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\ZINE - março de 2019\

Anhanguera Folk Club: 20 anos do Motormama

No longínquo ano de 1991, três estudantes de comunicação de Ribeirão Preto tinham uma banda chamada Os Egoístas. Cansados de tocar músicas dos outros, Joca (23), Jefferson (20) e Régis (20) montaram o Motorcycle Mama. Lançaram três demos e colocaram a música “Nazitrekkers” na coletânea “Brasil Compacto” (lançada pelo selo Rock It!/EMI em 1996). “Mas em 1999 eu já estava meio decepcionado com esse negócio de música,” lembra Régis. “Montamos o Motormama como uma espécie de renascimento. Queria algo desafiador, porém de forma mais relaxada. Parei de ouvir os conselhos dos outros“.

Motormama em 2003

Motormama em 2003

Com quatro álbuns, vários EPs, um compacto em vinil e passagens pelos festivais Pop Montreal e Primavera Sound, o Motormama chega a duas décadas de estrada. “Anhanguera Folk Club” é uma coletânea best of, com 5 músicas de cada um dos discos da banda.

Carne de Pescoço” saiu em 2003 pelo selo da própria banda, a Kaskavel Music, e foi distribuído pelo midsummer madness. A estreia foi gravada num esquema lo-fi, num estúdio/bar que a banda tinha no centro de Ribeirão Preto.

Três anos depois saiu “A Legitima Cia Fantasma“, lançado em parceria pelo midsummer madness, Kaskavel Music e Pisces Music. Este segundo disco inaugurou também a parceria do Motormama com o Understudio, de Rômulo Felício, da banda local Undertrash. Rômulo também passou a assinar a produção de todos os discos, dai em diante. “A Legítima Cia Fantasma” pegou a fase final das boas vendagens em CD, foi o disco do Motormama que mais vendeu.

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Motormama em 2007

Quatro anos depois, em 2010, “Aloha Esquimó” nasceu na era da música digital e não foi tão bem assim. Mais uma vez gravado no Understudio, levou dois anos pra ficar pronto. “Aloha é meu disco preferido“, revela Régis, “tem tudo que eu gosto, produção excelente, com masterização do Thiago Monteiro que é um cara do jazz e da MPB. Ficou lindo, mas teve repercussão zero. Me senti desprezado. Era o melhor que podíamos oferecer e pouca gente ligou“.

Motormama

Motormama em 2011

Em 2011 o Motormama foi selecionado para tocar no festival Pop Montreal, no Canadá. A boa recepção deixou a banda animada e eles voltaram do hemisfério Norte fixados com a ideia de prensar um vinil. Como as economias não permitiam vôos maiores, lançaram um compacto com duas músicas: “Flores Sujas do Quintal/ Rio Grande” saiu pela Kaskavel Music, hoje item raro e esgotado.

A empolgação reverberou e em 2014 a banda foi convidada para tocar no prestigiado Primavera Sound, em Barcelona (Espanha).”Foi um ano mágico, muitos já tinham se esquecido da gente. De repente, boom, estamos em um dos maiores festivais do mundo. Foi lindo!

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Motormama 2016, foto de Leandro Paiz

Em 2017, o quarto álbum “Fogos de Artifício” saiu de forma discreta, prensado com tiragem limitada em CD pelo midsummer madness e Kaskavel Music. Com apenas 8 músicas, “Fogos…” mostra um Motormama coeso, aprimorando suas características: a viola caipira misturada ao feedback dos Pixies, o clima Ziggy Stardust de Bowie ambientado nas highways do interior paulista, com disco-voadores do Mutantes planando sob as cabeças. Régis comentou cada um dos álbuns do Motormama em 2017 – leia.

Vinte anos divididos por quatro dá cinco músicas. Com essa linha de corte, a banda separou as 5 melhores músicas de cada “época” para celebrar os 20 anos com essa coletânea, a “Anhnaguera Folk Club“:

Álbum: Carne de Pescoço (2003) - midsummermadness.bandcamp.com/album/carne-de-pesco-o
- Adeus Maluco
- Sujeito Honesto
- Rota Caipira (Anhanguera Folk Song) – Cosmorama
- Babydoll

Álbum: A Legítima Cia Fantasma (2006) – midsummermadness.bandcamp.com/album/a-legitima-cia-fantasma
- Coração Hardcore
- Faixa Preta
- Hey Vaqueiro
- Blues do Sapo Caolho
- Rancho Fantasma

Álbum: Aloha Esquimó (2010) – midsummermadness.bandcamp.com/album/aloha-esquim
- Preciso Me Vingar Oh babe
- Aloha Esquimó
- Baladinha da Destruição
- Feriado em Saturno
- Esperando o Furacão

Vinil 7’: Flores Sujas do Quintal (2013)
- Flores Sujas do Quintal

Álbum: Fogos de Artifício (2017) – midsummermadness.bandcamp.com/album/fogos-de-artif-cio
- Não Sou Mais o mesmo Sujeito
- Te Vejo na Cosmopista
- Fogos de Artifício
- Vôo Número Zero

São discos que traduzem cada momento que a banda passou. De alguma forma estão interligados mas são independentes entre si. Uns caóticos, outros mais coesos“, tenta costurar Régis.

Motormama 2019, por Matheus Urenha

Motormama 2019, por Matheus Urenha

O trio que permanece desde 1999, Joca, Régis e Gisele, vêem uma mudança constante na formação do Motormama; só na bateria já passaram 25 pessoas! Desde “Aloha…” eles são acompanhados pelo tecladista Perê. Outro Motormama ilustre é Gustavo Acrani, co-autor de várias músicas dos primeiros dois discos. “Ele é uma das peças chaves para o Motormama, conta Régis.”Quando ouvi o teclado a lá Lafayette/Arnaldo Baptista, percebi que tinhamos algo diferente em mãos“.

Hoje quarentões, os integrantes ainda querer riscar alguns objetivos da lista de sonhos, como tocar em outros países da América do Sul. “Quando montei o Motormama, meus sonhos de rock star já tinha ido ladeira abaixo. Mas mudar a vida das pessoas, ser um guru espiritual, explica Régis. “Não sei se consegui, mas não me arrependo de nada. Mais do que um passatempo, eu chamo de o Motormama de musicoterapia“.

Veja todos os clipes do Motormama:

Ouça a coletânea “Anhanguera Folk Club”:
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Postado 22/03/2019 às 9:17

Novo projeto de integrantes do Alles Club, Macintushie eleva o lo-fi shoegaze a níveis despretensiosamente altos

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foto por Rodrigo Baumgratz

O EP “Stillwitchu” é o primeiro registro do trio formado por Ruan Lustosa (esq. na foto), Isabel Oliveira e Pedro Baapz (de óculos), todos eles integrantes/colaboradores do Alles Club e com vários outros projetos pessoais: BAAPZ, Flopsy Franny, Basement Tracks, Belle. Macintushie é mais um projeto destes amigos de Juiz de Fora.

O Macintushie nasceu de encontros entre Pedro e Bel, ela com planos de sair do país e uma vontade enorme de criar. Ele, com várias músicas salvas em HDs esperando para serem mexidas. As seis faixas nasceram no quarto de Pedro, pomposamente chamado de Baapz Studio com Bel responsável pelas letras e vocais inspirados em Beach House, XX e Slowdive.

Ruan chegou alguns dias depois e trouxe as guitarrinhas grudentas. Tudo isso gravado no turbilhão de emoções do segundo semestre de 2018 no Brasil. “Gravamos em duas semanas. Eu mixava as músicas logo depois que a Bel e o Ruan iam embora. Já era meio de Outubro, e mandei pro Bráulio Almeida, da Devilish Dear“. As seis faixas passeiam entre climas chill-out e roupagem vapour-wave, de pretensões dream-pop com batidas próximas ao trip-hop da Bristol dos anos 90. “Me interesso bastante pelas desconstruções/reconstruções sonoras que vem aparecendo”, divaga Pedro, “Hoje em dia a música precisa interagir. Conservadorismo na arte é o que não podemos ter em um período tão obscuro como o que estamos vivendo“.

Na verdade, acho que hoje em dia as pessoas estão largando os grandes estúdios e gravando mais em casa e talvez o bedroom pop seja apenas um nome chique para gravações Lo-fi“, diz Pedro. E o que era para ser um bando de músicas largadas em soundclouds, virou um registro aconchegante e caprichado.

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foto por Rodrigo Baumgratz

Postado 15/03/2019 às 10:06

Macintushie

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Pedro Baapz é desses que não liga para estúdios, grava em casa e acha que bedroom pop é apenas um nome chique para o famoso Lo-fi.

De participações no Alles Club (de Rodrigo Lopes), ao seu projeto mais pessoal, o BAAPZ, passando por colaborações com Flopsy Franny da Isabel (também parceira de BAAPZ, Alles Club). As músicas ficam espalhadas em Soundclouds e Bandcamps da vida. É um trabalho de detetive ligar todos os pontos.

O Macintushie é mais um ponto, o filho mais novo.

Começou em setembro de 2018, quando a Isabel passou no Baapz Studio para gravar voz numa música do BAAPZ (Pug Records). Depois de terminar a gravação, Pedro escavou das profundezas do seu HD uma versão instrumental esquisita, feita no precário Guitar Pro, convertida para 8bit e masterizada no Audacity, chamada “Sad”.

Em 15 minutos, Isabel tinha uma letra pronta. “A Bel sempre me impressionou”, conta Pedro. “A coisa andou porque ela deve ir morar fora. Então nós combinamos de aproveitar enquanto podíamos e produzir muito“. Nesse pique, Pedro e Bel estavam com 3 faixas gravadas quando Ruan foi chamado. “Ele veio para adicionar umas guitarrinhas e sacou o que estávamos criando. São dele os momentos mais catchy, e a linha de baixo espetacular em ‘Triplexxx’, que foi roubada de uma música que Ruan ia mandar para a Cinnamon Tapes. Mas isso é segredo tá?“.

Em menos de duas semanas, Pedro Isabel e Ruan tinham mais uma banda.

O nome Macintushie veio da inspiração tech-vintage do Macintosh Plus, com intenção de “firmar melhor o conceito despretensioso das músicas“, segundo Pedro. “Tushie é bunda. É uma palavra bem engraçada… e a gente achou que era libertador mandar alguém para aquele lugar haha“. Com seis músicas gravadas, Pedro trocou emails com Bráulio Almeida (do Devilish Dear) para masterizar. E assim “Stillwitchu” chegou ao midsummer madness.

Pode chamar de bedroom pop, dream pop, weird pop, pc music, vapour wave. Mas existem reverências ao shoegaze, ao chillwave, ao hip hop underground e ao funk 150BPM. Pedro e Bel, do alto dos seus vintes e poucos anos brincam: “Música de millenials para millenials“. Macintushie quer fazer shows, seguindo o ritual indie-rock com baixo, voz e guitarra, mas sem excluir as partes mais eletrônicas. Clipes de baixo orçamento com altas doses de carinho também estão na agenda.

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A esta altura você já deve ter percebido que a “Sad” acima acabou virando “Still With Me”. E todas as outras 5 músicas do EP “Stillwitchu” são esse processo de ligação de pontos.

Dedicado às suas produções caseiras e ao mesmo tempo formado em Artes e Design pela UFJF, Pedro materializa na capa, nas músicas e nos (futuros) vídeos o interesse pela desconstrução/reconstrução sonora. “Para mim, hoje em dia a arte precisa estar em constante interação: cinema e streaming, publicidade e memes. A música não precisa ser diferente. Acho importante abraçar tudo da nossa década e juntar com o fácil acesso ao material de décadas anteriores. A música do futuro para mim é aquela que vai contra qualquer preconceito estético. Você não é obrigado a gostar de tudo que escuta, apenas se desvincular de certas estéticas conservadoras. Conservadorismo na arte é o que não precisamos num período tão obscuro quanto o que estamos vivendo“.

Palmas!

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fotos por Rodrigo Baumgratz

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Minimalist carnival

Today is the first official day of 2019 Brazilian carnival. Five days of dancing in the streets, getting drunk and being yourself.

We chose to release this cold minimalist single by Lombroso.

“Glass” has nothing to do with Phillip Glass, obviously not (the duo prefer La Monte Young)! It was recorded with modular equipment and tons of analogue effects. And that the album cover is also in analogue photography because all of this is very fashionable.

This is the record Marcus Salgado and Eduardo Ramos wanted to release 20 years ago when the two were involved with an urban legend called Jerssons. In 1999, we were worried about the millennium bug. Today, everything is bugged.

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Postado 01/03/2019 às 9:48

Caia na folia com o minimalismo do Lombroso

Quem é Lombroso? Não faz a menor diferença. O midsummer madness lança hoje, sexta feira de carnaval de 2019, o novo single oficial da dupla de SP que um dia, 20 anos atrás, se intitulava Os Jerssons.

São três instrumentais para você ficar sentado de longe, com seu discman rodando um CD ou MD, de fones, olhando o bloco passar. Vinte anos atrás nós estávamos preocupados com o bug do milênio. Hoje, a civilização deu bug. E não tem reboot que preste.

Gravadas em modulares e com toneladas de efeitos analógicos, Lombroso remete a Flying Saucer Attack, Durutti Column e La Monte Young. Eles não disseram nada disso, eu é que estou facilitando sua vida. O EP “Glass” está sendo lançado somente no digital e em um vídeo.

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