random songs

\ZINE - outubro de 2018\

Os Gambitos e o Single de Emergência (ou O Brasil me obriga a escrever em Português)

noticias_tuas_banner_web

Notícias Tuas“, single novo dos Gambitos, chega aos 49 do segundo tempo de uma partida que a gente tá perdendo, que tá apanhando, mas a bola ainda não parou de rolar. Talvez seja atrasado. Na verdade, a vontade de escrever sobre o momento histórico já vinha de algum tempo; pelo menos desde o golpe de 2016 e seus desdobramentos. Mas sempre ficava algo entre uma explicação do que todos víamos e uma imagética ao mesmo tempo cafona e que não falava de verdade do que se queria falar.

O fortalecimento do bolsonarismo, principalmente para quem mora em Santa Catarina, criou um viés diferente, e bem mais pessoal, que, portanto, faz mais sentido explorar. É a frustração de ver pessoas amadas endossando ideias truculentas de combate às mais básicas noções de liberdade pessoal, dignidade, respeito mútuo, civilização e humanidade.

É inevitável sentir decepção, descaso, até desamor mesmo e, a partir daí, algum ressentimento ao perceber que são negligenciados os avisos de que isso coloca ameaças sérias à nossa liberdade, nossa integridade física e até nossa existência. E é disso que fala “Notícias Tuas”. Assim, logo de cara, está no Youtube, já já a gente sobe no Bandcamp do midsummer madness, no Spotify e no Deezer. Provavelmente junto com a outra mix, conhecida como Versão Guinada à Esquerda (essa é a Versão Carta aos Brasileiros).

Como dá para notar, Gambitos é um negócio intermitente, se materializa bem de vez em quando. A formação também: Fabio Bianchini e quem estiver junto no momento. Bianchini toca também no Superbug (SC), Coisa Horrorosa (SP/SC), foi de uma das formações do Winnie Cooper (SP) e fez um showzinho com o Headache (SP). Nessa gravação, os Gambitos são Fábio Bianchini, Luiz Henrique Cudo, Xando Passold e Ulysses Dutra. A letra é colaboração com Tefo Macarini (Amarelo Piscante/Coisa Horrorosa/Bootlegs Malditos). A capa é de Leco Rezende, mixagem e masterização por Carlos Costa.

Bandcamphttps://midsummermadness.bandcamp.com/album/not-cias-tuas

 You Tubehttps://www.youtube.com/watch?v=xZUe2mPN7tc


Notícias Tuas

(Fábio Bianchini – Luiz Henrique Cudo – Tefo Macarini)

Quero muito que estejam vivos, com saúde e lucidez pra lembrar
qual foi a atitude quando ele disse que o correto é me exterminar

Quando disseram que gay tem que tomar um couro
Que deviam ter matado mais
Quando rasgaram a placa da Marielle
Quando disseram pra acabar os ativismos

Quero que tu esteja lá
sabendo bem de que lado ficou
Mas se não eu vou lembrar o teu lugar nesse horror

Quando sabiam que espalhavam mentira, pouco ligando se é verdade ou não
Não se importando com as consequências
Pra poder pensar que até tem razão

Quando mediram quilombola em arroba
Diz que não estupra porque não merece
Quando negaram qualquer terra pros índios
Quando mataram Mestre Moa

Quero que tu esteja lá
sabendo bem de que lado ficou
Mas se não eu vou lembrar o teu lugar nesse horror
E muita gente vai sumir e morrer
Antes de ser a minha vez
Mas quando eu não estiver mais aqui
Quem vai lembrar vai ser vocês
O medo nos sufoca
O choro nos afoga
Não tenho mais o que perder

Meu pai nem pediu desculpas por me botar nessa catapulta
que nos lançou na escuridão

Eu tenho tanto pra dizer
Eu tenho medo de viver
Não tenho medo de morrer por nós

Postado 26/10/2018 às 5:28

Dois álbuns e EP do Tamborines disponibilizados no digital

Tamborines2015_PB

No ano de 2000, o midsummer madness ajudou a distribuir o 1º EP de uma banda de Maringá chamada The Tamborines. Lançado originalmente pela Candy Records, o EP com 4 músicas também foi distribuído em CDR pelo mmrecords.

Agora em 2018, o Tamborines já não existe mais como banda mas seus 2 álbuns de estúdio e um Ep voltam a ser distribuídos pelo midsummer madness.

Em 2007, Henrique Laurindo e Lulu Grave, a dupla seminal do Tamborines, se mudou para Londres. Na capital inglesa eles lançaram vários compactos, alguns EPs até chegar no 1º álbum, “Camera & Tremor” (2010), que traz inclusive a regravação de “Naissance de la Folie”, música do 1º Ep de 2000.

“Camera & Tremor” traz participação do Mark Gardener (do Ride) e de Frank Emerson (guitarrista do Brian Jonestown Massacre), além de algumas faixas produzidas por Brian O’Shaungnessy (que já trabalhou com My Bloody Valentine, Primal Scream, The Clientele) e Tim Holms (Death In Vegas). O disco rendeu elogios no NME, The Times, Drowned in Sound e PopMatters.

“Sea of Murmur” saiu em 2015, gravado totalmente em casa pelo casal, que chegou ao final do dias em vias de se separar. O 1º e o 2º álbuns, além do EP “Sally O’Gannon” estão sendo disponibilizados aqui no site do mmrecords e também no Bandcamp do selo.

“Camera & Tremor” – álbum no bandcamp
“Sally O’Gannon”- EP no bandcamp
“Sea of Murmur” – álbum no bandcamp
Quer saber mais sobre a história da banda? Leia aqui
Quer comprar alguns dos vinis e CDs da banda? Clique aqui (loja Brasil) ou aqui (loja UK)

Postado 11/10/2018 às 15:06

Naturalismo Romântico: Frabin lança seu 2º álbum “Tropical Blasé”

Gravado na segunda metade de 2017, em seu estúdio caseiro, “Tropical Blasé” está sendo lançado hoje. Com 9 músicas, o 2º álbum oficial do Frabin traz uma sonoridade cada vez mais próxima do synth-pop dos anos 80. Victor Fabri, o faz-tudo que personifica a banda cita Unknown Mortal Orchestra, Neon Indian e Michael Jackson como principais influências para esse novo disco.

O título “Tropical Blasé” surgiu numa viagem que ele fez no final de 2015 indo de Belém para Fortaleza de carro. “Estava no meio de vários paraísos tropicais entre o Norte e o Nordeste do Brasil, inclusive a foto da capa é numa praia no Piauí. Essas paisagens naturais com a mínima intereferência do homem são os meus locais favoritos. E eu moro numa ilha, também perto de lugares bem naturais, e faço esse dreampop de tom mais escuro e letras introspectivas. É um contraste entre o ambiente e as ideias“.

Para finalizar o álbum, pela primeira vez Victor decidiu tirar parte da masterização de Rob Grant.  “‘Tropical Blasee’ foi mixado por mim e o Rafael Pfleger no Estúdio Pimenta do Reino em Florianopolis. Mandei a master de novo pro Rob na Austrália, mas não gostei totalmente do resultado. Senti que ele não sacou muito bem o que eu tinha em mente. Ai no fim meu amigo Eduardo Possa masterizou. Ouvindo as 2 masters, eu juntei algumas faixas do Eduardo, algumas do Rob e no fim ficou uma divisão meio 40/60% de cada e o álbum ficou como eu queria“.

Agora Victor e o Frabin voltam a encarar a dureza de correr atrás de público no Brasil.  “É tão difícil reverter algum lucro da cena musical no Brasil hoje, então tenho lenha pra queimar por muitos anos sendo auto-suficiente. Como isso é o que me diverte, vou continuar fazendo tendo galera pra escutar minhas músicas e ver meus clipes ou não. O feedback é muito bom, eu tento ser o meu maior crítico a princípio, nao sei quão sincera as pessoas estão sendo mas desde 2014, o pessoal que tromba comigo sempre curte o som“.

Spotifyperfil Frabin

 

Postado 08/10/2018 às 9:43

Wild Romanticism: Frabin releases 2nd album

recorte_capa_Frabin_Tropical_Blase_3000

Recorded during second half of 2017 at his home studio, “Tropical Blasé” is Frabin‘s 2nd official album. Its 9 songs float around 80′s synth-pop whilst Victor Fabri, the does-it-all persona behind Frabin, cites Unknown Mortal Orchestra, Neon Indian and Michael Jackson as major influences for his new album.

The title “Tropical Blasé” blossomed on a trip Victor made in Northeastern Brazil by car in 2015. “I was in the middle of several tropical paradises between the North and Northeast of Brazil where there are all these natural landscapes with almost no interference of men… Those are my favourite places. The album cover is on a beach in Piauí. Also, I live on an island, Florianópolis, close to other beautiful natural places, and I make this darker dream pop. So I thought it was the right title to this album”.

To mix the album, Victor decided to use parts of Rob Grant‘s (Tame Impala, Miley Cyrus, Death Cab For Cutie, Pond) mastering. “First mix was made by myself and Rafael Pfleger at the Pimenta do Reino Studios in Florianopolis. I sent the master back to Rob in Australia, but I didn’t like the result for all the tracks. My friend Eduardo Possa mastered a mix of the two 2 versions and in the end, it was a 40/60% of each and sounding as I wanted < / em> “.

Now Frabin is again facing the harshness of engaging audiences in Brazil. “It’s so hard to make some profit from the music scene in Brazil today, I’d have to play and work for many years to be self-sufficient. But I like what I do so I’ll keep on trying to make people listen my songs. So far, the feedback is very good, I try to be my biggest critic at first, I do not know how sincere people are being but since 2014, the people who bump into me always enjoy the sound”.

 

 

Postado 02/10/2018 às 9:53