas em Inglês, ele criou o Moon Pics, inspirado pelo álbum “Moon Pix” da Cat Power.

Foram 2 lançamentos pelo selo curitibano Low/Slow: “Motion (EP)” em Agosto 2018 e “Number One / What if” em Outubro 2018. Em Abril de 2019, Adriano se juntou a Luiz Spíndola para lançar o 3º single, desta vez um split com o projeto aliendawg., de Luiz.

Gravando cada um em seu quarto, eles trocaram canções e resolveram lançar juntos. A troca de arquivos, com instrumentos sendo acrescentados a cada ida e vinda, foram finalizadas com baixo e guitarras regravadas no apartamento de Luiz, vozes gravados no quarto de Adriano. Bedroom pop na sua forma mais pura.

O split single foi muito bem recebido por blogs estrangeiros especializados: o Shoegaze blog chamou de “joia da semana” dizendo que “são músicas muito bonitas, dotadas de um charme discreto e melancólico”. O Destroy/Exist pontuou que são duas bandas brilhantes e que ainda tem muito a oferecer.

Empolgado com a boa recepção, Adriano juntou amigos e fez alguns shows com banda em Brasília, um deles na edição 2019 do Festival Picnik. Nos shows, Luiz Spíndola da aliendawg. toca 2ª guitarra, o Clayton Borges do Palma Dulce toca teclado, o Rafael Ribeiro (bateria) e Matheus Luan (baixo). Adriano toca guitarra e canta.

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foto por Ana Calaça

A principal diferença entre o quarto e o palco é que “é que no momento da gravação eu tenho muito mais controle sobre a sonoridade da música. Ao vivo esse controle é menor. Mas ao vivo, a música é trazida à vida bem na nossa frente, e toda performance com a banda é única”, compara Adriano.

Em Novembro de 2019, Adriano lançou mais duas músicas: “Fall” e “Like Rain”, ambas gravadas em seu quarto, como todas anteriores. A masterização deste single duplo ficou à cargo do amigo de sempre Luiz, do aliendawg..

“Fall / Like Rain” saiu apenas em formato digital. “Gosto da facilidade e rapidez do digital em comparação ao meio físico. Apesar disso, sempre tive vontade de lançar algo no formato físico, principalmente para vender nos shows. Eu não compro produtos físicos de bandas internacionais pois não sinto necessidade. Mas dos músicos daqui de brasília ou de bandas brasileiras eu compro”.

Nos dois lançamentos recentes, Adriano preparou vídeos para os singles. Em ambos, imagens antigas de filmes feitos em celulóide. “Eles me lembram a asperidade da produção lo-fi nas músicas da Moon Pics. Também procuro filmes onde o autor tenta fazer com que o espectador se perca, da mesma forma que tento fazer com as minhas músicas”.

O ano seguinte, 2020, seria um ano totalmente fora do comum. Ainda no primeiro trimestre, o Mundo foi assolado pela pandemia de Covid-19. Para quem já não saia muito de casa, o confinamento, paradoxalmente, se tornou insuportável. “‘suni’surgiu num momento de crise. Eu estava cansado de tentar uma boa captação de guitarra num ambiente tão lo-fi quanto o meu, a textura nunca era a que eu queria. Então parei de buscar um som idealizado foquei na composição, em buscar boas melodias e harmonias. Um dia eu resolvi captar a guitarra direto dos pedais pro computador e foi assim que surgiu a suni. Eu sabia que seria um single quando mandei pro Luiz que toca guitarra na banda e ele gostou”.

‘suni/flwr” é o 6º single da Moon Pics, lançado no final de Julho de 2020, quando quase 6 meses de pandemia se arrastam por nossos dias sem sinais de final próximo.

Segundo Adriano, “flwr” também nasceu e uma atenção maior às melodias e harmonias. “Não me lembro de ter gravado essa música. Eu costumo pegar o celular e gravar quando estou inspirado. Dai abandono as ideias, fico dias sem olhar o que eu gravei. Quando voltei aos arquivos, gostei de ‘flwr’”

“flwr” é o oposto de “suni”: uma é lenta, saturada; a outra apressada, com muita distorção, um yin-yang em formato de single. No meio da pandemia, segundo Adriano, “‘suni’ é sobre não querer sentir mais nada e ‘flwr’ é sobre querer sentir tudo que existe ao mesmo tempo. ‘flwr’ é meio ‘Pygmalion’ do Slowdive e ‘Disintegration Loops’ do Basinski enquanto que ‘suni’ seria mais Jesus and Mary Chain e Radio Dept”, resume Adriano.

“flwr” saiu com um vídeo feito por Xavier Braun

Ouça “Fall/Like Rain” no Bandcamp
Ouça “suni/flwr” no Bandcamp
Ouça “Give In/Paper heart” no Bandcamp

Moon Pics no streaming
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Toda discografia do Grenade relançada no digital

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Criada em 1998, em Londrina, o Grenade era conhecido no começo como o “projeto solo” do ex-guitarrista e vocalista do Killing Chainsaw, Rodrigo Guedes. Com o passar do tempo e o lançamento de oito álbuns entre 1998 e 2011, o Grenade se tornou uma das bandas mais importantes do cenário alternativo nacional.

Entre os registros, o auto-intitulado “Grenade” em 2004 foi o único lançado com status de álbum. Com esse lançamento, o Grenade tocou no Tim Festival e no Curitiba Pop Festival daquele ano. Definitivamente o mais bem produzido, o disco masterizado por Steve Fallon, produtor norte-americano conhecido por seu trabalho em “Room On Fire” (Strokes), além de produções para Beulah, Sonic Youth e Luna.

Seus lançamentos em CDR e no digital foram lançados por diversos selos e agora o midsummer madness está relançando todo catálogo no digital.

A Child’s Introduction to Square Dancing (Ordinary Recordings / midsummer madness – 1998)
… is an Out of the Body Experience (Duckweed Records / Low Tech Recs / Ordinary Recordings – 1999)
Shortwave Younglove Kingdom (Ordinary Recordings / Duckweed Records – 1999)
Heartless EP (2000)
Splinters 2000-2002 (Bay King Music / 2002)
Grenade (Slag – 2004)
Life as a Sinner (2008)
Rainbow’s Funeral Book (2011)

Postado 14/11/2019 às 5:23

Grenade

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Em 1995, Rodrigo Guedes, vocalista e guitarrista do Killing Chainsaw, se mudou de Piracicaba (interior de SP) para Londrina. Com isso o Killing Chainsaw encerrou as atividas. Três anos depois de ter se mudado, Rodrigo lançou o primeiro registro do seu novo projeto, o Grenade.

São oito álbuns e algumas faixas espalhadas entre 1998 e 2011. Entre os registros, apenas um deles foi lançado oficialmente como álbum, o auto-intitulado “Grenade” em 2004. Com esse lançamento, o Grenade tocou no Tim Festival e no Curitiba Pop Festival daquele ano. Definitivamente o mais bem produzido, o disco masterizado por Steve Fallon, produtor norte-americano conhecido por seu trabalho em “Room On Fire” (Strokes), além de produções para Beulah, Sonic Youth e Luna.

Em 1995, em Londrina, o ex-Killing Chainsaw continuou escrevendo músicas e resolveu gravá-las sozinho, em casa, utilizando equipamentos portáteis. “A Child’s Introduction to Square Dancing” saiu em 1998 em CDR pela Ordinary Recordings e também chegou a ser distribuído pelo midsummer madness (mm33). Gravado em duas semanas somente um violão, um microfone e computador, Rodrigo definiu como “um aprendizado de como se fazer música em casa”.

Grenade is an Out of Body Experience” saiu em 1999, produzido no mesmo esquema lo-fi e distribuído por três selos: Low Tech Recs, Ordinary Recordings e pelo selo norte-americano especializado em folk e lofi, o Duckweed Records. Ainda uma one-man band, “..is an Out of the Body Experience” foi a primeira vez que Rodrigo experimentou gravar com uma banda: “Rubber-made Heart”, “King of the Sailors of Doom”, “Razor Blades” e “She Will Fly” têm participação de Eric Vinícius na guitarra, Tiago Raffo no baixo e Lucas Raffo na bateria. Os três tocavam na Magic Ballon, banda do irmão do Rodrigo, André Guedes. Quando a Magic Balloon acabou, a banda descambou pro Grenade.

No mesmo ano, 1999, saiu “Shortwave Young Love Kingdom” com mais músicas gravadas na mesma leva de “is an Out of the Body Experience”. Segundo Rodrigo, as músicas saíram separadas porque “‘Out of the Body’ tinha canções mais fáceis enquanto que ‘Shortwave’ era mais experimental“. Acredite ou não, mas tanto “Vampire” quanto “Bastard” são algumas destas faixas mais experimentais. “São discos que se completam, um mais folk, outro mais psicodélico“, completa Rodrigo. “Vampire” e “Demons” do Shortwave foram gravadas com o ex-integrantes do Magic Balloon.

Em 2000, o Grenade lança o EP “Heartless”, todo gravado por Rodrigo sozinho, e distribuído somente em formato digital pelos finados MySpace e Tramavirtual. A partir de 2002, com Eduardo Ferrarezi na bateria e Paulo Gutierrez no baixo, o Grenade começa a gravar em um pequeno estúdio em Londrina as músicas que viriam a formar o disco lançado em 2004.

Antes do lançamento do álbum, Rodrigo lançou “Splinters (2000-2002)” pelo selo mineiro Bay King Music, com faixas gravadas no esquema Grenade-one-man-band. Somente dois anos depois, em janeiro de 2004, é que “Grenade” finalmente saiu, recebido por elogios de Alexandre Matias, na Folha de SP: “Para salientar a unidade do grupo (…) os quatro membros dão as caras na capa. A sonoridade vai além do folk americano com referências de rock clássico e experimentos de eletrônica que marcava a primeira fase do Grenade, quando apenas Guedes jogava em todas as posições. (…) Influenciadas pelo rock inglês dos anos 70, faixas como “Rainmaker” mostram que o Grenade está afiado como grupo e sólido como banda de rock clássico“.

Listado como um dos melhores discos daquele ano na imprensa especializada, a banda demoraria outros quatro anos para lançar “Life as a Sinner“, gravado com a formação que acompanhou Rodrigo nos shows do Tim Festival e Curitiba Pop Festival: Adalto Domingues substituindo Eric na guitarra e Vítor Gorni no baixo. A Rolling Stone Brasileira escreveu: “Life as a Sinner marca a ruptura com a fase mais roqueira do grupo (…), a meta é o passado. ‘O grande lance que marca o Grenade é a falta de propósito. O próximo disco, que já está sendo preparado, vai ser mais estranho, com muita psicodelia e dissonância. Vamos voltar para 1991′“.

Em 2011 o último lançamento foi todo em casa com participação dos integrantes compondo a distância. Depois de “Rainbow’s Funeral Songbook”, Rodrigo e Adalto passaram a se dedicar a composição de trilhas sonoras para filmes como “Jardim Tókio” e “Leste-Oeste”.





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Solo do guitarrista da Luisa Mandou um Beijo relançado

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No início dos anos 2000, o carioca Pedro Paulo tocava guitarra nas bandas Luisa Mandou um Beijo, Pancake e Essential Tension, além de bateria no Ack. Só que em 2003 ele quebrou o pé. O exílio forçado gerou 4 músicas do único EP de seu projeto solo, Pedro P78.

Uma das músicas, “Coco Gelado”, é nossa favorita entre vários lançamentos do midsummer madness. A letra fala de tentativa de reconciliação com amigos, muito necessária nos dias de hoje, apesar do EP ter sido lançado em 2004:

às vezes é o tempo que resolve as coisas
às vezes elas mesmo se resolvem
eu te trouxe um coco gelado por camaradagem
por favor tempo junte os pedaços dessa historia que passou

Gravando tudo sozinho, Pedro também compôs as quatro músicas. Somente nas duas primeiras é que o amigo Rapudo (Raphael Argolo) fez os vocais: “Vocal até hoje não é meu forte“, assume PP.

O EP foi lançado em 2004 nos formatos CDR e digital. Em 2004, digital era apenas mp3 na versão anterior do site do mmrecords. Talvez TramaVirtual, talvez MySpace. Mas como todos estes sites acabaram, estamos relançando o EP “Pedro P78″ no digital.

Com o relançamento, Pedro se animou a voltar a gravar. Quinze anos depois, ele é professor de trombone no Bloco da Orquestra Voadora: “Trabalhar com cultura no brasil está cada vez mais difícil. Uma lição valiosa que tiro do carnaval de rua do rio é que devemos trabalhar ali, presencialmente. Esse contato de rua sensibiliza o público de forma muito intensa e ampla, tal como aconteceria numa casa de shows, mas sem a infraestrutura e o custo. Isso garante uma mobilidade e possibilidades maiores. Pretendo formatar as novas músicas para apresentacoes assim, basicamente um amplificador, uma gaita e fazendo live pa com trombone“.

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Postado 08/11/2019 às 10:21

Pedro P78

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Início dos anos 2000, o Mundo não tinha dado tilt com o bug do milênio.

Pedro Paulo tocava guitarra na Luisa Mandou um Beijo, no Pancake e no Essential Tension além de bateria no Ack. Muita atividade.

Dai, no final de 2003 Pedro Paulo, ou PP, quebrou o pé. O exílio forçado em casa o motivou a gravar suas próprias músicas. O tal Estúdio 202-B onde foram gravadas as 4 músicas deste único EP era na verdade o quarto de PP na casa dos pais. “Foi super produtivo. Consegui gravar, editar, mixar e masterizar sozinho pela primeira vez“.

PP lembra que os ensaios com todas as bandas eram frequentes e divertidos. Só que algumas de suas músicas não se encaixavam em nenhuma das bandas. “Sempre achei que se encaixavam no estilo do midsummer madness. E isso influenciou um pouco a intenção de gravar: a de poder lançar com a midsummer, que é motivo de orgulho para mim“. Ficamos honrados :D

Gravando todos instrumentos sozinho, Pedro também compôs todas as quatro músicas. As duas primeiras, “Canção de Pesca” e “Coco Gelado” tiveram a participação de Rapudo (Raphael Argolo): “Como vocal até hoje não é meu forte,  fiz o convite, ele topou, gravamos e foi ótimo“.

Multiinstrumentista, PP  em 2019 também é professor de trombone na oficina do Bloco da Orquestra voadora. As influências espirram para um leque variado de estilos: carnaval carioca, jazz, samba e choro. “Hoje sou outro músico, quero experimentar formatos: rocks, reggaes, mentos, usando percussão regional, como os originais do samba. Mas com guitarra, baixo, trombone, trompete“.

Na época do lançamento em 2004, o EP, que saiu em CDR e digital (apenas mp3 aqui no site) passou batido: nenhuma matéria ou menção na imprensa. Pedro fez apenas um show como PP78 no festival Algumas Pessoas Tentam te Fuder de 2004.

Com o relançamento do EP em 2019, Pedro quer voltar a gravar: “Trabalhar com cultura no brasil está cada vez mais difícil. Uma lição valiosa que tiro do carnaval de rua do rio é que devemos trabalhar ali, presencialmente. Esse contato de rua sensibiliza o público de forma muito intensa e ampla, tal como aconteceria numa casa de shows, mas sem a infraestrutura e o custo. Isso garante uma mobilidade e possibilidades maiores. Pretendo formatar as novas músicas para apresentacoes assim, basicamente um amplificador, uma gaita e fazendo live pa com trombone“.

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