Midsummer Madness


3 of Us

Numa época em que poucos tinham acesso à internet e as novidades da música pop eram praticamente resumidas às informações da Bizz, Fortaleza viveu um período muito marcante para quem gostava daquilo que rotularam mais tarde de indie rock. Estávamos lá pelo meio dos anos 90 e um punhado de bandas foi surgindo aqui e ali. De repente, sem que se percebesse, havia uma “cena”. Naturalmente o resto do país não tomou o menor conhecimento. Uma pena. Eu mesmo, portador de uma louca obsessão pelos Pixies, fanático por Flaming Lips e fã de bandas como Pavement, Teenage Fanclub e Mudhoney, decidi ver os shows ainda bem cético, sem esperar nada.

Foi rápido. Em pouco tempo aqueles shows já faziam parte da minha agenda. Minha vida melhorou. Nunca esperei que na cidade que, não satisfeita com o Mastruz c/ Leite, ainda importava Axé e pagode mauricinho, houvesse bandas realmente boas. Não se tratava de tapa-buraco, mas de grupos com personalidade, músicas próprias e, em inglês, com guitarras.

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Os principais eram Dead Poets (foto acima), Dago Red e Velouria.
O primeiro era formado por Mário Quinderé e outros três garotos, todos na faixa dos 17, 18 anos. Eles tinham um pé na Class of 86 britânica e outro naquele rock americano da época. Faziam um pop agradável, com uma bela voz, que com o tempo foi se tornando mais noisy até a banda acabar. Chegaram a voltar em 2003, mais pesados, mas não duraram muito e se separaram de novo após lançarem um EP.

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O Dago Red (foto acima) de Robério Sacramento é até hoje uma banda de garagem por excelência. Punk mesmo. O comportamento é como o dos Ramones. Não importa que gostem de outras coisas, coisas novas. Na hora da cover vem The Witch (Sonics) ou Teenage Kicks (Undertones). É por aí.

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Nunca neguei minha preferência pelo Velouria (foto acima). Não pelo nome, que já fazia 1X0. Mas o sentido literal da guitar band. O guitarrista Régis Damasceno, o Mr Spaceman, fazia com que eu não saísse pulando porque não conseguia tirar os olhos e os ouvidos daquela guitarra.

Infelizmente, com exceção do CD do Dago Red, não houve registro oficial à altura. O Dead Poets se saiu até bem no CD que dividiu com o Velouria. Mas este estava irreconhecível. Pelo menos tenho uma boa gravação de um show quase perfeito.

Em parte, agora me sinto consolado. Chega às minhas mãos um Projeto chamado 3 of Us (nome jóia, sobretudo para quem gosta de Beatles), em que Mário, Robério e Régis se unem para regravar 10 músicas (além de 2 novas, uma do Dead Poets e outra do Dago Red). No total são 4 de cada, com os caras cantando 2 próprias e 1 de cada uma das outras bandas). Régis gravou tudo, exceto as baterias. Nas músicas do Velouria tocou o próprio baterista da banda, Júnior. Daniel Pessoa, baterista que costuma tocar com o Mr Spaceman, gravou o resto.

Com gravação profissional, enfim surge uma oportunidade para se ter uma idéia do que aconteceu naquela epoca. As músicas do CD vão descendo redondinhas, uma após a outra. Quando vejo os garotos do Arctic Monkeys, que acho legais, endeusados por aí, da Mojo à Playboy, imagino o que teria acontecido se esses caras estivessem no lugar certo. Porque na hora eles ainda estão. Basta dar uma ouvida.

Sávio Cunha
Fã de Pixies, Flaming Lips, Velouria, Dead Poets, Dago Red…

A origem das músicas, e como elas ficaram neste disco:
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01 – a lie to say (música do Dead Poets / arranjo novo / Mário canta.)

02 – these days (música do Dago Red / música nova / Roberio canta.)

03 – all for nothing (música do Velouria / arranjo original / Roberio canta.)

04 – all my songs (música do Dead Poets / arranjo novo / Roberio canta.)

05 – going down (música do Velouria / arranjo original / Regis canta.)

06 – greetings from a distant place (música do Dago Red / arranjo novo / Roberio canta.)

07 – hours (música do Dead Poets / música nova / Mario canta.)

08 - killing time (música do Velouria / arranjo original / Mario canta.)

09 – marianne, teddy bears and flies (música do Dago Red / arranjo novo / Mario canta.)

10 – tidal wave (música do Dago Red / arranjo novo / Regis canta.)

11 - unspoken word (música do Velouria / arranjo original / Regis canta.)

12 - your silent moon (música do Dead Poets / arranjo novo / Regis canta.)

A logística: Regis (Velouria), Mario (Dead Poets) e Roberio (Dago Red) escolheram cada um, uma música de autoria própria, mais uma de cada um dos outros dois. Assim, Regis escolheu uma do Velouria, uma do Dead Poets e uma do Dago Red que gostaria de cantar. Além disso, cada um deles gravou uma música própria inédita, nunca antes gravada, totalizando 12. Daniel Pessoa tocou bateria das músicas do Dead Poets e Dago Red (ele tocava no Dead Poets) e o Adalberto Farias (baterista do Velouria) pra gravar as músicas do Velouria. O resto dos instrumentos foi gravado por Regis Damasceno (ex Velouria, atual Mr Spaceman).

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Gravado e mixado entre agosto e dezembro de 2007 no Studio Magoo, em Fortaleza-CE, por Pablo Pinheiro e Regis Damasceno.
Guitarras, violão, baixo e teclados: Regis Damasceno.
Teclados em 1, 4, 6 e 10: Aldenor Paiva.
Bateria em 3, 5, 8 e 11: Adalberto Farias.
Bateria em 1, 2, 4, 6, 7, 9, 10 e 12: Daniel Pessoa.
Voz em 1, 7, 8 e 9: Mario Quinderé.
Voz em 2, 3, 4 e 6: Roberio Augusto.
Voz em 5, 10, 11 e 12: Regis Damasceno
Produção artística e executiva: Regis Damasceno.

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Velouria - http://mmrecords.com.br/200804/velouria/
Dago Red - http://www.myspace.com/dagoredbrazil
Dead Poets -


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Discografia

Vol 1 [2007]

Faixas


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