random songs

\ZINE - maio de 2019\

Lautmusik lança 1º single do novo disco: “Little Halo”

lautmusik2019_mobile2web5x7

Quase três anos depois de “Juniper”, o Lautmusik está em estúdio preparando o lançamento de seu 3º álbum, ainda sem título. O quarteto está enfurnado na produtora Shout, em Porto Alegre, com Rafael Heck, baterista da Tequila Baby, que está produzindo o disco junto com a banda. “Temos de Jesus and Mary Chain a Ramones, de Siouxsie a Blondie como bandas favoritas em comum com Heck”, explica Alessandra Lehmen, vocalista do Lautmusik, “Ele entende muito bem nossas referências, em especial o fato de que não somos uma banda revival.”

O Lautmusik passou por algumas mudanças na formação, e talvez por isso o espaço de quase três anos entre os álbuns. Um dos guitarristas, o Cassio, se mudou pro interior do RS e o baterista, Prati, se mudou pros EUA. No lugar deste entrou Pedro Rheinheimer e a banda segue com um guitarrista a menos.

Por enquanto o Lautmusik tem três faixas finalizadas. Em março passado “Sobriety” saiu na coletânea “Out of The Darkness” (The Blog That Celebrates Itself). O compilação foi uma iniciativa de Christopher Casey, do Static Daydream, que perdeu o irmão Jamie para o suicídio. Toda renda arrecadada pelo disco está sendo revertida para a American Foundation for Suicide Prevention.

“Little Halo” está sendo lançada hoje como primeiro single mas já vem sendo executada ao vivo desde o ano passado. O lado B deste single digital é uma versão para “Over and Over”, também lançado pelo The Blog That Celebrates Itself, num tributo ao Skywave. A faixa foi gravada no estúdio caseiro do ex baterista Prati em 2015.

Para a capa do single de “Little Halo”, o Lautmusik pediu ajuda aos amigos da banda e várias colaborações surgiram. “Escolhemos esse desenho do artista gaúcho Tuta Santos (também conhecido como tuta.dos), baseado em uma fotografia, feita por uma amiga dele, de um campo de batalha na Síria“, explica Alê.

Ouça “Little Halo” na página do Lautmusik
Ouça e compre no Bandcamp
Spotify
Deezer
Apple Music

Postado 31/05/2019 às 9:08

Lava Divers lança single novo e se despede da baterista Ana

foto de Rafa Bulleto

foto de Rafa Bulleto

Depois que se mudou para São Paulo, a baterista do Lava Divers, Ana Zumpano, teve que se ausentar das atividades da banda, com 3/4 de seus integrantes no Triângulo Mineiro. A decisão dos quatro, de comum acordo, era que a banda precisava de outra baterista para continuar ativa.

Antes de sair, Ana gravou com João Porto, Glauco Ribeiro e Eddie Shumway uma faixa nova, composta em apenas 6 horas para o projeto Jaggermeister Grounds. “Another Day” foi registrada e mixada por Lucas Mortimer em seu estúdio em Belo Horizonte (MG).

Canção e letra criadas por Ana e gravadas pela banda, Ana comentou sobre o que andava pela sua cabeça quando fez a faixa: “Eu estava ouvindo Yo La Tengo mais do que nunca, Wilco também, Alvvays, Soccer Mommy e Boogarins?! Foi a música menos barulhenta que a gente fez. A letra soou na minha cabeça como um mantra de libertação.

Lançada em parceria com o selo Milo Recs, “Another Day” fica como um belo registro de uma parceria frutífera. Enquanto isso, Joe, Glauco e Eddie andam experimentando com novos integrantes para colocar o Lava Divers novamente na estrada. O disco de estreia da banda, “Plush”, lançado em 2017, ainda tem cópias disponíveis em CD, compre aqui.

Spotify
Apple Music
Deezer

Postado 29/05/2019 às 7:19

New singles!

PinUps_IvanShupikov_SHPK5476_Web

Pin Ups is considered a Brazilian indie trailblazer. Formed in 1988, their first album came out in 1990. Throughout the 90s, this Sao Paulo quartet released other 5 albums, till they went on halt in 2001.

But from 2013 on, after having their history revised by two documentaries and one book, they decided to play one last show in 2015. The gig sold out and playing for both new and old fans was energetic. So, Zé Antônio and Alê Briganti decided to give it a go. They recruited former drummer Flávio Cavichiolli and CSS and Madrid guitarist Adriano Cintra and recorded 11 new songs.

“Long Time No See” is their 7th album and will be released in June. It features guest appearances from Jim Wilbur (Superchunk), Pedro Pelotas (Cachorro Grande) and friends from bands Sky Down and Antiprisma. It was produced by Zé Antônio and Adriano Cintra.

“Spinning” is the first single from Pin Ups after 20 years.

Spotify 

 

slowaves_web

“Like Ghosts” is the debut single by duo Slowaves, synth-shoegazers from Belem, in the Brazilian Amazon. Matheus Silva and Carlos Duarte recorded this in their bedrooms in 2018.

To accompany the debut song, a version of “Oh My Love” from the album “Imagine” (1971) by John Lennon. “Lennon is one of my favorite composers. ‘Like Ghosts’ came out as I listened to ‘Oh My Love’, so I always imagined these two songs together,” explains Matheus.

Planning to play some shows, Slowaves recruited Marcelo Damaso (from The Baudelaires) and Gustavo Rodrigues to form a band. With the new lineup and other songs being written, a album or a new EP should be out soon.

Spotify

thomas2_web

Thomas Pappon (pictured above) found two songs lost in some hard disc – “Verona, Bonn and Belem” and “Dog Samba”. He decided to group it with three others that were been recorded after the release of his solo project The Gilbertos‘  “Um Novo Ritmo Vai Nascer” album in 2014. These five songs are now released as “5 Canções Perdidas” (5 Lost Songs).

Meanwhile, we continue to release Thomas Pappon’s videos playing Fellini and The Gilbertos’ songs at his London Sunray Garage: here.

Spotify
Deezer
Apple Music

Postado 26/05/2019 às 13:19

Grape Storms: a hidden-gem from Brazilian 90s indie

grape_storms_fotos12_laranja

Do you remember your mixtapes from the 90s?
Well, in Brazil we were hooked by a band that came from the Middle Western town of Goiânia. At that time, Goiânia was not known for its music festivals or for Boogarins and Carne Doce.

Formed by Éder Lopes, Júlio “Zuno” Garcia, João Paulo and Alexandre Inox (pictured above from left to right) in 1990, they put out their only release around 1997, a cassette titled “Grape Storms” with 7 songs. Extremely well-produced for Brazilian standards of the 90s, the tape got them articles in several fanzines and a slot at Screamadelica Festival, one of the few times they played in Sao Paulo.

Grape Storms ended in 1998. Two years later it was the first release that we reissued in our “Classics” series. Only two years and they were already considered classic! The reissue came out as a seven-song cassette, including a version for The Cure’s “A Letter to Elise,” and a CDR version with 10 songs. Now we are re-reissuing the CDr version as a digital release (bonus tracks only available if you buy at Bandcamp).

And Grape Storms still sound fresh!

Postado

Bedroom shoegazing: aliendawg. & Moon Pics release a split single

 aliendawg.

aliendawg. ‘s Luiz

aliendawg. and Moon Pics are two different projects.

aliendawg. (written with lowercase and a dot) is Luiz Spíndola, 21, from a small town in the middle of Brazil called Formosa, nowadays living in Brasília, while Moon Pics is Adriano Caiado, 23, born in Brasília.

They met at a skatepark in Brazil’s D.C. and exchanged links to get acquainted with one another: Adriano used to play in a band called Corvalis while Luiz had his own bedroom project called Transporte Passivo. Their musical tastes matched as well as a mutual interest in DIY production. So, they began to exchange song ideas.

With each one recording in his own room, they decided to release an EP together. “I don’t remember exactly when but we always commented on collaborating”, says Adriano. Luiz adds: I sent ‘Give In’ to Adriano because I really like the melodies he can create for vocals”.

Moon Pics

Moon Pics’ Adriano

Both songs were recorded using Ableton and Logic, a Behringer microphone, a copy of Fender Stratocaster – all direct on a Vox Pathfinder 15r amplifier as a preamplifier and final tones generated via software; the percussion came out of an electronic drum. Bedroom-pop in its purest form.

Adriano mentions Grouper’s “Cover the Windows and the Walls” albums and William Basinski’s “Disintegration Loops” as influences on these recordings, while Luiz has been listening to a lot of Radiohead, Dot Hacker and Gorillaz, as well as recent discoveries like Preoccupations and Omni.

“Give In / Paper Heart” (mms55) is the first release of aliendawg. and Moon Pics by midsummer madness.
Listen|Buy at Bandcamp
Spotify
Apple Music
Deezer

“a genuine bedroom pop release, introducing two auspicious, bright new minds which show that they have a lot to offer to the world of shoegaze”.
Destroy/Exist

Both projects have their own solo releases that you can check here and here.

Check on this webvideo for “Give In” edited by a friend using images from a short movie from 1949, titled “Begone Dull Care” by Norman McLaren & Evelyn Lambart:

Postado

Mini-doc sobre um show do Fellini em Brasília em 1998

Foi publicado essa semana no Facbeook, um mini-doc (47 min) sobre um show do Fellini em Brasília em 1998.

Editado a partir de fitas VHS, o resultado é emocionante. Dirigido por Zefel Coff, o doc foi republicado na página do Fellini com a seguinte introdução:

No dia 19 de dezembro de 1998, o Fellini fez sua única apresentação em Brasília. Um grupo de fãs filmou o show e os bastidores. As fitas foram perdidas e reecontradas décadas depois. A gravação do show virou o filme ‘O Último Adeus de Fellini’ (2018/ Zefel Coff). Os bastidores resultaram nesse documentário, ‘O Dia do Adeus de Fellini’. O grupo viajou sem seu baixista original, Ricardo Salvagni. Cadão Volpato, Jair Marcos e Thomas Pappon (com cara de bunda por causa de uma megarressaca) foram acompanhados por Rainer Tankred Pappon e Reka Ortega“.

Assista:

Postado

Pin Ups anuncia 7º álbum depois de 20 anos e lança 1º single

foto por Fe Gamarano

Se você gosta das bandas do midsummer madness e nunca ouviu falar do Pin Ups, pára tudo! Quando o midsummer madness era apenas um fanzine xerocado em 1989, o Pin Ups já estava lançando seu primeiro álbum, “Time Will Burn”. Ou seja, há 30 anos atrás, Zé Antônio (guitarra) e Alê Briganti (baixista e vocalista, os integrantes remanescentes) já eram ídolos.

Seis discos de estúdio foram lançados entre 1990 e 1999 mas em 2001, depois de algumas mudanças na formação, Zé, Alê, Elaine Testone (guitarra) e Flávio Cavichiolli (bateria) deram um tempo.

O midsummer madness relançou todos os álbuns da banda no digital, dá para ouvir aqui, ou aqui, ou aqui.

Em 2015, a banda decidiu fazer um show de “despedida”. Só que foi tão legal rever todo mundo, conhecer pessoas novas que estavam curiosas com a tal “banda que moldou o underground brasileiro” que eles resolveram voltar.

Durante quase todo ano de 2018, Zé Antônio, Alê Briganti, Flávio Cavichiolli, acompanhados de Adriano Cintra (Cansei de Ser Sexy, Madri, Thee Butcher’s Orchestra) se enfurnaram no Estúdio Aurora em São Paulo para gravar “Long Time No See”.

Saem do estúdio com 11 músicas que serão lançadas em CD (com faixa exclusiva “Awaken Dream”), vinil (a ser lançado em breve) e no digital (também com faixa exclusiva “First Time”). O disco será lançado numa parceria entre midsummer madness e Fleeting Media, mesmo selo que lançou recentemente o novo disco do Churrus.

O primeiro single, da música “Spinning” está sendo lançado hoje junto com um clipe produzido por Ronaldo Miranda, amigo de longa data da banda e um dos principais fotógrafos da carreira do Pin Ups.

“Long Time No See” será lançado no digital dia 14 de Junho. No dia 15 de Junho, o Pin Ups fará um show de lançamento no Sesc Pompeia. Inicialmente, a versão em CD será vendida exclusivamente no show.

Ouça “Spinning” na página do Pin Ups
Ouça, baixe ou compre no Bandcamp
Spotify
Apple Music
Deezer

Postado 24/05/2019 às 5:58

Entrevista com Pin Ups para o zine Midsummer Madness em 1991

pin_ups_trio2(ronaldo_miranda)

Pin Ups (1997) – foto por Ronaldo Miranda

Para voltar à história do Pin Ups, na edição nº 4 do fanzine midsummer madness, provavelmente lançado em 1991, nós conseguimos nossa primeira entrevista com a banda. Rodrigo e Guilherme Lariú foram a SP para assistí-los ao vivo no Espaço Retrô e, graças a ajuda da Erica Atarashi, conseguiram entrevistar a banda nos intervalos da gravação do programa Clip Independente, na Brasil 200o FM.

Abaixo, segue a íntegra da entrevista, como foi publicada na edição nº 4 do midsummer madness. Cheia de filosofias juvenis, idiossincrasias da época e muita ingenuidade.

Por favor, levem a imaturidade (de ambos) em consideração.

O Pin Ups lançará seu 6º álbum de estúdio no próximo dia 14 de Junho. Single da música “Spinning” já está disponível no Bandcamp.

Vozes no limite, pedais, barulho, alucinação.
A vida parece correr mais que o corpo em São Paulo, mas infelizmente ela parece se arrastar para os quatro integrantes do PIN UPS. “Sair daqui o mais rápido possível, deixar o país. Essa é a meta principal”, respira fundo Zé Antônio (guitarra e vocal).

Ao escrever esta matéria invariavelmente me lembro da frase “São a banda certa no lugar errado”. Pin Ups, banda paulistana surgida em agosto de 88, toca quase sempre no Espaço Retrô (o Marquee paulistano, uma little England em termos musicais), já lançou um disco pela Stiletto chamado “TIME WILL BURN” mas permanece desconhecida na imprensa nacional (antes anônima e única do que parte dessa geleia de sucessos). É incrível como poder existir no país público ávido por mais lançamentos da Creation ou de discos da regressiva class of 86 (movimento musical inglês que reúne bandas que exploram os anos 60, como Chapterhouse, Primal Scream e Jesus ) mas é incapaz de olhar de relance para dentro de seu próprio país e enxergar bandas que seguem o mesmo caminho. É certo que são poucas, mas o Pin Ups se destaca pois quem já ouviu, garante, como a Stiletto (gravadora independente que tem em seu catálogo My Bloody Valentine, Wedding Present) e várias casas noturnas. Sua aura em São Paulo atinge um raio incrível de distância e foi justamente para apresentar a vibração de suas infernais guitarras com bases deliciosamente distorcidas e bateria incansável que o Pin Ups foi à RÁDIO BRASIL 2000 FM (107,3) participar do Clip Independente (programa de todas meia-noites de sexta-feira onde as bandas fazem jam sessions) para depois darem uma entrevista a seguir. Nela vocês poderão conhecer o Pin Ups segundo suas próprias palavras para tirarem a conclusão de que é imprescindível ouví-los. Ai está:

MM – Qual a formação atual?

Zé – Luis Gustavo no vocal e pandeiros,…

Luis – Pandeiros não porra, vocals and tambourines.

Zé – Tá certo… Zé Antônio, que toco guitarra, Marquinhos na bateria (ex Virgens Lagarto, vocal em “Loose”, 4ª lado A) e Alexandra, no baixo (desde agostode 89)

pin_ups_bizz_1990

Pin Ups (1990) – foto publicada na Bizz, autor desconhecido

MM – Por que a Alê não aparece nos créditos do disco?

Zé – Ela não está no disco porque na época em que o disco foi gravado ela ainda não estava conosco, quando ela entrou o disco já estava prensado. Quem fez o baixo foi o Luis.

MM – Quando, onde e como surgiu o Pin Ups?

Zé – Se eu não me engano, faz dois anos e meio. Eu tinha outra banda e estava descontente, tocava jazz, essas coisas. Cansei de técnica e formei uma outra banda mas continuava descontente. Achei num anúncio duas garotas que eram terríveis. Não tinha formado uma banda ainda, mas como o Luis estava comigo nessa, decidimos continuar. Acabamos arrumando alguns shows, levamos em frente, fomos trabalhando sério e daí…

MM – Como definiriam o som de vocês? Qual adjetivo que preferem?

Luis – É uma ótima música, eu acho perfeita e é o tipo de música que se eu ouvisse num disco, compraria.

(Se permitem a intrusão, podemos tentar definis usando o cliché do liquidificador: pode chacoalhar psicodelia sixtie, virilidade de MC5 e Stooges, baixo na marcação, guitarra furiosa, voz arranhada, um pouco de álcool e pó. Deixo o resto por conta das palavras deles porque existe aí um ingrediente bem Pin Ups que só os ouvidos iniciados percebem)

MM – Porque o nome Pin Ups?

Zé – Só porque é sonoro e também porque era curioso: Alê ainda não estava na banda, era até uma piada: garotinha, ninguém aqui parece com garotinha. Eu sou gordo, feio; Luis é míope…

MM – Quais são as influências de cada um?

Marquinhos – Puta…?! Nhoque com coca cola, eu adoro…

Zé – Eu nunca tentei tocar um nhoque então… pelo menos algumas bandas noise dos anos 60, psicodelia e Velvet Underground. Coisas desse tipo, mais sixties…

Alê – Vou mais pela linha do Zé… eu acho que desde o punk rock (principalmente punk rock), pós punk, sixties, assim, muita coisa…

MM – Influências literárias…?

Alê – Eu tenho!  Muitas, muitas.

MM – Uma…

Alê – Ah… uma?

Luis – Aquela revista Rudolf, é a minha maior influência literária.

Alê – Artaud, Baudelaire (fazendo jus à suas veias francesas) e Byron.

Zé – Eu gosto muito do Existencialismo. Sartre é meu escritor predileto, “A Idade da Razão” foi o único livro que para mim mudou alguma coisa. (A letra de “Loose” é um exemplo)

MM – Como saiu o disco? Era ideia antiga e tiveram que batalhar ou saiu fácil?

Zé – Não foi fácil. Nós sempre tivemos como objetivo gravar um disco, assim como qualquer músico, mas o curioso é o descaso das gravadoras, incluindo as independentes. Por exemplo… aquela gravadora que nem ouviu a gente…?!

Luis – Aquela gravadora de skins (skinheads), Devil Discos!

Zé – A gente até hoje só de sacanagem passa pela gravadora e pergunta: “E aí?”, os caras respondem: “Pô cara, não tive tempo de ouvir ainda”. Um pessoal ouviu e passou nossa demo para a Vinil Records que decidiu lançar o disco. Só que a Stiletto ficou sabendo, pulou na frente e fez uma proposta melhor, que inclui distribuição pela CBS e nós ficamos com a proposta mais interessante.

MM – Porque o disco é gravado em oito canais?

Thomas Pappon à BR2000 FM – … lançamos os Pin Ups e tal… é uma fita que não tem… engraçado, é muito curioso porque as gravadoras em geral não trabalham com os padrões que nós trabalhamos. Se a fita demo tem um som que representa a identidade da banda, vamos lançar! E apesar dos problemas técnicos com a fita dos Pin Ups a gente botou na praça… (Pappon trabalhava na Stiletto)

Zé – Foram as condições que tivemos. Questão de tempo e dinheiro, com a grana que tínhamos nós gravamos uma demo no Estúdio Pappon (d0 irmão do Thomas) em oito canais, remixamos em DAT e pronto…

MM – O disco, como resultado final, agradou a vocês?

Zé – Todo o Pin Ups gostou, mas se fosse hoje faríamos de outro jeito, mas ainda não seria definitivo.

MM – É por isso que o nome do disco é “Time Will Burn” ( O Tempo Queimará)?

Zé – Exatamente.

MM – Tenho notícias de que no Sul o Pin Ups toca na Ipanema FM. Vocês querem aparecer mais em FMs?

Zé – Não temos nenhum tipo de preconceito em relação às FMs… O que acontece é que as FMs têm preconceito… Sempre acham que o som é sujo, é barulhento e por isso não tem mercado. Nós queremos aparecer na mídia, quanto mais melhor.

pin_ups_entrevista_midsummer_madness_1991

Pin Ups em entrevista ao fanzine, na Brasil 2000 FM. Da esquerda para direita, Luis Gustavo, Rodrigo Lariú, Alê Briganti, Guilherme Lariú, Marquinhos ao fundo, Zé Antônio de costas. Foto por Chiquinho

MM – As letras são todas em inglês, isso atrapalha?

Zé – A gente canta em inglês por causa da sonoridade. O tipo de som da gente é pra ser cantado em inglês. É para gente tentar mostrar lá fora.

MM – Já tem planos para sair do país?

Zé – Ah, sim!

MM – A Stiletto já mandou o disco para o exterior?

Thomas Pappon à BR2000Fm – A Stiletto já mandou discos do Pin Ups para uma série de gravadoras: Creation, 4AD, SST (EUA), Beggars Banquet, puta, muita gente…

MM – Luis Gustavo fez a parte gráfica do disco, Márcio Jumpei as fotos (a da contracapa se assemelha a de um disco do Primal Scream…) Em que você se inspirou?

Luis – Como já disse, sem Ultraseven e Ultramen na minha infância não teria sido possível fazer essa capa…

MM – Os mesmos componentes do Pin Ups têm um projeto mais acústico chamado Gash. Zé, um resumo sobre o Gash…

Zé – Nós temos músicas e até covers que gostaríamos de tocar mas como são mais leves, sem distorção, nós separamos do som e dos shows do Pin Ups, que são extremamente barulhentos. Ficaria estranho alguém ir ao show do Pin Ups e se deparar com composições leves e covers de Loop, Spacemen 3, etc…

MM – Qual o melhor show que já deram?

Zé – O melhor show… Eu particularmente gostei de um show de lançamento do disco no Retrô… O pessoal estava muito agitado, sentimos uma empatia muito grande.

MM – Qual seria a cover que tocariam quando show precisasse de um clímax?

Zé – “I Wanna Be Your Dog” (Stooges)

Luis – Ou “Ramblin’ Rose”(MC5)

Marcos – Já pensou? Tocar “Ramblin’ Rose” no Marquee…

MM – Luis Gustavo já desenhou para a Animal, Chiclete com Banana e Folha de São Paulo (ilustrações). Queria que você desse a sua visão sobre os quadrinhistas e fanzineiros nacionais…

Luis – Eu acho que 99% dos quadrinhistas brasileiros são sofríveis, que se salva sou eu, o Osvaldo, Fábio Zimbres, o Líbero. Acho que o Brasil carece não só de publicações de HQ como de cultura em geral.

MM – E sobre zines?

Luis – Acho que eles tem que ter em mente que devem parar com o amadorismo, tem que partir para algo mais bem feito, mesmo sendo fanzines…

pin_ups_circo_voador_RJ

Pin Ups no Circo Voador, 1992

Além disso eles trocaram farpas com fãs da Legião Urbana (porra, bicha de bigode, isso existe?… como observou Marquinhos), rejeitaram as críticas de que são parecidos com Jesus And Mary Chain (“Não acho que sejamos parecidos com Jesus mas é até legal para o público ter uma referência, diz Zé) e exaltaram seus instrumentos (entre eles um cry-baby, pedais Marshall, Fender Jazz Bass, e uma bateria que ainda não possuem e outro pedal Arium – “que dá uma distorção vagabunda, mas maravilhosa”, segundo Zé)

MM – As bebidas e as drogas são integrante da banda?

Alê – Claro…

Marcos – Sem elas quem estaria vivo?…

MM – Então uma pergunta difícil: sexo, drogas ou rock’n’roll?

Pin Ups – OU???

Alê (depois de certo tempo) – Sexo

Zé – Sexo, com certeza.

MM – O que vocês acham do MM?

Alê – Eu já vi, é legal.

Luis (respondendo a intrigante pergunta) – Sexo é a minha droga favorita ouvindo rock’n’roll.

[Fim da entrevista]

Postado 22/05/2019 às 8:08

Relançamos o relançamento de 2000: Grape Storms

grape_storms_fotos09_branca

Em 2000, a primeira fita da série “Clássicos” foi lançada: a mm48, “Grape Storms” do quarteto goiano Grape Storms saiu em fita cassete com 7 músicas, incluindo uma versão para “A Letter to Elise” do The Cure; e pela primeira vez na versão CDr com outras 3 faixas bônus.

Quando saiu em 2000, o Grape Storms já havia acabado há dois anos. A banda de Goiânia surgiu em 1988 como Shed com Alexandre Inox, João Paulo e Júlio Garcia e mudou de nome em 1990 com a entrada de Murilo Barbalho. As sete faixas da fita foram gravadas entre 1994 e 1997, em dois estúdios de Goiânia, numa época quando a cidade ainda não era a “Seattle Brasileira”.

A foto que ilustra esta matéria por exemplo, foi tirada no terreno onde mais tarde seria construído o Centro Cultural Oscar Niemeyer, palco de várias edições de um dos maiores festivais de Goiânia, o Bananada. “Infelizmente não estávamos lá para aproveitar. O Fabrício nos convidou inúmeras vezes para participar dos festivais da Monstro“, revela Inox.

Eram 3 músicas gravadas quando entrei“, lembra Murilo, “I Need Your Laugh, Those Years e Crime. Letters And Tears, No Man’s Land e For Myself eu gravei guitarras; tudo inicialmente no estúdio do Denio de Paula. Guilherme Bicalho produziu Parallel, House of Love e About Business, todas gravadas no estúdio dele que já estava pronto. Isso tudo foi entre 1994 a 1997“.

Em 1997 eles tocaram no festival Screamadelica em São Paulo, junto com The Cigarettes, brincando de deus e Comespace. “Nós fizemos umas poucas cópias da k7, enviamos para alguns zines e a resposta foi incrivelmente positiva“, relembra Inox. Um pouco depois o Grape Storms acabou.

Celebrando os 30 anos do midsummer madness, nós resolvemos relançar “Grape Storms” nas plataformas de streaming. Até hoje é impressionante como esta fita gravada nos anos 90, no Centro-Oeste brasileiro, é uma das melhores coisas lançadas nos anos 90.

Divirta-se!
BANDCAMP
SPOTIFY
DEEZER
APPLE MUSIC

Postado 10/05/2019 às 21:40

Grape Storms

grape_storms_fotos12_laranja

Grape Storms foi uma das primeiras bandas que o midsummer madness relançou dentro da série “Clássicos”. Quando “Grape Storms” (mm48) saiu em 2000, a banda tinha acabado a menos de um ano mas o único registro deste quarteto goiano já podia ser considerado clássico!

Formada por Éder Lopes, Júlio “Zuno” Garcia, João Paulo, Alexandre Inox (da esquerda para direita na foto acima) e Murilo Barbalho (que participou do começo da banda), o Grape Storms surgiu em 1990, em Goiânia, numa época onde não existia o selo Monstro Discos, nem os festivais Goiânia Noise, Bananada ou Vaca Amarela; Boogarins e Carne Doce nem eram ideias.

Legítimos precurssores do “indie” goiano (quando ainda se usava o termo “alternativo” ou “guitar”), o único registro do Grape Storms saiu originalmente em fita cassete com 7 músicas. E foi com essa fita extremamente bem produzida para os padrões da época que em 1997 a banda participarou do festival Screamadelica organizado pelo fanzine Esquizofrenia (dos irmãos Gustódios, da loja Locomotiva). Foi  também onde o midsummer madness conheceu a banda. Na época a MTV Brasil fez uma matéria a respeito:

Quando o midsummer madness relançou a fita do Grape Storms em 2000, ela saiu em 2 formatos: fita cassete com sete músicas, incluindo uma versão para “A Letter to Elise” do The Cure, e uma versão em CDR, com 10 músicas. Os registros sobre a história da banda foram todos feitos em zines de papel como Tupanzine e Make No Sense.

Essa matéria do zine Make no Sense, do Cristiano Santos, explica bastante a história da banda e boa impressão que deixaram na época

materia_Make_No_sense

Como quase não existem registros online sobre a banda, fizemos uma entrevista com todos os integrantes.

Quando e como o Grape Storms se formou? Quem eram os integrantes e de onde vocês se conheciam?
Murilo: Conheci quando chamava Shed, João Paulo é meu amigo de infância e eles ensaiavam na casa dele. Eu sempre ia. Antes eu toccava numa banda chamada Dawnfine (música eletrônica).

Qual era a idade dos integrantes quando a banda se formou?
Murilo: Eu tinha 16 quando virou Grape Storms e entrei com 17.

Como era a cena de Goiânia naquela época?
Murilo: Não tinha cena bem definida, conhecíamos algumas pessoas de outras bandas e encontrávamos em uma feirinha aos domingos na praça do sol. Show era algo esporádico mas ensaiávamos semanalmente.

Quais foram as mudanças de formação do GS do começo até o fim?
Murilo: No início era Júlio, João e Inox, entrei após 1 ano e tive que sair para fazer faculdade fora de Goiania, quando sai o Éder assumiu o baixo e o Inox a guitarra.

Como foi o processo de gravação da demo com 7 músicas?
Murilo: Eram 3 músicas gravadas quando entrei: I Need Your Laugh, Those Years e Crime. Letters And Tears, No Man’s Land e For Myself eu gravei guitarras; tudo inicialmente no estúdio do Denio de Paula. Guilherme Bicalho produziu Parallel, House of Love e About Business, todas gravadas no estúdio dele que já estava pronto. Isso tudo foi entre 1994 a 1997.

grape_storms_FOTO-BANDA1

E as músicas extras do CD, de onde vêm?
Inox: São músicas que gravamos com o Guilherme Bicalho… sempre tentamos entrar em estúdio para registrar os vários momentos da banda. O problema é que era muito caro para nós na época e o resultado nem sempre nos satisfazia

A qualidade de gravação estava bem acima da média das outras bandas indies brasileiras da época… a que fator vocês creditam tal qualidade?
Murilo: Tínhamos o Inox e o Guilherme para nos orientar em relação à parte técnica. Fora que as composições do Julio eram incríveis.

Quem fez as fotos de divulgação, também acima da média para a época?
Inox: Era o Rogério Mesquita, hoje bem conceituado no meio fashion, atualmente mora em NY. Também colaborou meu primo, Paulo César Lima, já falecido.

Quem compôs as músicas? E as letras?
Murilo: Júlio sempre foi o compositor

Além do The Cure, quais as bandas que vocês ouviam bastante naquela época?
Murilo: The Smiths, Echo and the Bunnymem, Depeche mode, Rush, Queen, Beatles, Police, The Mission, Inspiral Carpets, Blur, Ride.
Inox: O mais interessante é que tínhamos gostos musicais bem distintos… claro, curtíamos Cure, Beatles, Smiths e outras bandas do gênero, mas eu curtia Rush, Tears for Fears, Iron Maiden, MPB, enquanto os outros ouviam outros estilos. Acho que foi um diferencial da a banda.

Como foi a participação no Screamadelica?
Inox:  Nós fizemos umas poucas cópias em k7, enviamos para alguns zines e a resposta foi incrivelmente positiva. Os pais do João moravam em Sampa, o que ajudou muito nos contatos. Foi uma noite muito boa! Primeiro porque raramente tocávamos ao vivo, depois que era quase como um sonho se realizando: a goianada tocando em SP e com cobertura da MTV! Kkkk
A receptividade também foi muito boa! Fomos quatro adultos em um Chevette recém retificado com metade da bateria, mais os instrumentos e bagagens. Tudo muito divertido para a época

Porque, quando e como a banda acabou?
Murilo: Eu não estava em goiania quando a banda acabou mas eu acredito que a falta de oportunidade e propósito foi determinante.
Inox: Por muito tempo os meninos diziam que eu era o culpado pela banda ter acabado. Hoje em dia acho que eles têm certa razão. O fato é que eu me cansei de um ciclo vicioso que nós tínhamos: ensaios exaustivos, preparação para shows e gravação…de repente o Júlio decidia que não queira tocar aquelas músicas, daí começávamos tudo de novo! Isso me matava. O João, o Murilo e o Éder aceitavam.
Quando saí, levei meu baixo, guitarra e amplificadores que eram meus… então eles ficaram sem equipamentos. Nesse sentido eu fui mesmo culpado pelo fim da banda 🤷. Pra complicar ainda mais, nós também ensaiavamos na minha casa nesta época.

Qual era a formação das bandas que vieram na sequência (Spherya e Litro)?
Murilo: Litro era o Inox, Homero, João Paulo, Eder e Murilo. Spherya que virou Sylo era  o Júlio, João Paulo, Daniel e Murilo. Temos gravações destas duas bandas.
Inox: Do Spherya participei de 1 ensaio. O Litro foi um projeto com outro perfil (pelo menos era essa a intenção kkk)
O Litro foi um projeto com o Homero Henry que foram algumas composições que eu tinha, que não tinham muito espaço no som do Grape. Fizemos dois k7s com 2 músicas cada. Uma foi lançada no Festival Bananada e outra no Goiânia Noise.
O Sylo foi um material que eu mixei e masterizei grande parte das músicas. Lindo trabalho, inclusive! Sempre fomos fãs das composições do Júlio.

grape_storms_fotos09_branca

Logo depois, no começo dos anos 2000, Goiânia viveu um boom independente enorme… como vocês assistiram a tudo isso?
Murilo: Assistimos com vontade disso ter acontecido na nossa atividade.
Inox: Acho que tem muito à ver com o trabalho que o Fabrício Nobre e o pessoal da Monstro Discou fizeram. Eles foram muito importantes para aquele crescimento. Embora eu não gostasse daquela coisa mais visual que musical, os frutos foram muito bem colhidos. Infelizmente não estávamos lá para aproveitar. O Fabrício nos convidou inúmeras vezes para participar dos festivais da Monstro.

Alguma vontade ou plano de tocar juntos de novo?

Murilo: Eles sabem que é só chamar, amigos de longa data. O que vivemos guardo com muita alegria. Saudade de vocês!
Inox: Hoje moro em SC, o João em SP. Mas seria um prazer! Sempre dependeu muito da vontade do Júlio… acho que valeria à pena produzirmos nossa “Free as a Bird”, não? kkkk

Ouça, baixe e compre no Bandcamp.
Spotify
Deezer
Apple Music

Postado